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Macroeconomia Nível 4 Avançado

Curva de Phillips

também conhecido como: Phillips curve

A relação que sugere um trade-off entre inflação e desemprego: menos de um custaria mais do outro. Vale no curto prazo, mas não no longo.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Monetarista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

A curva de Phillips é a ideia de que existe uma troca entre inflação e desemprego: para ter menos gente desempregada, seria preciso aceitar um pouco mais de inflação, e vice-versa. Por décadas, ela pareceu uma das relações mais confiáveis da economia, até que a realidade a desafiou.

No seu bolso

No curto prazo, aquecer a economia pode reduzir o desemprego à custa de mais inflação; mas, se a inflação vira rotina, o efeito sobre o emprego se perde.
Anatomia do conceito

Curto prazo e longo prazo

Curto prazo

  • Há trade-off
  • Menos desemprego custa mais inflação

Longo prazo

  • Curva vertical
  • Sobra apenas inflação

Indo mais fundo

Como funciona

A origem empírica

Em 1958, o economista A. W. Phillips observou, em quase um século de dados da Inglaterra, uma relação inversa entre desemprego e variação dos salários. A leitura keynesiana transformou isso num cardápio de política: escolher um ponto na curva, trocando um pouco de inflação por menos desemprego.

A quebra dos anos 1970

A estagflação derrubou essa leitura simples. Inflação e desemprego subiram juntos, algo que a curva original dizia ser impossível. Faltava uma peça: as expectativas das pessoas sobre a inflação futura.

Visão técnica

A leitura da escola Monetarista

A crítica decisiva veio de Milton Friedman e Edmund Phelps. Eles argumentaram que, quando as pessoas passam a esperar inflação, ela deixa de comprar redução de desemprego: o trade-off some. No discurso à Associação Americana de Economia, em 1967, Friedman cravou a distinção:

"Há sempre um trade-off temporário entre inflação e desemprego; não há trade-off permanente." (Milton Friedman, 1967)

Na leitura que prevaleceu, a curva de Phillips de longo prazo é vertical: existe uma taxa natural de desemprego, e tentar empurrar o desemprego abaixo dela com estímulo só acelera a inflação. As expectativas, e não apenas a demanda, passaram ao centro da política monetária.

No mercado

Bancos centrais acompanham de perto as expectativas de inflação justamente porque elas determinam se ainda há, ou não, algum trade-off a explorar.

Atenção

Mitos e erros comuns

Tratar a curva como uma escolha permanente

O trade-off entre inflação e desemprego vale no curto prazo. No longo, ele desaparece, como mostraram Friedman e Phelps.

Esquecer as expectativas

A peça que faltava na curva original era a expectativa de inflação. Quando ela muda, a relação inteira se desloca.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

A curva de Phillips ainda vale? +

No curto prazo, uma relação entre demanda, inflação e desemprego ainda é observada. No longo prazo, prevaleceu a visão de que o trade-off some, e a curva é vertical na taxa natural de desemprego.

O que é taxa natural de desemprego? +

É o nível de desemprego compatível com inflação estável. Tentar reduzir o desemprego abaixo dela, via estímulo, tende a acelerar a inflação sem ganho duradouro de emprego.

Fontes e referências

  • Acadêmica The Role of Monetary Policy - Milton Friedman (1968)
  • Acadêmica The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates - A. W. Phillips (1958)

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