No dia a dia
O que é, em palavras simples
Thorstein Veblen olhou para os milionários da América dourada de 1899 e fez a pergunta de sociólogo com bisturi de economista: por que os ricos gastam de formas tão espetacularmente inúteis? A resposta fundou um clássico: o consumo conspícuo. Gasta-se para ser visto gastando, porque o desperdício visível é a prova social da riqueza, e a classe ociosa exibe a própria ociosidade como troféu. Filho de imigrantes noruegueses, marginal na academia a vida inteira, Veblen fundou a escola institucionalista americana com os livros mais engraçados que a economia já produziu.
No seu bolso
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01
América dourada
Os milionários sob a lupa (1857-1929)
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02
Classe Ociosa (1899)
Consumo conspícuo e emulação
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03
Institucionalismo
Hábitos e instituições contra o equilíbrio
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04
Validação tardia
Bens posicionais, comportamental, evolucionários
Indo mais fundo
Como funciona
A Teoria da Classe Ociosa
O livro de 1899 inverte o manual: o consumo não busca utilidade, busca status, e a utilidade de muitos bens está exatamente no preço alto que sinaliza (os bens de Veblen do termo vizinho). A emulação pecuniária move a sociedade inteira: cada camada imita a de cima, e o padrão de decência consome o aumento de renda que a produtividade entrega, a esteira hedônica em versão 1899. A roupa, o gramado, as boas maneiras: tudo vira, na lente vebleniana, exibição competitiva de distância do trabalho útil.
Instituições e o resto da obra
O Veblen técnico fundou o institucionalismo: a economia como processo evolutivo de hábitos e instituições (e não mecânica de equilíbrio), o conflito entre a indústria (os engenheiros, fazer bem) e os negócios (os financistas, ganhar dinheiro, inclusive sabotando a produção), e a crítica metodológica que pedia uma economia evolucionária décadas antes de Nelson e Winter. A influência correu por fora do mainstream: de Galbraith aos estudos de consumo, da sociologia econômica à expressão "tecnocrata", que descende dos engenheiros dele.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
Sua demolição do agente racional, no ensaio metodológico de 1898, é a caricatura mais citada da história da disciplina:
"Um calculador relâmpago de prazeres e dores, que oscila como um glóbulo homogêneo de desejo de felicidade sob o impulso de estímulos." (Thorstein Veblen, Why is Economics not an Evolutionary Science?, 1898)
O alvo era o homo economicus hedonista da economia de então, e a alternativa proposta, hábitos, instituições e evolução cumulativa no lugar do equilíbrio, define o programa institucionalista original (Veblen, Commons, Mitchell), do qual a Nova Economia Institucional de Coase e North é herdeira crítica: conserva as instituições como variável central e devolve o aparato de escolha que Veblen expulsara, a tensão que o termo de economia institucional registra. As validações tardias são notáveis: o consumo conspícuo virou a economia dos bens posicionais (Hirsch, Frank) com evidência empírica própria; a emulação pecuniária antecipa a renda relativa de Duesenberry e a literatura de felicidade e comparação social; a dicotomia indústria-negócios ressurge em cada debate sobre financeirização; e o pedido de 1898 por uma economia evolucionária foi atendido oitenta anos depois pela escola de Nelson e Winter, que o cita como ancestral. No grafo deste pilar, Veblen é o fundador-contraponto: o primeiro a tratar o consumo como linguagem social (contra a utilidade silenciosa de Marshall), o avô intelectual do termo de bens de Veblen, e o autor da pergunta que a economia comportamental reabriu com aparato experimental: e se o decisor real não se parecer nada com o glóbulo?
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler Veblen como moralista do consumo
Esquecer o Veblen metodológico
Veja também
Conceitos conectados
Economia institucional
A escola que põe as instituições, as regras formais e informais que organizam a sociedade, no centro da explicação de por que alguns países prosperam e outros não.
Bens de Giffen e de Veblen
As duas exceções famosas à lei da demanda: o arroz do pobre que encarece e se compra mais (Giffen) e o luxo que atrai porque é caro (Veblen).
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que é o consumo conspícuo de Veblen? +
O gasto feito para ser visto: o desperdício visível como prova social de riqueza e posição. A utilidade de muitos bens está no preço alto que sinaliza status, e cada camada social emula a de cima, consumindo os ganhos de renda na corrida posicional. A tese é de 1899 e descreve o presente.
Qual a importância de Veblen além da classe ociosa? +
Fundou o institucionalismo americano: a economia como evolução de hábitos e instituições, a crítica ao agente calculador (o "glóbulo de desejo") e a dicotomia entre indústria e finanças. As linhagens dos bens posicionais, da economia comportamental e dos evolucionários o citam como ancestral.
Fontes e referências
- Acadêmica A Teoria da Classe Ociosa - Thorstein Veblen (1899)
- Acadêmica Why is Economics not an Evolutionary Science? (Quarterly Journal of Economics) - Thorstein Veblen (1898)
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