No dia a dia
O que é, em palavras simples
Ninguém sentou numa mesa e desenhou o capitalismo. Ele emergiu ao longo de séculos, quando o comércio, a propriedade privada e o trabalho pago em salário foram substituindo as ordens feudais. O resultado é o sistema em que vivemos: os meios de produzir (fábricas, terras, empresas) pertencem a particulares, as pessoas vendem seu trabalho por salário, e o que se produz é decidido por milhões de escolhas de compra e venda, coordenadas por preços. O motor é a busca de lucro; o freio, a concorrência.
No seu bolso
Os quatro pilares do capitalismo
- Propriedade privada 25%
- Mercado e preços 25%
- Trabalho assalariado 25%
- Lucro e acumulação 25%
Indo mais fundo
Como funciona
As peças do sistema
Quatro instituições sustentam o capitalismo: a propriedade privada dos meios de produção, que define quem decide e quem embolsa o resultado; o mercado e os preços, que coordenam milhões de decisões sem comando central; o trabalho assalariado, que separa quem emprega de quem é empregado; e a acumulação, o reinvestimento do lucro que expande o sistema continuamente.
Um sistema, muitas versões
Capitalismo não é um modelo único. O americano convive com pouco Estado de bem-estar; o nórdico combina mercados livres com impostos altos e proteção social ampla; o asiático teve Estado coordenando a industrialização. O que há de comum é o núcleo: propriedade privada, mercado e lucro. O que varia, e muito, é o papel do Estado, o peso dos sindicatos e a rede de proteção. Comparar capitalismos reais é mais útil do que debater um capitalismo abstrato.
Visão técnica
Visão técnica
As grandes escolas divergem menos sobre o que o capitalismo é e mais sobre o que ele faz. Para a tradição de Adam Smith, a busca do interesse próprio sob concorrência gera ordem e prosperidade não intencionais: a mão invisível. Para Marx, o sistema é historicamente revolucionário e, ao mesmo tempo, baseado na extração de mais-valia do trabalho. Curiosamente, a descrição mais vigorosa do dinamismo capitalista está no próprio Manifesto:
"A burguesia não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção e, desse modo, as relações de produção e, com elas, todas as relações da sociedade." (Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto Comunista, 1848)
Schumpeter deu a esse dinamismo o nome de destruição criadora e fez dele a essência do sistema. A escola institucional acrescenta o alicerce jurídico: sem direitos de propriedade seguros, tribunais e contratos exequíveis, mercados não florescem, o que explica por que o capitalismo produz resultados tão díspares em países diferentes. Os keynesianos aceitam o núcleo do sistema, mas negam que ele se autorregule: sem estabilização da demanda, alternaria booms e depressões. O debate contemporâneo gira menos em torno de capitalismo versus planejamento central, encerrado na prática no século 20, e mais em torno de qual variedade de capitalismo: quanta proteção social, quanta regulação, quanta abertura.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir capitalismo com ausência de Estado
Tratar o sistema como um projeto de alguém
Veja também
Conceitos conectados
Mão invisível
A metáfora de Adam Smith para a ideia de que indivíduos buscando o próprio interesse podem, sem querer, produzir uma ordem que beneficia a todos.
Direitos de propriedade
As regras que definem quem pode usar, vender e lucrar com um bem: a base institucional sem a qual investir, poupar e empreender perde o sentido.
Adam Smith
O filósofo escocês (1723-1790) que fundou a economia moderna: em A Riqueza das Nações, mostrou a ordem que emerge quando cada um busca o próprio interesse sob concorrência.
Karl Marx
O filósofo alemão (1818-1883) que fez a crítica mais influente do capitalismo: O Capital analisa o sistema pela lente do conflito entre quem trabalha e quem emprega.
Joseph Schumpeter
O austríaco (1883-1950) que pôs o empreendedor e a inovação no centro do capitalismo: o sistema avança destruindo o velho, e o monopólio de hoje é a inovação de ontem.
Friedrich Engels
O alemão (1820-1895) que foi coautor, financiador e editor de Marx: o industrial que sustentou o crítico do capitalismo e organizou os volumes de O Capital que Marx não viveu para terminar.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que define o capitalismo? +
Quatro traços: propriedade privada dos meios de produção, coordenação pela via dos mercados e preços, trabalho assalariado e busca de lucro com reinvestimento. O papel do Estado varia enormemente entre os capitalismos reais, do americano ao nórdico.
Capitalismo e livre mercado são a mesma coisa? +
Não exatamente. O livre mercado é um dos mecanismos do capitalismo, mas todo capitalismo real combina mercados com Estado: moeda pública, tribunais, regulação e, em graus variados, proteção social. As variedades de capitalismo diferem justamente nessa dosagem.
Fontes e referências
- Acadêmica A Riqueza das Nações - Adam Smith (1776)
- Acadêmica Manifesto Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels (1848)
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