BlogdoBrasil
Microeconomia Nível 3 Intermediário

Tragédia dos comuns

também conhecido como: tragedy of the commons, tragédia dos bens comuns

A tendência de recursos compartilhados e de livre acesso a serem destruídos pelo uso excessivo, quando o ganho é individual e o custo, coletivo.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Institucional

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Imagine um pasto aberto a todos os pastores. Cada um ganha colocando mais uma vaca, mas o desgaste do pasto é dividido por todos. O resultado: cada um coloca vacas demais e o pasto se esgota, arruinando a todos. Essa é a tragédia dos comuns: quando o benefício é individual e o custo, coletivo, o recurso compartilhado tende a ser destruído.

No seu bolso

Uma geladeira compartilhada no escritório, em que todos pegam e ninguém repõe nem limpa, é uma tragédia dos comuns em miniatura.
Anatomia do conceito

O recurso compartilhado

Sem regras

  • Cada um usa ao máximo
  • O recurso se esgota

Com regras (Ostrom)

  • Limites acordados e monitorados
  • Uso sustentável

Indo mais fundo

Como funciona

De pastos a oceanos

A lógica se repete em muitos lugares: a pesca que esgota os peixes, o trânsito que entope a rua de graça, a poluição que suja o ar de todos. Sempre que falta um dono ou uma regra, e o acesso é livre, o uso individual racional leva à ruína coletiva. É uma prima das externalidades: o custo do meu uso recai sobre os outros.

As saídas clássicas

Por muito tempo, propôs-se que só havia dois remédios: privatizar o recurso (dar um dono que cuide) ou estatizá-lo (o governo controla o acesso). Mas há um terceiro caminho, menos óbvio e muito poderoso.

Visão técnica

A leitura da escola Institucional

O termo foi popularizado por Garrett Hardin num ensaio de 1968, com uma conclusão sombria:

"A liberdade num bem comum traz a ruína para todos." (Garrett Hardin, A Tragédia dos Comuns, 1968)

Hardin via apenas duas saídas: a propriedade privada ou a coerção estatal. Foi Elinor Ostrom, primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia, em 2009, quem mostrou que a história é mais rica. Estudando comunidades reais, de pescadores a sistemas de irrigação, Ostrom documentou que grupos conseguem, sem privatizar nem depender do Estado, criar regras próprias para gerir recursos comuns de forma sustentável, com limites, monitoramento e sanções acordadas entre os usuários. A lição institucional é que a tragédia não é inevitável: depende das regras que as pessoas constroem para governar o que é de todos.

No mercado

A sobrepesca em mares de livre acesso esgota cardumes inteiros: cada barco lucra pescando mais, mas o estoque de peixes, de todos, desaparece.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que a tragédia é inevitável

O trabalho de Elinor Ostrom mostrou que comunidades conseguem gerir bens comuns com regras próprias, sem precisar privatizar nem estatizar.

Confundir bem comum com bem público

O bem comum é rival (o que um usa, falta para o outro) mas de difícil exclusão. O bem público é não-rival. São falhas parecidas, mas distintas.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

Qual a contribuição de Elinor Ostrom? +

Ostrom mostrou, com casos reais, que comunidades conseguem gerir recursos comuns de forma sustentável criando suas próprias regras, sem privatizar nem depender do Estado. Por isso ganhou o Nobel de Economia em 2009.

A tragédia dos comuns é o mesmo que externalidade? +

São aparentadas. Na tragédia dos comuns, o custo do uso individual de um recurso compartilhado recai sobre todos, uma forma de externalidade negativa ligada à ausência de regras de acesso.

Fontes e referências

  • Acadêmica The Tragedy of the Commons - Garrett Hardin (1968)
  • Acadêmica Governing the Commons - Elinor Ostrom (1990)

Sua conta gratuita

Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.

Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.

Receba o dicionário no e-mail

Um conceito de economia explicado por semana.

Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.

Continue lendo

Artigos sobre o tema