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Pensadores Nível 3 Intermediário

Maria da Conceição Tavares

também conhecido como: Conceição Tavares

A portuguesa-brasileira (1930-2024) que liderou o pensamento econômico nacional por meio século: da crítica à substituição de importações à hegemonia do dólar.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Estruturalista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Nenhum economista formou tantos economistas brasileiros: Maria da Conceição Tavares, matemática portuguesa naturalizada brasileira, deu aula por meio século (UFRJ, Unicamp), orientou gerações inteiras (de ministros a presidentes de banco central, de críticos a herdeiros) e brigou em público com quase todas elas. Da cátedra e da CEPAL, produziu as leituras que organizaram o debate nacional: por que a industrialização por substituição de importações se esgotava, como o Brasil crescia concentrando renda, e por que o dólar não caiu quando todos previam.

No seu bolso

Se o seu economista favorito é brasileiro e tem mais de cinquenta anos, há boa chance de ter sido aluno, orientando ou adversário de sala de Conceição Tavares: a genealogia da profissão passa por ela.
Anatomia do conceito
  1. 01

    CEPAL e UFRJ

    A matemática vira economista do Brasil (1930-2024)

  2. 02

    Substituição (1964)

    O diagnóstico do esgotamento

  3. 03

    Além da Estagnação (1972)

    Crescer concentrando: o modelo perverso

  4. 04

    Hegemonia do dólar (1985)

    A tese que a história validou

Indo mais fundo

Como funciona

As três teses

A primeira (1964): o ensaio sobre a substituição de importações, leitura cepalina do modelo brasileiro com o diagnóstico do esgotamento: industrializar substituindo tem etapas, e as últimas (bens de capital, tecnologia) não vêm sozinhas. A segunda (1972, com Serra): Além da Estagnação polemiza com a previsão de estagnação do regime militar: o milagre era possível, mas concentrando renda, o crescimento perverso que o debate distributivo brasileiro herdou. A terceira (1985): A Retomada da Hegemonia Norte-Americana lê a alta de juros de Volcker como reafirmação imperial do dólar, quando o consenso via decadência americana, a tese que a história validou e que fez escola na economia política internacional brasileira.

A professora-instituição

Conceição construiu os lugares onde o pensamento heterodoxo brasileiro vive: a pós-graduação da Unicamp e o Instituto de Economia da UFRJ carregam sua digital, e o estilo (aula como combate, dado como arma, aluno tratado como adversário à altura) virou lenda oral da profissão. Deputada federal por um mandato, voltou à cátedra por vocação declarada: formar gente que pensasse o Brasil com categorias próprias, não importadas.

Visão técnica

A leitura da escola Estruturalista

A obra de Conceição Tavares, em atribuição indireta fiel aos textos, opera a transição do estruturalismo cepalino à economia política brasileira contemporânea. O ensaio de 1964 (Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil) é o marco analítico: a industrialização substitutiva como processo com dinâmica e limites internos (estrangulamento externo, exigências crescentes de capital e tecnologia), não como receita permanente, antecipando a inflexão que a economia brasileira faria na década seguinte. Além da Estagnação (1972) funda o debate distributivo moderno: contra a tese da estagnação inevitável, o crescimento com concentração como modelo coerente (e perverso), em que o perfil de demanda dos ricos sustenta a acumulação, a leitura que organizou meio século de controvérsia sobre desigualdade e crescimento no país. E a tese da retomada da hegemonia (1985) inaugura a leitura monetário-financeira do poder americano: o dólar como ativo de última instância reafirmado pela violência dos juros, antecipando a literatura internacional sobre hegemonia financeira e o debate contemporâneo sobre desdolarização.

A descendência é o mapa da heterodoxia brasileira: a escola da Unicamp (Belluzzo, Cardoso de Mello), a economia política do desenvolvimentismo, e a tradição que dialoga com Furtado (de quem foi par crítico) e com o novo desenvolvimentismo de Bresser-Pereira. O registro crítico de praxe: adversários cobram da tradição o custo fiscal e inflacionário de experimentos que ela inspirou, e os herdeiros respondem com a régua dela própria: pensar o Brasil exige categorias históricas, e o erro de cada década ensina a seguinte. No grafo deste pilar, Conceição fecha o triângulo estruturalista com Prebisch e Furtado, e adiciona o que faltava ao retrato: a sala de aula como instituição econômica brasileira.

No mercado

Cada debate sobre desdolarização que termina com o dólar mais forte reencena a tese de 1985: a hegemonia monetária americana se reafirma nas crises, não apesar delas.

Atenção

Mitos e erros comuns

Reduzi-la a um rótulo partidário

Conceição polemizou com todos os lados, inclusive os próprios herdeiros, e suas teses (esgotamento da substituição, crescimento concentrador, hegemonia do dólar) são análises datáveis e testáveis, julgadas no mérito como as deste pilar inteiro.

Esquecer a obra institucional

Além dos textos, ela construiu as escolas (Unicamp, UFRJ) onde a heterodoxia brasileira pensa: avaliar sua influência só pelos ensaios é medir um rio pela nascente.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

Quais são as principais teses de Conceição Tavares? +

Três marcos: o esgotamento da industrialização por substituição de importações (1964), o crescimento com concentração de renda como modelo coerente e perverso do milagre (1972, com Serra) e a retomada da hegemonia americana via dólar e juros de Volcker (1985), quando o consenso via decadência.

Qual foi a influência de Conceição Tavares no Brasil? +

Dupla: as teses organizaram o debate nacional por meio século, e a professora formou gerações inteiras da profissão (de ministros a críticos), construindo as escolas da Unicamp e da UFRJ onde o pensamento heterodoxo brasileiro se institucionalizou.

Fontes e referências

  • Acadêmica Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro - Maria da Conceição Tavares (1972)
  • Acadêmica A Retomada da Hegemonia Norte-Americana (Revista de Economia Política) - Maria da Conceição Tavares (1985)

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