No dia a dia
O que é, em palavras simples
Pessoas com diploma ganham mais. Mas quanto disso é o diploma, e quanto é o resto que vem junto (família, cidade, talento, contatos)? A regressão é a ferramenta inventada para esse tipo de pergunta: ela pega muitos dados e estima o efeito de cada fator sobre o resultado, segurando os demais parados. O resultado se lê assim: comparando pessoas parecidas em tudo o mais, cada ano extra de estudo associa-se a tantos por cento a mais de renda. É o "tudo o mais constante" dos economistas transformado em conta.
No seu bolso
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01
Dados dispersos
Milhares de pessoas, rendas e escolaridades
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02
Ajuste da reta
A relação que melhor resume a nuvem
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03
Coeficiente
Efeito de X com o resto constante
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04
Incerteza
Margem de erro e teste do acaso
Indo mais fundo
Como funciona
O que a regressão entrega
Tecnicamente, a regressão ajusta aos dados a reta (ou superfície) que melhor resume a relação entre as variáveis, tipicamente minimizando os erros ao quadrado. Cada coeficiente diz quanto o resultado muda quando aquela variável sobe uma unidade, com as outras paradas, e vem acompanhado de uma medida de incerteza. É a língua franca da economia empírica: salários, inflação, risco de crédito, elasticidades, quase tudo que a disciplina mede passa por ela.
O que ela não entrega sozinha
A regressão segura constantes as variáveis que estão nela; o problema mora nas que ficaram de fora. Se algo invisível (talento, por exemplo) afeta ao mesmo tempo a escolaridade e o salário, o coeficiente do estudo carrega o efeito do talento embutido, o viés de variável omitida. Por isso a regressão, sozinha, mede associação condicionada, não causa: a promoção a evidência causal depende do desenho (de onde veio a variação de X?), tema dos termos vizinhos.
Visão técnica
Visão técnica
O nome vem de Francis Galton, que ao estudar a estatura de pais e filhos (1886) observou a regressão à média: filhos de pais muito altos tendem a ser altos, porém menos extremos que os pais, fenômeno puramente estatístico que segue enganando leitores de dados (o "castigo" do segundo ano de um estreante brilhante é, em parte, só a média cobrando o ruído do primeiro). O aparato moderno, mínimos quadrados de Legendre e Gauss, formalização de inferência em Fisher e a síntese econométrica do século 20, fez da regressão múltipla o instrumento universal: sob as hipóteses clássicas, os estimadores têm propriedades ótimas conhecidas, e violações mapeadas (heterocedasticidade, autocorrelação, erros nas variáveis) têm correções padronizadas.
A leitura contemporânea, na linha de Angrist e Pischke, reposiciona a ferramenta: a regressão é um descritor de médias condicionais admiravelmente robusto, e a questão causal não está na mecânica, está na fonte de variação do regressor de interesse. Daí a gramática moderna dos papers: a regressão é o veículo; a credibilidade vem do desenho que a alimenta (aleatorização, instrumento, descontinuidade, painel com efeitos fixos), das hipóteses de identificação explícitas e dos testes de robustez. Patologias de uso que o leitor crítico reconhece: pescaria de especificações (rodar dezenas de versões e publicar a que deu), controles ruins que absorvem o próprio efeito (controlar pelo mecanismo) ou o criam (colisores), e extrapolação fora do suporte dos dados. No uso honesto, a regressão segue sendo o que Galton inaugurou: a melhor lupa já construída para enxergar padrões condicionais em dados barulhentos, com o aviso permanente de que lupa não decide o que é causa.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler coeficiente como causa automática
Ignorar a regressão à média
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Elasticidade
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Correlação não é causalidade
Duas coisas andando juntas não significa que uma causa a outra: a regra de ouro da leitura de dados e o erro mais cometido em manchetes, debates e decisões.
Irving Fisher
O americano (1867-1947) que fundou a macroeconomia monetária: equação de trocas, juro real, deflação de dívidas. E o autor da previsão mais infeliz da história das finanças.
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Perguntas frequentes
O que uma regressão faz? +
Estima quanto um resultado (salário, preço, risco) muda quando cada fator varia, mantendo os demais constantes. Cada coeficiente resume essa relação condicional e vem com margem de erro. É a ferramenta central da economia empírica.
Regressão prova causalidade? +
Não por si só: ela mede associação descontando os fatores incluídos, mas fatores omitidos podem contaminar os coeficientes. A leitura causal exige saber de onde veio a variação da variável de interesse: sorteio, regra, choque externo. O desenho decide; a regressão calcula.
Fontes e referências
- Acadêmica Regression Towards Mediocrity in Hereditary Stature (Journal of the Anthropological Institute) - Francis Galton (1886)
- Acadêmica Mostly Harmless Econometrics - Joshua Angrist e Jorn-Steffen Pischke (2009)
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