No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que alguém pagaria juro para usar dinheiro hoje em vez de esperar? A resposta de Eugen von Böhm-Bawerk parte de uma observação simples sobre a natureza humana: as pessoas preferem bens presentes a bens futuros. Mil reais hoje valem mais do que a promessa de mil reais daqui a um ano, e não só por causa do risco de não receber. Valem mais porque podemos usá-los já, porque somos impacientes e porque, com recursos hoje, é possível produzir mais para amanhã. O juro, nessa visão, não é um truque dos bancos nem uma exploração: é o preço dessa diferença entre presente e futuro, o preço do tempo. Foi a primeira explicação austríaca convincente para algo que todo mundo paga e poucos sabem por quê.
No seu bolso
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01
Preferência temporal
Bens presentes valem mais que futuros
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02
Produção indireta
Processos mais longos rendem mais, mas exigem esperar
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03
O juro
O preço de adiantar recursos no tempo
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04
Crítica a Marx (1896)
A objeção ao valor-trabalho
Indo mais fundo
Como funciona
Capital e Juro
A obra monumental de Böhm-Bawerk, Capital e Juro (publicada entre 1884 e 1889), juntou duas ideias. A primeira é a preferência temporal: valorizamos mais o presente que o futuro, e o juro mede essa preferência. A segunda é a produção mais indireta: processos produtivos que levam mais tempo (fabricar a ferramenta antes de plantar) costumam render mais, mas exigem esperar, e quem adianta recursos para sustentar essa espera cobra por isso. Juntas, as duas explicam por que o capital tem um rendimento e por que ele é positivo.
O crítico de Marx
Em 1896, no ensaio Karl Marx e o Fechamento de seu Sistema, Böhm-Bawerk fez a crítica técnica mais influente à teoria do valor-trabalho. Seu alvo foi o que chamou de contradição entre o volume I e o volume III de O Capital: se o valor das mercadorias vem do trabalho, como Marx afirma no início, por que os preços reais se afastam sistematicamente desse valor, como o próprio Marx admite no fim? A resposta marxista a essa objeção (o chamado problema da transformação) ocupou economistas por mais de um século.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A estatura de Böhm-Bawerk se mede pela sua descendência intelectual e pelos debates que abriu, em atribuição indireta fiel à obra. Foi mestre de Ludwig von Mises e de Joseph Schumpeter, e seu seminário em Viena formou a segunda geração da escola austríaca; sua teoria do capital como estrutura de processos com diferentes durações é a semente da teoria austríaca dos ciclos que Hayek desenvolveria, na qual o juro manipulado distorce justamente o comprimento desses processos. Fora da academia, foi três vezes ministro das finanças do Império Austro-Húngaro e defensor do equilíbrio fiscal e do padrão-ouro, raro caso de teórico do capital que administrou as finanças de um Estado. A crítica de praxe reconhece os limites: a teoria do capital de Böhm-Bawerk, com sua medida do período médio de produção, foi atacada por Frank Knight e depois esvaziada pela controvérsia do capital de Cambridge nos anos 1960, que mostrou ser impossível medir o capital de forma independente do juro, o que abalou a versão original da teoria. Mas a intuição central, de que o juro reflete a preferência pelo presente e o tempo embutido na produção, sobreviveu e está em qualquer manual. No grafo deste pilar, Böhm-Bawerk é a raiz da teoria austríaca do juro e do capital, ligando Menger (a primeira geração) a Mises e aos ciclos.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que juro é só risco de calote
Dar a teoria do capital por encerrada
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Taxa de juros
O preço do dinheiro no tempo: o quanto se paga para tomar emprestado, ou se ganha para emprestar, ao longo de um período.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Carl Menger
O austríaco (1840-1921) que fundou a escola de Viena: o valor é subjetivo, nasce na margem e nas escolhas individuais. Um dos três pais da revolução marginalista.
Perguntas frequentes
Como Böhm-Bawerk explica o juro? +
Pelo preço do tempo: as pessoas preferem bens presentes a bens futuros (preferência temporal) e processos produtivos mais longos rendem mais, mas exigem esperar. O juro é o que se paga por adiantar recursos no tempo, e existiria mesmo sem nenhum risco de calote.
Qual foi a crítica de Böhm-Bawerk a Marx? +
Em 1896, apontou uma contradição na teoria do valor-trabalho: se o valor vem do trabalho, por que os preços reais se afastam sistematicamente desse valor, como o próprio Marx admite no volume III de O Capital? A resposta marxista ao problema ocupou economistas por mais de um século.
Fontes e referências
- Fonte Eugen von Böhm-Bawerk, Concise Encyclopedia of Economics - Econlib (2008)
- Acadêmica Capital e Juro (Capital and Interest) - Eugen von Böhm-Bawerk (1889)
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