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Marilyn Waring

também conhecido como: Waring, Marilyn Waring

A neozelandesa (1952-) que expôs o ângulo cego do PIB: o trabalho não pago, sobretudo de mulheres, vale zero nas contas nacionais, enquanto destruir a natureza conta como riqueza.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Feminista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Quanto vale, para a economia oficial, uma mãe que cria os filhos, cozinha, cuida da casa e da horta o dia inteiro? Marilyn Waring descobriu, com espanto, a resposta das contas nacionais: zero. O sistema que mede a riqueza dos países, o mesmo que produz o PIB, foi desenhado para contar só o que passa pelo mercado. Trabalho não pago, na enorme maioria feito por mulheres, simplesmente não existe nesse retrato. Pior: a mesma contabilidade conta como crescimento o que destrói (um vazamento de petróleo que gera gastos de limpeza aumenta o PIB), mas ignora o que sustenta a vida (cuidar, alimentar, manter a casa). Waring mostrou que isso não é um detalhe técnico, é uma escolha política sobre o que conta como valioso, e o que se decidiu não contar tem rosto de mulher.

No seu bolso

Se você contrata uma diarista, o serviço entra no PIB; se faz a mesma faxina você mesmo, não entra. A tarefa é idêntica, o valor contábil muda conforme passe ou não pelo mercado: o ponto exato que Waring denunciou.
Anatomia do conceito

O que o PIB conta

Conta como riqueza

  • Tudo que passa pelo mercado
  • Limpeza de um desastre ambiental
  • Serviços pagos de cuidado

Conta como zero

  • Trabalho doméstico não pago
  • Cuidado de filhos e idosos
  • Produção de subsistência

Indo mais fundo

Como funciona

Quem não conta nas contas

No livro If Women Counted (1988), Waring fez a crítica feminista mais influente ao Sistema de Contas Nacionais, o padrão internacional que define como se mede a produção de um país. A regra de fronteira desse sistema (o que entra e o que fica de fora do PIB) exclui o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado e a produção de subsistência. O resultado é uma dupla distorção: o trabalho que reproduz a sociedade aparece como inexistente, e a degradação ambiental aparece como ganho. Waring conhecia o sistema por dentro: foi deputada na Nova Zelândia antes de virar pesquisadora, e levou a denúncia da academia para o debate público.

Por que isso importa para a política

O argumento não é só simbólico. Aquilo que não é medido tende a ser ignorado nas decisões: se o cuidado vale zero na conta, cortá-lo não aparece como perda, e investir nele não aparece como retorno. A invisibilidade estatística vira invisibilidade política. Por isso Waring defendia medir o uso do tempo (quem faz o quê, pagas ou não) e dar valor explícito ao trabalho não remunerado, para que as decisões econômicas parassem de tratá-lo como ar.

Visão técnica

A leitura da escola Feminista

O impacto de Waring foi mais institucional do que costuma se reconhecer, em atribuição indireta fiel à obra. A pressão que ela ajudou a articular contribuiu para que organismos internacionais passassem a realizar pesquisas de uso do tempo e a estimar o valor do trabalho não remunerado em contas satélite (anexos às contas nacionais que medem o que o PIB exclui), hoje rotina em muitos países, inclusive no Brasil, onde o instituto de estatística mede as horas dedicadas a afazeres domésticos e cuidados. A crítica de praxe não nega o problema, mas debate a solução: dar preço de mercado ao cuidado pode distorcê-lo (nem tudo que importa deveria virar mercadoria), e há quem prefira reconhecê-lo por outras vias que não a monetária. Waring dialogava com essa tensão, mais interessada em tornar o cuidado visível e valorizado do que em simplesmente precificá-lo. Sua obra é uma das fundadoras da economia feminista, ao lado de uma geração que mostrou que as escolhas aparentemente técnicas da medição econômica carregam um viés de gênero. No grafo deste pilar, Waring liga a crítica ao PIB (compartilhada com a economia ecológica) à economia do cuidado de Nancy Folbre e dialoga com Claudia Goldin sobre o trabalho da mulher.

No mercado

As pesquisas de uso do tempo do IBGE, que medem quantas horas as pessoas dedicam a afazeres domésticos e cuidados (muito mais horas para as mulheres), são a resposta estatística à crítica de Waring: tornar visível o trabalho que o PIB ignora.

Atenção

Mitos e erros comuns

Tratar a exclusão do cuidado como mero detalhe técnico

Para Waring, a fronteira do que entra no PIB é uma escolha política sobre o que conta como valioso. Excluir o trabalho não pago, majoritariamente feminino, e incluir a degradação ambiental como ganho revela um viés, não uma neutralidade.

Achar que a solução é só dar preço ao cuidado

Precificar o cuidado pode distorcê-lo, porque nem tudo que importa deveria virar mercadoria. Waring buscava sobretudo torná-lo visível e valorizado; a discussão sobre a melhor forma de fazê-lo segue aberta.

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Perguntas frequentes

Por que o PIB não conta o trabalho doméstico? +

Porque o Sistema de Contas Nacionais foi desenhado para medir o que passa pelo mercado, e o trabalho doméstico e de cuidado não pago fica fora dessa fronteira. Para Marilyn Waring, essa exclusão não é neutra: torna invisível um trabalho enorme, feito sobretudo por mulheres.

Qual a crítica central de Marilyn Waring? +

Que a medição econômica oficial conta como riqueza o que passa pelo mercado (até a limpeza de um desastre ambiental) e como zero o trabalho não pago que sustenta a vida. O que não é medido tende a ser ignorado pela política, então a invisibilidade estatística vira invisibilidade política.

Fontes e referências

  • Acadêmica If Women Counted: A New Feminist Economics - Marilyn Waring (1988)
  • Acadêmica Counting for Nothing - Marilyn Waring (1988)

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