No dia a dia
O que é, em palavras simples
Como manter a inflação sob controle sem que ela vire uma loteria? A resposta que o Brasil e dezenas de países adotaram é o regime de metas de inflação. Funciona assim: define-se publicamente uma meta (por exemplo, 3% ao ano) e o Banco Central assume o compromisso de fazer a inflação ficar perto dela. A principal ferramenta para isso é o juro: quando a inflação ameaça subir demais, o Banco Central aumenta a Selic para esfriar a economia; quando há espaço, reduz.
No seu bolso
Com e sem âncora
Sem regime de metas
- ›Inflação sem referência clara
- ›Expectativas soltas
Com metas de inflação
- ›Banco Central mira um número
- ›Expectativas ancoradas
Indo mais fundo
Como funciona
Como o regime funciona
No Brasil, o Conselho Monetário Nacional define a meta e a margem de tolerância em torno dela. Cabe ao Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (o Copom), calibrar a Selic para perseguir essa meta. A lógica é olhar para a frente: como o juro leva meses para fazer efeito, o Banco Central age com base na inflação esperada, não só na atual.
Ancorar expectativas
O maior trunfo do regime é ancorar as expectativas. Se empresas e famílias confiam que o Banco Central vai cumprir a meta, elas reajustam preços e salários em linha com ela, e a inflação tende a se acomodar. A meta funciona, assim, como uma bússola compartilhada. O regime brasileiro está em vigor desde 1999.
Visão técnica
A leitura da escola Monetarista
O regime de metas para a inflação (inflation targeting) foi adotado no Brasil em 1999, após a mudança para o câmbio flutuante, e é herdeiro direto da revolução monetarista, que pôs o controle da inflação no centro da política monetária. Sua arquitetura separa papéis: o Conselho Monetário Nacional fixa a meta e o intervalo de tolerância, e o Banco Central, pelo Copom, persegue a meta calibrando a taxa Selic.
O regime combina três elementos: uma meta numérica anunciada, a independência operacional do Banco Central para perseguir essa meta, e transparência (relatórios, atas, comunicados) para guiar as expectativas. A teoria por trás dele incorpora a importância das expectativas e a ideia de que a credibilidade reduz o custo de controlar a inflação. As críticas vêm sobretudo de visões heterodoxas, que apontam o custo, em juros altos e atividade contida, de combater a inflação apenas pela demanda, sobretudo quando a alta de preços vem de choques de oferta. Ainda assim, o regime se firmou como o arranjo dominante de política monetária no mundo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que o BC controla a inflação diretamente
Confundir meta com previsão
Veja também
Conceitos conectados
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Selic
A taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom: o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.
Banco Central
A autoridade que cuida da moeda de um país: controla a inflação pela taxa de juros, zela pelo sistema financeiro e emite o dinheiro.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Perguntas frequentes
O que é o regime de metas de inflação? +
É o sistema em que o Banco Central se compromete publicamente com uma meta de inflação e usa a taxa de juros (a Selic) para alcançá-la. No Brasil, a meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional, e o Banco Central a persegue pelo Copom. Está em vigor desde 1999.
Como o juro ajuda a cumprir a meta? +
Subir a Selic encarece o crédito, esfria o consumo e o investimento e ajuda a conter a inflação. Baixá-la faz o contrário. Como o efeito leva meses, o Banco Central decide olhando a inflação esperada à frente, não apenas a atual.
Fontes e referências
- Corporativa Histórico de metas para a inflação no Brasil - Banco Central do Brasil (1999)
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