No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que o Brasil não vira um país rico "naturalmente", com o tempo? Celso Furtado dedicou a vida a essa pergunta e deu a resposta que fundou uma escola: o subdesenvolvimento não é uma etapa que todos os países atravessam, é uma formação histórica específica, criada pela posição de fornecedor de matéria-prima na economia mundial e reproduzida por estruturas internas (concentração de renda, modernização que não alcança a maioria). Formação Econômica do Brasil (1959) recontou a história nacional pelos ciclos do açúcar, do ouro e do café, e virou o livro de economia mais lido do país.
No seu bolso
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01
CEPAL (anos 1950)
O estruturalismo com Prebisch
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02
Formação Econômica (1959)
O Brasil explicado pelos ciclos
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03
SUDENE e cassação
Da ação pública ao exílio (1964)
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04
O Mito (1974)
O limite ecológico antecipado
Indo mais fundo
Como funciona
O economista da CEPAL e da ação
Na CEPAL de Prebisch, Furtado ajudou a construir o estruturalismo latino-americano: a deterioração dos termos de troca, o par centro-periferia, a industrialização por substituição de importações como rota de fuga. Mas foi além do gabinete: criou e dirigiu a SUDENE para atacar a desigualdade regional nordestina, foi o primeiro ministro do Planejamento do Brasil, teve os direitos políticos cassados pelo golpe de 1964 e seguiu a obra no exílio (Sorbonne), voltando como ministro da Cultura na redemocratização.
A tese da dependência interna
Sua marca distintiva: o subdesenvolvimento se reproduz por dentro. A modernização chega como enclave (consumo sofisticado de uma minoria, imitando o centro) sem transformar a estrutura que mantém a maioria fora; o excedente existe, mas é capturado e mal investido. Daí o ceticismo com o crescimento puro: em O Mito do Desenvolvimento Econômico (1974), argumentou que generalizar o padrão de consumo do centro ao planeta inteiro é ecologicamente impossível, antecipando em décadas o debate ambiental do desenvolvimento.
Visão técnica
A leitura da escola Estruturalista
A tese que organiza a obra está na sua formulação clássica:
"O subdesenvolvimento não é uma etapa necessária do processo de formação das economias capitalistas modernas. É, em si, um processo particular." (Celso Furtado, Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, 1961)
O argumento demole a escada única dos modelos de modernização (Rostow): centro e periferia não estão em pontos diferentes da mesma estrada, estão em estradas diferentes, conectadas, e a posição periférica condiciona a estrutura interna (heterogeneidade estrutural: o setor moderno convive com o atrasado sem absorvê-lo, a raiz da informalidade brasileira que este dicionário trata em termo próprio). A historiografia econômica de Formação Econômica do Brasil, construída sobre os ciclos exportadores e seus mecanismos de renda, segue sendo a porta de entrada do pensamento econômico brasileiro, e o par com a tese da dependência interna distingue Furtado dentro da própria CEPAL: menos ênfase no comércio externo como vilão único, mais nas estruturas domésticas (terra, renda, elite imitativa) que reproduzem a condição. O balanço crítico registrado: a substituição de importações que ele defendeu produziu industrialização com as distorções que os termos respectivos documentam (protecionismo cristalizado, vulnerabilidade externa), e o próprio Furtado fez autocrítica seletiva, deslocando a ênfase para distribuição de renda e mercado interno como condição do desenvolvimento, não consequência. Na rede deste pilar, Furtado é o nó brasileiro: liga Prebisch e o estruturalismo à formação nacional, ao Nordeste como questão e ao debate ecológico contemporâneo, e sua pergunta (por que não nos desenvolvemos?) segue sendo a pergunta.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler Furtado como nacionalista saudosista
Ignorar o Furtado ecológico
Veja também
Conceitos conectados
Substituição de importações
Estratégia de desenvolvimento que troca a importação de manufaturados pela produção interna, defendida pela CEPAL para industrializar a periferia.
Dependência
A teoria de que o subdesenvolvimento da periferia não é um atraso a ser superado, mas o produto histórico da sua relação subordinada com os países centrais.
Estruturalismo
A corrente latino-americana de Prebisch e Celso Furtado: o subdesenvolvimento não é atraso a ser vencido pelo tempo, mas uma condição estrutural ligada à posição na economia mundial.
Perguntas frequentes
Qual é a tese central de Celso Furtado? +
Que o subdesenvolvimento não é uma etapa na estrada de todos os países, mas uma formação histórica própria: criada pela posição periférica na economia mundial e reproduzida por estruturas internas, como a concentração de renda e a modernização restrita a enclaves. Desenvolver exige transformar a estrutura, não só crescer.
O que Celso Furtado fez além dos livros? +
Construiu instituições: expoente da CEPAL, criou e dirigiu a SUDENE para o Nordeste, foi o primeiro ministro do Planejamento do país, teve os direitos cassados em 1964, ensinou na Sorbonne no exílio e voltou como ministro da Cultura na redemocratização.
Fontes e referências
- Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)
- Acadêmica Desenvolvimento e Subdesenvolvimento - Celso Furtado (1961)
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