No dia a dia
O que é, em palavras simples
Poupar é uma virtude pessoal: quem guarda dinheiro fica mais seguro. Mas o paradoxo da poupança mostra que, quando todo mundo decide poupar ao mesmo tempo, especialmente numa crise, o efeito coletivo pode ser o oposto. Se todos gastam menos, as empresas vendem menos, demitem, e a renda geral cai, deixando todos mais pobres.
No seu bolso
A virtude individual vira problema coletivo
Uma família poupa
- ›Fica mais segura
- ›Faz sentido
Todas poupam na crise
- ›A demanda cai
- ›Renda e poupança encolhem
Indo mais fundo
Como funciona
A falácia da composição
O paradoxo é um exemplo de falácia da composição: o que é verdade para um indivíduo não é necessariamente verdade para o conjunto. Uma família que poupa mais melhora a sua situação. Todas as famílias poupando mais ao mesmo tempo derrubam o consumo, que é o principal motor da demanda agregada.
O papel do gasto público
É aqui que, na visão keynesiana, entra o governo: se o setor privado trava o gasto de uma vez, o Estado pode gastar para sustentar a demanda e evitar que a economia desabe, retomando depois a poupança quando a crise passar.
Visão técnica
A leitura da escola Keynesiana
O paradoxo é antigo, aparece já na Fábula das Abelhas de Bernard Mandeville (1714), mas foi Keynes quem o popularizou na teoria moderna. Num discurso de rádio de 1931, em plena Grande Depressão, ele provocou o público com a versão mais direta da ideia:
"A melhor estimativa que posso fazer é que, sempre que você economiza cinco xelins, deixa um homem sem trabalho por um dia." (John Maynard Keynes, 1931)
A frase é deliberadamente exagerada, mas crava o ponto: numa economia com demanda deprimida, a poupança de um vira a falta de renda de outro. Não é um elogio ao desperdício, e sim um alerta sobre o momento errado para todos apertarem o cinto ao mesmo tempo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Concluir que poupar é ruim
Ignorar a falácia da composição
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Demanda agregada
A soma de tudo o que a economia quer comprar num período: consumo das famílias, investimento das empresas, gasto do governo e exportações líquidas.
Recessão
Uma queda generalizada e persistente da atividade econômica: menos produção, menos emprego e menos renda por vários meses seguidos.
John Maynard Keynes
O economista inglês (1883-1946) que respondeu à Grande Depressão: mercados podem travar em desemprego, e cabe à política econômica sustentar a demanda. Fundou a macroeconomia.
Perguntas frequentes
O paradoxo da poupança diz que não devo poupar? +
Não. No plano individual, poupar continua prudente. O paradoxo alerta para o efeito agregado de todos cortarem gastos ao mesmo tempo, sobretudo numa recessão.
O que é falácia da composição? +
É o erro de supor que o que vale para uma parte vale automaticamente para o todo. Uma pessoa de pé num estádio vê melhor; todos de pé, ninguém vê.
Fontes e referências
- Acadêmica Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda - John Maynard Keynes (1936)
- Acadêmica A Fábula das Abelhas - Bernard Mandeville (1714)
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