No dia a dia
O que é, em palavras simples
Você quer comprar um carro usado. O vendedor sabe se aquele carro é bom ou um abacaxi escondido; você, não. Com medo de levar um problema, você se recusa a pagar o preço de um carro bom. Mas então o dono de um carro realmente bom não consegue um preço justo e desiste de vender. Sobram no mercado, cada vez mais, os piores. Esse é o problema da seleção adversa: a informação escondida faz os bons desaparecerem.
No seu bolso
O que sobra no mercado
Informação simétrica
- ›Cada qualidade tem seu preço
- ›Bons e ruins coexistem
Seleção adversa
- ›Só há um preço médio
- ›Os bons saem, sobram os piores
Indo mais fundo
Como funciona
Informação escondida antes do negócio
A seleção adversa surge quando, antes de fechar o negócio, uma das partes sabe algo que a outra não sabe. Como o comprador não distingue o bom do ruim, ele só topa pagar um preço médio. Esse preço médio é baixo demais para os bons e ótimo para os ruins, então os bons saem e os ruins entram, derrubando ainda mais a qualidade média.
Do seguro ao crédito
O fenômeno aparece em muitos mercados. No seguro-saúde, planos atraem mais quem já está doente, o que eleva os custos e afasta os saudáveis, numa espiral. No crédito, juros muito altos afastam o bom pagador e atraem quem aceita qualquer taxa porque não pretende pagar. As respostas envolvem dar informação: garantias, exames, históricos e selos de qualidade.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
O conceito foi formalizado por George Akerlof no artigo The Market for Lemons (1970), usando o mercado de carros usados (os lemons, gíria para abacaxis). A conclusão central é direta:
"Os carros de má qualidade tendem a expulsar os bons, do mesmo modo que a moeda ruim expulsa a boa." (George Akerlof, O Mercado de Limões, 1970)
A seleção adversa é um problema de assimetria de informação anterior à transação (em contraste com o risco moral, que vem depois). Sem um jeito de distinguir qualidades, o mercado encolhe ou desaparece, uma forma de falha de mercado. As soluções, estudadas por Michael Spence e Joseph Stiglitz (que dividiram com Akerlof o Nobel de 2001), passam por reduzir a assimetria: a sinalização (o vendedor informado prova a qualidade, por exemplo com garantia) e a triagem (o lado desinformado cria mecanismos para separar os tipos, como franquias diferentes no seguro). É um dos pilares da economia da informação.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com risco moral
Achar que é só fraude
Mais específico
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Falha de mercado
Situações em que o mercado, por si só, não aloca os recursos de forma eficiente: externalidades, bens públicos, monopólios e assimetria de informação.
Risco moral
A tendência de alguém a assumir mais riscos quando não arca sozinho com as consequências, como o segurado que se descuida por se saber coberto.
George Akerlof
O americano (1940-) cujo artigo rejeitado três vezes fundou a economia da informação: os limões, os salários de eficiência e a identidade. Nobel de 2001.
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Perguntas frequentes
O que é seleção adversa? +
É a situação em que a informação escondida de um dos lados faz os piores produtos ou clientes dominarem um mercado. Como o comprador não distingue o bom do ruim, paga só um preço médio, que expulsa os bons e atrai os ruins. Foi descrita por George Akerlof em 1970.
Como os mercados combatem a seleção adversa? +
Reduzindo a assimetria de informação. O lado informado pode sinalizar qualidade (garantias, certificados), e o lado desinformado pode fazer triagem (como oferecer contratos diferentes que separam os tipos). Isso ajuda os bons a se distinguirem dos ruins.
Fontes e referências
- Acadêmica The Market for Lemons: Quality Uncertainty and the Market Mechanism (Quarterly Journal of Economics) - George Akerlof (1970)
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