No dia a dia
O que é, em palavras simples
Irving Fisher construiu meia caixa de ferramentas da macroeconomia: a equação que liga moeda e preços, a distinção entre juro nominal e real que todo poupador deveria tatuar, o conceito de ilusão monetária, os números-índice que medem a inflação. E ficou famoso pelo motivo errado: dias antes do crash de 1929, declarou que as ações haviam atingido um platô permanentemente alto, perdeu a fortuna e a reputação no desastre que não previu, e passou a década seguinte explicando como ninguém o porquê: a deflação de dívidas que transforma quebra de bolsa em depressão.
No seu bolso
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01
A caixa (1911-30)
Quantitativa, juro real, ilusão monetária
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02
O platô (1929)
A previsão infeliz, dias antes do crash
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03
A ruína
Fortuna e reputação no desastre
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04
Debt-deflation (1933)
A teoria que 2008 reabilitou
Indo mais fundo
Como funciona
A caixa de ferramentas
O acervo deste dicionário já carrega o essencial: a equação de trocas MV = PT (termo da teoria quantitativa, com a citação de 1911), a ilusão monetária (termo próprio, com a definição de 1928) e a relação de Fisher, o juro nominal como juro real mais inflação esperada, a régua de toda aplicação financeira e de toda decisão de banco central. Acrescente a teoria do juro como impaciência contra oportunidade de investimento (1930), e Fisher é o economista mais citado por página deste portal sem ter, até hoje, página própria.
A redenção pela deflação de dívidas
Arruinado por 1929, Fisher produziu em 1933 a teoria que a crise de 2008 reabilitaria: quando todos devem muito e os preços caem, pagar dívida fica mais caro em termos reais quanto mais se paga, vender ativos para quitar derruba os preços dos ativos, e o esforço coletivo de desalavancar aprofunda a depressão. A debt-deflation dormiu décadas nos rodapés, até Minsky a adotar como peça do seu ciclo e Bernanke citá-la como mapa em 2008: a vingança póstuma do profeta desmoralizado.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
A frase que o assombrou merece registro integral, pela lição que carrega:
"Os preços das ações atingiram o que parece ser um platô permanentemente alto." (Irving Fisher, declaração à imprensa, outubro de 1929, dias antes do crash)
A obra técnica, em atribuição indireta fiel aos textos: The Purchasing Power of Money (1911) sistematiza a teoria quantitativa com a equação de trocas e o aparato de números-índice (Fisher é o pai da medição moderna de inflação, e o índice ideal leva seu nome); The Theory of Interest (1930) funda a teoria intertemporal do juro (impaciência e oportunidade, o diagrama que todo curso de pós usa até hoje) e a relação nominal-real com expectativas; e The Debt-Deflation Theory of Great Depressions (Econometrica, 1933) entrega o mecanismo que o mainstream redescobriria em 2008, com Bernanke e a literatura do acelerador financeiro como herdeiros declarados. Acrescente a fundação institucional (primeiro presidente da Econometric Society, com Frisch) e o arco está completo: Fisher é o ancestral comum de monetaristas (via quantitativa), comportamentais (via ilusão monetária) e da macro financeira (via deflação de dívidas), as três trilhas que o grafo deste pilar permite seguir.
A lição editorial que esta casa extrai do personagem: o maior macroeconomista americano da primeira metade do século errou a previsão mais cara da história por estar, como todos, dentro da bolha que media (e Shiller usa o episódio como exemplo da exuberância que sua obra formalizou). Pensadores se julgam pelo mecanismo que legaram, não pela bola de cristal, e Fisher legou três; mas o platô permanente fica no termo como a vacina definitiva contra economistas que esquecem o intervalo de confiança, inclusive os geniais.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Reduzir Fisher ao erro de 1929
Esquecer a relação nominal-real
Veja também
Conceitos conectados
Juro real
O juro nominal descontada a inflação: o único que mede o ganho verdadeiro de poder de compra, e não a ilusão dos números.
Teoria quantitativa da moeda
A tese de que o nível de preços depende da quantidade de moeda em circulação: mais dinheiro, mantida a produção, tende a levar a preços mais altos.
Ilusão monetária
A tendência humana de raciocinar com valores nominais e esquecer a inflação: comemorar aumento que não repõe os preços e rejeitar cortes que preservariam o real.
Perguntas frequentes
O que Irving Fisher deixou de mais importante? +
Três fundações: a teoria quantitativa moderna com a equação de trocas (MV = PT), a relação entre juro nominal, juro real e inflação esperada (a "relação de Fisher"), e a teoria da deflação de dívidas (1933), o mecanismo pelo qual desalavancagem coletiva aprofunda depressões, reabilitado em 2008.
O que foi o erro famoso de Fisher? +
Em outubro de 1929, dias antes do crash, declarou que as ações tinham atingido um platô permanentemente alto. Perdeu fortuna e reputação, e passou a década explicando o mecanismo da depressão que não previu, a debt-deflation que virou seu maior legado.
Fontes e referências
- Acadêmica The Theory of Interest - Irving Fisher (1930)
- Acadêmica The Debt-Deflation Theory of Great Depressions (Econometrica) - Irving Fisher (1933)
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