No dia a dia
O que é, em palavras simples
Juro é o preço do dinheiro no tempo. Quem toma dinheiro emprestado paga um extra por usá-lo agora; quem empresta ou investe recebe esse extra por esperar. A taxa de juros é esse preço, expresso em porcentagem por período, normalmente ao ano.
É por isso que uma compra parcelada costuma custar mais do que à vista e que o dinheiro aplicado num investimento cresce: nos dois casos, há um juro no meio do caminho.
No seu bolso
O juro de verdade desconta a inflação
Juro nominal
- ›A taxa do contrato
- ›O número anunciado
Juro real
- ›Desconta a inflação
- ›O ganho de poder de compra
Indo mais fundo
Como funciona
A taxa que comanda as outras
No Brasil há uma taxa de juros de referência, a Selic, definida pelo Banco Central. Ela funciona como a base a partir da qual os bancos calculam quanto cobram no crédito e quanto pagam na renda fixa. Quando a Selic sobe, o crédito encarece e os investimentos conservadores rendem mais; quando cai, acontece o contrário.
Juro nominal e juro real
A taxa que aparece no contrato é o juro nominal. Para saber o ganho verdadeiro, é preciso descontar a inflação do período: o que sobra é o juro real, o único que mede aumento de poder de compra. Um juro nominal alto, com inflação ainda mais alta, pode significar juro real negativo.
Como se calcula
A fórmula
juro real ≈ juro nominal - inflação
- r
- Juro real - Ganho acima da inflação
- i
- Juro nominal - Taxa registrada no contrato
- π
- Inflação - Variação de preços no período
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
Por que o juro existe e o que ele mede separou as escolas. Para a tradição clássica, o juro é o preço que equilibra a poupança e o investimento, a recompensa de quem adia o consumo. John Maynard Keynes deslocou o foco e ligou o juro à preferência pela liquidez, a vontade de manter dinheiro em caixa. Na Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936), ele a definiu assim:
"A taxa de juros é a recompensa por abrir mão da liquidez por um período determinado." (John Maynard Keynes, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, 1936)
Nessa leitura, o juro não premia a poupança em si, mas a disposição de abrir mão da segurança do dinheiro vivo. É o que dá ao Banco Central o seu poder: ao manejar a liquidez pela taxa básica, ele influencia consumo, investimento e, no fim, a própria inflação.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir juro nominal com juro real
Achar que parcelar sem juros é de graça
Veja também
Conceitos conectados
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Juro composto
O juro que incide sobre o saldo já acrescido de juros anteriores: faz o dinheiro crescer (ou a dívida) de forma acelerada.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Mais específico
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Selic e taxa de juros? +
A Selic é a taxa de juros básica da economia brasileira, definida pelo Banco Central. As outras taxas, do crédito aos investimentos, se formam a partir dela, somando custos e risco.
O que é juro real? +
É o juro nominal descontada a inflação do período. Se um investimento rende abaixo da inflação, o juro real fica negativo e há perda de poder de compra.
Fontes e referências
- Primária Taxa Selic e política monetária - Banco Central do Brasil (2024)
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.