No dia a dia
O que é, em palavras simples
Imagine um pasto aberto a todos os pastores. Cada um ganha colocando mais uma vaca, mas o desgaste do pasto é dividido por todos. O resultado: cada um coloca vacas demais e o pasto se esgota, arruinando a todos. Essa é a tragédia dos comuns: quando o benefício é individual e o custo, coletivo, o recurso compartilhado tende a ser destruído.
No seu bolso
O recurso compartilhado
Sem regras
- ›Cada um usa ao máximo
- ›O recurso se esgota
Com regras (Ostrom)
- ›Limites acordados e monitorados
- ›Uso sustentável
Indo mais fundo
Como funciona
De pastos a oceanos
A lógica se repete em muitos lugares: a pesca que esgota os peixes, o trânsito que entope a rua de graça, a poluição que suja o ar de todos. Sempre que falta um dono ou uma regra, e o acesso é livre, o uso individual racional leva à ruína coletiva. É uma prima das externalidades: o custo do meu uso recai sobre os outros.
As saídas clássicas
Por muito tempo, propôs-se que só havia dois remédios: privatizar o recurso (dar um dono que cuide) ou estatizá-lo (o governo controla o acesso). Mas há um terceiro caminho, menos óbvio e muito poderoso.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O termo foi popularizado por Garrett Hardin num ensaio de 1968, com uma conclusão sombria:
"A liberdade num bem comum traz a ruína para todos." (Garrett Hardin, A Tragédia dos Comuns, 1968)
Hardin via apenas duas saídas: a propriedade privada ou a coerção estatal. Foi Elinor Ostrom, primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia, em 2009, quem mostrou que a história é mais rica. Estudando comunidades reais, de pescadores a sistemas de irrigação, Ostrom documentou que grupos conseguem, sem privatizar nem depender do Estado, criar regras próprias para gerir recursos comuns de forma sustentável, com limites, monitoramento e sanções acordadas entre os usuários. A lição institucional é que a tragédia não é inevitável: depende das regras que as pessoas constroem para governar o que é de todos.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que a tragédia é inevitável
Confundir bem comum com bem público
Veja também
Conceitos conectados
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Instituições
As regras do jogo de uma sociedade, formais (leis) e informais (costumes), que moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam.
Bem público
Um bem cujo uso por uma pessoa não impede o de outra e do qual é difícil excluir quem não paga: como a iluminação pública ou a defesa nacional.
Elinor Ostrom
A cientista política americana (1933-2012) que provou, em campo, que comunidades governam bens comuns sem Estado nem privatização. Primeira mulher com Nobel de economia (2009).
Perguntas frequentes
Qual a contribuição de Elinor Ostrom? +
Ostrom mostrou, com casos reais, que comunidades conseguem gerir recursos comuns de forma sustentável criando suas próprias regras, sem privatizar nem depender do Estado. Por isso ganhou o Nobel de Economia em 2009.
A tragédia dos comuns é o mesmo que externalidade? +
São aparentadas. Na tragédia dos comuns, o custo do uso individual de um recurso compartilhado recai sobre todos, uma forma de externalidade negativa ligada à ausência de regras de acesso.
Fontes e referências
- Acadêmica The Tragedy of the Commons - Garrett Hardin (1968)
- Acadêmica Governing the Commons - Elinor Ostrom (1990)
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