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Política monetária e fiscal Nível 2 Básico

Drex

também conhecido como: real digital, CBDC brasileira, moeda digital do banco central

A versão digital do real emitida pelo Banco Central: dinheiro público em plataforma de tecnologia de registro distribuído, desenhado para contratos inteligentes.

Redação Blog do Brasil atualizado em 09 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Se o Pix já transfere dinheiro em segundos, para que o Brasil precisaria de um real digital? A resposta está no que o dinheiro fará, não na velocidade. O Drex é a versão digital da própria moeda, emitida pelo Banco Central numa plataforma em que o dinheiro pode ser programado: um pagamento que só se concretiza quando o carro é transferido para o seu nome, um financiamento liberado em parcelas automáticas conforme a obra avança. O Pix move dinheiro entre contas; o Drex quer transformar o dinheiro em peça de contratos automáticos.

No seu bolso

Comprar um carro usado com pagamento que só se efetiva quando a transferência do veículo é registrada, sem intermediário de confiança: é o tipo de operação que o Drex quer viabilizar.
Anatomia do conceito

Pix e Drex: papéis diferentes

Pix

  • Move dinheiro entre contas
  • Pagamento instantâneo resolvido

Drex

  • Dinheiro programável em contratos
  • Ativos tokenizados, entrega contra pagamento

Indo mais fundo

Como funciona

O que é uma CBDC

Drex é a CBDC brasileira (moeda digital de banco central, na sigla em inglês). A diferença para o saldo no seu banco é o emissor: o dinheiro na conta bancária é uma promessa do banco privado; a CBDC é passivo direto do Banco Central, como o papel-moeda. A diferença para as criptomoedas é a âncora: o Drex é o próprio real, com curso legal e valor estável, não um ativo flutuante.

Como o desenho funciona

No modelo brasileiro, o varejo continua com os bancos e fintechs: o cidadão acessará o Drex por intermediários, que tokenizam depósitos, enquanto o Banco Central opera o atacado da plataforma. A aposta é a tokenização de ativos: títulos, imóveis e recebíveis representados digitalmente na mesma rede do dinheiro, permitindo entrega contra pagamento automática, sem cartório de confiança no meio. O projeto avançou por fases de testes (piloto desde 2023), com desafios técnicos reais, sobretudo conciliar privacidade das transações com a auditabilidade que a lei exige.

Visão técnica

Visão técnica

O Drex insere o Brasil no movimento global de CBDCs, mas com desenho próprio: uma plataforma de registro distribuído permissionada, operada pelo Banco Central, em arquitetura de dois níveis (atacado em moeda do BC; varejo via depósitos tokenizados dos intermediários), orientada menos a pagamentos, problema que o Pix já resolveu, e mais a um mercado de ativos tokenizados com liquidação atômica: a entrega do ativo e o pagamento ocorrem na mesma transação, eliminando o risco de contraparte que hoje exige câmaras, garantias e dias de espera.

A literatura econômica sobre CBDCs organiza as promessas e os riscos. Entre as promessas: eficiência de liquidação, redução de custos de back-office, colateralização programável (crédito mais barato contra garantias automatizáveis) e inclusão em serviços hoje restritos a grandes players, como operações compromissadas. Entre os riscos: a desintermediação bancária (se o público pudesse migrar depósitos para moeda do BC em estresse, as corridas seriam instantâneas, razão do modelo de dois níveis e de eventuais limites), a privacidade (o equilíbrio entre sigilo financeiro e rastreabilidade é decisão de desenho, testada no piloto com soluções criptográficas ainda imaturas) e a governança da programabilidade, pois dinheiro condicionável por contratos levanta a questão de quem pode programar o quê. O cronograma tem sido deliberadamente cauteloso: o BCB priorizou casos de uso e robustez sobre prazos. Conceitualmente, o par Pix e Drex ilustra a mesma tese institucional: o regulador brasileiro tratando infraestrutura monetária como bem público de desenho estratégico.

No mercado

No piloto do Drex, bancos testaram títulos públicos tokenizados com liquidação automática: a entrega do título e o pagamento na mesma transação, sem risco de contraparte.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir Drex com criptomoeda

Criptomoedas são ativos privados de preço flutuante. O Drex é o próprio real, passivo do Banco Central com valor estável: a tecnologia de registro distribuído é o meio, não a natureza do ativo.

Achar que o Drex substitui o Pix

São camadas complementares: o Pix resolve pagamento instantâneo; o Drex mira dinheiro programável e ativos tokenizados. O cidadão seguirá usando Pix para transferir, e nem perceberá o Drex operando por trás.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Drex e Pix? +

O Pix é um sistema de pagamento: move dinheiro entre contas em segundos. O Drex é a moeda em si na versão digital, emitida pelo Banco Central numa plataforma que permite programar o dinheiro: pagamentos condicionados, ativos tokenizados e liquidação automática.

O Drex é uma criptomoeda? +

Não. Criptomoedas são ativos privados sem emissor central e com preço flutuante. O Drex é o real brasileiro em forma digital: passivo direto do Banco Central, curso legal e valor estável. Apenas usa tecnologia de registro distribuído como infraestrutura.

Fontes e referências

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