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Política monetária e fiscal Nível 3 Intermediário

Metas de inflação

também conhecido como: regime de metas, sistema de metas para a inflação, inflation targeting

O regime em que o Banco Central se compromete com uma meta de inflação e usa os juros (a Selic) para persegui-la, âncora da política monetária no Brasil desde 1999.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Monetarista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Como manter a inflação sob controle sem que ela vire uma loteria? A resposta que o Brasil e dezenas de países adotaram é o regime de metas de inflação. Funciona assim: define-se publicamente uma meta (por exemplo, 3% ao ano) e o Banco Central assume o compromisso de fazer a inflação ficar perto dela. A principal ferramenta para isso é o juro: quando a inflação ameaça subir demais, o Banco Central aumenta a Selic para esfriar a economia; quando há espaço, reduz.

No seu bolso

Quando o noticiário diz que o Copom subiu a Selic para conter a inflação, está mostrando o regime de metas em ação: o juro sobe para trazer os preços de volta ao alvo.
Anatomia do conceito

Com e sem âncora

Sem regime de metas

  • Inflação sem referência clara
  • Expectativas soltas

Com metas de inflação

  • Banco Central mira um número
  • Expectativas ancoradas

Indo mais fundo

Como funciona

Como o regime funciona

No Brasil, o Conselho Monetário Nacional define a meta e a margem de tolerância em torno dela. Cabe ao Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (o Copom), calibrar a Selic para perseguir essa meta. A lógica é olhar para a frente: como o juro leva meses para fazer efeito, o Banco Central age com base na inflação esperada, não só na atual.

Ancorar expectativas

O maior trunfo do regime é ancorar as expectativas. Se empresas e famílias confiam que o Banco Central vai cumprir a meta, elas reajustam preços e salários em linha com ela, e a inflação tende a se acomodar. A meta funciona, assim, como uma bússola compartilhada. O regime brasileiro está em vigor desde 1999.

Visão técnica

A leitura da escola Monetarista

O regime de metas para a inflação (inflation targeting) foi adotado no Brasil em 1999, após a mudança para o câmbio flutuante, e é herdeiro direto da revolução monetarista, que pôs o controle da inflação no centro da política monetária. Sua arquitetura separa papéis: o Conselho Monetário Nacional fixa a meta e o intervalo de tolerância, e o Banco Central, pelo Copom, persegue a meta calibrando a taxa Selic.

O regime combina três elementos: uma meta numérica anunciada, a independência operacional do Banco Central para perseguir essa meta, e transparência (relatórios, atas, comunicados) para guiar as expectativas. A teoria por trás dele incorpora a importância das expectativas e a ideia de que a credibilidade reduz o custo de controlar a inflação. As críticas vêm sobretudo de visões heterodoxas, que apontam o custo, em juros altos e atividade contida, de combater a inflação apenas pela demanda, sobretudo quando a alta de preços vem de choques de oferta. Ainda assim, o regime se firmou como o arranjo dominante de política monetária no mundo.

No mercado

Bancos, empresas e investidores acompanham a meta e as decisões do Copom para projetar juros e preços, prova de como a meta organiza as expectativas de toda a economia.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que o BC controla a inflação diretamente

O Banco Central não fixa preços. Ele atua de forma indireta, pela Selic, que influencia crédito, consumo e investimento, com defasagem de meses até afetar a inflação.

Confundir meta com previsão

A meta é o alvo a perseguir, definido antes. A inflação esperada é a projeção do que vai acontecer. O Banco Central age para aproximar uma da outra, mas elas não são a mesma coisa.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é o regime de metas de inflação? +

É o sistema em que o Banco Central se compromete publicamente com uma meta de inflação e usa a taxa de juros (a Selic) para alcançá-la. No Brasil, a meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional, e o Banco Central a persegue pelo Copom. Está em vigor desde 1999.

Como o juro ajuda a cumprir a meta? +

Subir a Selic encarece o crédito, esfria o consumo e o investimento e ajuda a conter a inflação. Baixá-la faz o contrário. Como o efeito leva meses, o Banco Central decide olhando a inflação esperada à frente, não apenas a atual.

Fontes e referências

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