No dia a dia
O que é, em palavras simples
De onde vem a capacidade de um país inovar? Não de um inventor genial na garagem, respondeu Christopher Freeman, mas de um sistema. A inovação acontece quando empresas, universidades, laboratórios, governo e sistema financeiro estão conectados e aprendem uns com os outros: a universidade forma gente e gera conhecimento, a empresa transforma em produto, o banco financia o risco, o governo compra, regula e às vezes paga a pesquisa que ninguém mais pagaria. Quando essas peças se conversam bem, o país inova; quando estão desconectadas, mesmo com bons cientistas e boas empresas, a inovação não decola. Freeman chamou esse conjunto de sistema nacional de inovação, e a ideia mudou a forma como os governos pensam ciência e tecnologia: deixou de ser questão de financiar gênios e virou questão de costurar uma rede.
No seu bolso
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01
Universidade e ciência
Forma gente e gera conhecimento
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02
Empresa
Transforma conhecimento em produto
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03
Estado e finanças
Financia, compra, regula o risco
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04
Sistema de inovação
A capacidade está na rede, não nos pontos
Indo mais fundo
Como funciona
Sistemas nacionais de inovação
Estudando por que o Japão alcançou o Ocidente no pós-guerra, Freeman cunhou e desenvolveu o conceito de sistema nacional de inovação: o conjunto de instituições (empresas, universidades, agências públicas, bancos) cujas interações determinam a capacidade de um país de gerar e difundir tecnologia. A lição é que a inovação é uma propriedade da rede, não de seus pontos isolados: o Japão não tinha apenas boas empresas, tinha uma articulação densa entre elas, o Estado e o sistema financeiro, que organizava o aprendizado coletivo.
O fundador de um campo
Freeman fundou, em 1966, a Unidade de Pesquisa em Política Científica da Universidade de Sussex, o centro que praticamente criou os estudos de inovação como área. Seu livro The Economics of Industrial Innovation (1974) sistematizou o campo. Retomou também, com Carlota Perez, as ondas longas e os paradigmas tecno-econômicos, ligando a inovação aos grandes ciclos do capitalismo, e reabilitou a obra do economista russo Nikolai Kondratiev sobre os ciclos longos.
Visão técnica
A leitura da escola Evolucionária
Freeman é, com Richard Nelson, o arquiteto da agenda que tornou a inovação um objeto central da economia, em atribuição indireta fiel à obra. Antes dele, a economia tratava a tecnologia como uma caixa-preta, algo que caía de fora e aumentava a produtividade; Freeman abriu a caixa e mostrou que dentro dela há instituições, aprendizado, políticas e história. A ideia de sistema de inovação teve enorme impacto prático: virou marco de referência da OCDE e da União Europeia, e orienta políticas de ciência e tecnologia mundo afora, inclusive no Brasil, onde o debate sobre articular universidades, empresas e fomento é exatamente um debate sobre sistema nacional de inovação. A crítica de praxe aponta que o conceito é poderoso como descrição, mas difícil de medir e de operacionalizar (o que exatamente conta como sistema, e como saber se ele funciona bem?), e que a ênfase no nacional pode subestimar as redes globais de inovação. Mas o deslocamento que Freeman provocou, da inovação como evento isolado para a inovação como capacidade sistêmica e institucional, é irreversível e estrutura a política de desenvolvimento contemporânea. No grafo deste pilar, Freeman liga Schumpeter e Nelson e Winter à inovação como sistema e dialoga com Carlota Perez sobre os ciclos longos.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tratar inovação como obra de gênios isolados
Confundir gastar em ciência com ter sistema de inovação
Veja também
Conceitos conectados
Joseph Schumpeter
O austríaco (1883-1950) que pôs o empreendedor e a inovação no centro do capitalismo: o sistema avança destruindo o velho, e o monopólio de hoje é a inovação de ontem.
Nelson e Winter
A dupla americana que refundou Schumpeter com Darwin: firmas operam por rotinas, inovam buscando e o mercado seleciona. A bíblia evolucionária é de 1982.
Mariana Mazzucato
A ítalo-americana (1968-) que virou o debate sobre inovação: o Estado como investidor de primeira hora, das tecnologias do iPhone às missões. A economista mais influente da política industrial atual.
Perguntas frequentes
O que é um sistema nacional de inovação? +
O conceito de Christopher Freeman para o conjunto de instituições (empresas, universidades, agências públicas, bancos) cujas interações determinam a capacidade de um país de gerar e difundir tecnologia. A inovação é uma propriedade da rede, e não de seus pontos isolados.
Por que Freeman é importante para a política de desenvolvimento? +
Porque mostrou que inovar é uma capacidade sistêmica e institucional, não um evento isolado. A ideia de sistema nacional de inovação virou referência da OCDE e de governos, inclusive no Brasil, e orienta as políticas que tentam articular universidades, empresas e financiamento.
Fontes e referências
- Acadêmica The Economics of Industrial Innovation - Christopher Freeman (1974)
- Acadêmica As Time Goes By: From the Industrial Revolutions to the Information Revolution - Christopher Freeman e Francisco Louçã (2001)
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