No dia a dia
O que é, em palavras simples
Crédito é, na origem, confiança. A palavra vem do latim credere, acreditar. Quando um banco te dá crédito, ele acredita que você vai pagar de volta, com juros, no futuro. É o que permite comprar uma casa sem ter o valor todo hoje, ou parcelar uma compra. Em troca da confiança e do tempo, paga-se um custo: os juros.
No seu bolso
Dois tipos de crédito
Crédito que constrói
- ›Financia casa ou negócio
- ›Custo menor, propósito produtivo
Crédito que destrói
- ›Rotativo do cartão
- ›Custo alto, consumo impulsivo
Indo mais fundo
Como funciona
O preço do crédito
Quanto custa o crédito depende do risco que o emprestador enxerga. Quanto maior a chance de calote, maiores os juros cobrados para compensar. Por isso quem tem bom histórico de pagamento consegue crédito mais barato: a confiança vira desconto. Garantias, como um imóvel num financiamento, também reduzem o juro, pois diminuem o risco do credor.
Crédito que constrói e crédito que destrói
Crédito não é vilão nem herói. Um financiamento que viabiliza uma casa ou um negócio produtivo pode melhorar a vida. Já o crédito caro para consumo impulsivo, como o rotativo do cartão, costuma ser uma armadilha. A diferença está no custo e no propósito.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O mercado de crédito é um dos exemplos clássicos de assimetria de informação: o tomador conhece a própria capacidade de pagar melhor que o banco. Joseph Stiglitz e Andrew Weiss mostraram, em 1981, uma consequência contraintuitiva disso. Em vez de simplesmente subir os juros até equilibrar oferta e procura, os bancos preferem, muitas vezes, racionar o crédito, negando empréstimo a parte dos candidatos. O motivo: juros muito altos afastam os bons pagadores e atraem justamente os mais arriscados, que topam pagar caro porque talvez não paguem. É a seleção adversa em ação. Por isso o crédito depende tanto de instituições, cadastros e garantias que reduzam essa assimetria e construam confiança.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tratar todo crédito como igual
Achar que juro alto sempre destrava o crédito
Veja também
Conceitos conectados
Juro composto
O juro que incide sobre o saldo já acrescido de juros anteriores: faz o dinheiro crescer (ou a dívida) de forma acelerada.
Taxa de juros
O preço do dinheiro no tempo: o quanto se paga para tomar emprestado, ou se ganha para emprestar, ao longo de um período.
Inadimplência
O não pagamento de uma dívida no prazo combinado: o risco que o credor enfrenta e que define o preço do crédito para todos.
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Perguntas frequentes
Por que uns pagam juros menores que outros? +
Porque o juro reflete o risco percebido pelo emprestador. Bom histórico de pagamento e garantias reduzem esse risco e, com ele, a taxa cobrada. A confiança vira desconto.
O que é racionamento de crédito? +
É quando bancos negam empréstimo a parte dos candidatos em vez de apenas subir os juros, porque juros muito altos atrairiam tomadores mais arriscados. Foi descrito por Stiglitz e Weiss.
Fontes e referências
- Acadêmica Credit Rationing in Markets with Imperfect Information - Joseph Stiglitz e Andrew Weiss (1981)
- Primária Crédito e juros bancários - Banco Central do Brasil (2024)
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