No dia a dia
O que é, em palavras simples
Entre 1968 e 1973, a economia brasileira cresceu muito rápido, em torno de 10% ao ano, com construção de estradas, hidrelétricas e indústrias, e euforia de "Brasil grande". Foi o chamado milagre econômico, durante o regime militar. Mas o crescimento veio com dois acompanhantes que cobrariam a conta depois: muita dívida externa, que financiou a expansão, e o aumento da desigualdade, já que a renda cresceu mais no topo do que na base.
No seu bolso
Duas faces do milagre
O que cresceu
- ›PIB perto de 10% ao ano
- ›Indústria, infraestrutura, urbanização
O que ficou para trás
- ›Dívida externa que estourou nos anos 1980
- ›Desigualdade aumentou no período
Indo mais fundo
Como funciona
O que sustentou o crescimento
O milagre combinou investimento estatal pesado (infraestrutura e indústria de base), abertura ao capital e à dívida externa farta e barata da época, e arrocho salarial que segurava custos. A indústria liderou, o crédito se expandiu e o país se urbanizou aceleradamente. Foi crescimento liderado pelo Estado e pela entrada de capital estrangeiro.
A conta que veio depois
O modelo era vulnerável em dois pontos. Dependia de dívida externa, que se tornaria veneno quando os juros internacionais dispararam, levando à década perdida. E concentrava renda: a famosa fórmula atribuída a Delfim Netto, de "fazer o bolo crescer para depois dividir", virou símbolo de um crescimento que aumentou o tamanho da economia sem reduzir a desigualdade, que na verdade cresceu no período.
Visão técnica
Visão técnica
O milagre é caso central para a tradição desenvolvimentista e sua crítica. Na chave desenvolvimentista, ele mostra o poder de um Estado que coordena investimento, infraestrutura e indústria para acelerar a transformação produtiva de um país periférico, na linhagem que vem de Celso Furtado e da CEPAL, ainda que executada por um regime autoritário. Os números de crescimento foram, de fato, excepcionais.
A crítica, também de raiz estruturalista e atenta à distribuição, aponta os dois calcanhares. Primeiro, a sustentabilidade: o crescimento ancorado em endividamento externo era uma aposta no cenário internacional favorável, que ruiu nos anos 1980 e jogou o país na década perdida, o milagre plantou a crise seguinte. Segundo, a distribuição: estudos do período mostraram a renda se concentrando, e a promessa de "dividir o bolo depois" não se cumpriu na escala prometida. O episódio resume o dilema do desenvolvimentismo brasileiro: capacidade de crescer rápido, dificuldade de crescer de forma distributiva e sustentável.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Lembrar só do crescimento
Achar que crescer o PIB distribui renda sozinho
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Dívida pública
O total que o governo deve a credores: a soma dos déficits que financiou ao longo do tempo emitindo títulos.
Desigualdade
A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Celso Furtado
O paraibano (1920-2004) que explicou o Brasil pela economia: o subdesenvolvimento não é atraso na fila, é uma formação histórica própria. Fundador da SUDENE, expoente da CEPAL.
Perguntas frequentes
O que foi o milagre econômico brasileiro? +
Foi o período de 1968 a 1973 em que a economia brasileira cresceu em torno de 10% ao ano, com forte investimento em indústria e infraestrutura, durante o regime militar. Ficou marcado tanto pelas taxas excepcionais quanto pela dependência de dívida externa e pelo aumento da desigualdade.
Por que o milagre terminou? +
Porque o modelo dependia de dívida externa barata, que virou impagável quando os juros internacionais dispararam no início dos anos 1980. A vulnerabilidade construída no milagre desembocou na década perdida, de estagnação e inflação alta.
Fontes e referências
- Primária Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - Ipea
- Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)
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