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Pensadores Nível 4 Avançado

Giovanni Dosi

também conhecido como: Dosi, Giovanni Dosi

O italiano (1953-) que mostrou que a inovação não cai do céu nem segue só o preço: ela anda por trajetórias, caminhos abertos por paradigmas tecnológicos que orientam para onde a pesquisa vai e de onde dificilmente sai.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Evolucionária

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Por que as empresas não inventam simplesmente o que seria mais lucrativo? Giovanni Dosi respondeu que a inovação não é uma escolha livre num cardápio infinito: ela anda por trilhos. Quando uma tecnologia se firma (o motor a combustão, o transistor), ela define um paradigma, um modo de pensar os problemas e as soluções, e a partir dali a pesquisa segue uma trajetória, melhorando aquela linha em vez de saltar para outra. É por isso que, durante décadas, os carros melhoraram o motor a combustão em vez de pular para o elétrico, mesmo quando o elétrico já existia: a indústria estava nos trilhos de um paradigma, com todo o conhecimento, os fornecedores e as fábricas organizados em torno dele. Mudar de trilho é caro, raro e arriscado, e por isso a história tecnológica tem inércia, não pula a esmo conforme os preços do dia.

No seu bolso

O carro a combustão melhorou por mais de um século enquanto o elétrico esperava na garagem: a indústria estava nos trilhos de um paradigma. A demora não foi falta de ideia, foi a dependência da trajetória que Dosi descreveu.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Paradigma tecnológico

    Define problemas, soluções e o que é progresso

  2. 02

    Trajetória

    A inovação melhora a mesma linha

  3. 03

    Dependência da trajetória

    O que se inova amanhã depende do que se aprendeu ontem

  4. 04

    Inércia tecnológica

    Mudar de trilho é caro e raro

Indo mais fundo

Como funciona

Paradigmas e trajetórias tecnológicas

Num artigo influente de 1982, Dosi propôs os conceitos de paradigma tecnológico e trajetória tecnológica, em analogia com os paradigmas científicos de Thomas Kuhn. Um paradigma tecnológico define os problemas relevantes, os procedimentos para resolvê-los e o que conta como progresso. Dentro dele, a inovação avança por uma trajetória: um padrão de melhorias incrementais na mesma direção. A consequência é que a mudança técnica é cumulativa e dependente da trajetória (path dependent): o que uma empresa ou um país consegue inovar amanhã depende do que aprendeu a fazer ontem.

A economia evolucionária

Dosi é um dos principais nomes da economia evolucionária, a corrente que, na linha de Nelson e Winter, trata a economia como um processo de variação e seleção, e não como um equilíbrio. As empresas, nessa visão, não maximizam num mundo conhecido: elas operam com rotinas (modos de fazer aprendidos e repetidos) e capacidades que mudam devagar, e a concorrência seleciona quais rotinas sobrevivem. É uma economia mais parecida com a biologia (diversidade, herança, seleção) do que com a mecânica.

Visão técnica

A leitura da escola Evolucionária

Dosi construiu uma ponte entre a teoria e a evidência empírica detalhada, em atribuição indireta fiel à obra. Diretor de um instituto de pesquisa na Escola Superior Santa Ana, em Pisa, liderou estudos sobre dinâmica industrial que documentam o que a teoria evolucionária prevê: a persistência de diferenças enormes de produtividade entre empresas do mesmo setor (que o equilíbrio competitivo deveria eliminar), a importância das capacidades organizacionais e o papel do aprendizado. Seu trabalho dá base micro à ideia, cara à tradição de Kaldor e à política industrial, de que a estrutura produtiva e as capacidades acumuladas importam, e não são facilmente recriáveis por quem ficou para trás. A crítica de praxe vem do mainstream, que vê na economia evolucionária mais um conjunto rico de descrições do que uma teoria preditiva fechada, e questiona se rotinas e trajetórias podem ser formalizadas com o mesmo rigor do equilíbrio; os evolucionários respondem que a precisão falsa do equilíbrio custa caro, e que descrever bem um processo aberto vale mais que prever mal um fechado. Para o debate de desenvolvimento, a lição de Dosi reforça a de Amsden e Chang: alcançar os líderes exige construir capacidades ao longo do tempo, não apenas acertar preços. No grafo deste pilar, Dosi liga Schumpeter e Nelson e Winter à produtividade e à dinâmica industrial.

No mercado

A enorme diferença de produtividade entre empresas do mesmo setor, que o equilíbrio competitivo deveria apagar, é o achado empírico que Dosi documentou: as capacidades organizacionais mudam devagar, e por isso as diferenças persistem.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que a inovação segue só o preço

Para Dosi, a mudança técnica anda por trajetórias abertas por paradigmas, com forte inércia: o que se pode inovar depende do que se aprendeu antes. Tratar a inovação como resposta imediata a preços ignora a dependência da trajetória.

Supor que capacidades se recriam fácil

A acumulação de rotinas e capacidades leva tempo e é específica; quem ficou para trás não recupera a distância só liberando mercado. É a base micro do argumento de que construir capacidades, e não só acertar preços, é o que permite alcançar os líderes.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é uma trajetória tecnológica? +

O padrão de melhorias incrementais que a inovação segue dentro de um paradigma tecnológico, segundo Giovanni Dosi. A mudança técnica é cumulativa e dependente da trajetória: o que se consegue inovar amanhã depende do que se aprendeu a fazer ontem, o que dá inércia à história tecnológica.

O que é economia evolucionária? +

A corrente que trata a economia como um processo de variação e seleção, e não como um equilíbrio. As empresas operam com rotinas e capacidades que mudam devagar, e a concorrência seleciona quais sobrevivem. É uma economia mais parecida com a biologia (diversidade, herança, seleção) do que com a mecânica.

Fontes e referências

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