No dia a dia
O que é, em palavras simples
O banco é, na essência, um intermediário: capta dinheiro de quem poupa (pagando juros, como os do CDB) e empresta a quem precisa (cobrando juros maiores). A diferença entre as duas taxas é o spread bancário. Se o banco capta a 11% ao ano e empresta a 35%, o spread é de 24 pontos. É por isso que a Selic cair não significa, automaticamente, o juro do seu empréstimo despencar: a Selic baixa o custo de captação, mas o spread, a parte gorda da conta no Brasil, tem vida própria.
No seu bolso
O que cabe dentro do spread (composição ilustrativa)
- Inadimplência 35%
- Custos administrativos 25%
- Impostos e regulação 20%
- Margem do banco 20%
Indo mais fundo
Como funciona
O que mora dentro do spread
O spread não é só lucro. Pela decomposição que o Banco Central publica no Relatório de Economia Bancária, dentro dele cabem: a inadimplência (quem paga em dia carrega o prejuízo de quem não paga, e essa costuma ser a fatia maior), os custos administrativos da operação, os impostos e exigências regulatórias, e só então a margem do banco. Cada empréstimo embute, no preço, o risco de todos os outros.
Por que o Brasil cobra tanto
O spread brasileiro está historicamente entre os mais altos do mundo, e as suspeitas clássicas são cumulativas: inadimplência alta, recuperação lenta de garantias na Justiça (o que encarece emprestar), carga tributária sobre o crédito e um mercado bancário concentrado em poucos grandes bancos, com concorrência limitada. As apostas recentes de redução atacam por essas frentes: cadastro positivo, Pix, open finance e a entrada de fintechs, todas tentando baratear a informação e acirrar a concorrência.
Como se calcula
A fórmula
Spread = Taxa de empréstimo − Custo de captação
- Empréstimo
- Taxa de empréstimo - juro médio cobrado nas operações de crédito
- Captação
- Custo de captação - juro que o banco paga para levantar o dinheiro (CDB, depósitos)
Visão técnica
Visão técnica
Tecnicamente, o spread é medido pela diferença entre a taxa média das operações de crédito e o custo de captação de referência, e a sua decomposição é um exercício contábil delicado: parte do que aparece como margem é, na verdade, prêmio de risco mal medido, e a fronteira entre custo de inadimplência esperada e lucro econômico depende do ciclo. A literatura aponta três famílias de explicação para o nível brasileiro: microeconômica (assimetria de informação entre banco e tomador, garantias fracas, viés de seleção na carteira), institucional (insegurança jurídica na recuperação de crédito, cunha tributária) e de estrutura de mercado (concentração e poder de precificação). A agenda regulatória da última década, do cadastro positivo ao open finance, é um teste em andamento da tese de que informação compartilhada e concorrência derrubam spread; a leitura honesta dos dados até aqui é de progresso lento, com o custo do crédito ainda muito sensível ao ciclo de inadimplência. Para o leitor investidor, o spread é também a métrica-síntese da rentabilidade bancária: bancos lucram, antes de tudo, da intermediação.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que spread é só lucro do banco
Esperar que a Selic resolva o juro do crédito
Pré-requisitos
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Crédito
A confiança que permite usar hoje um dinheiro que se pagará depois: a base do empréstimo, do financiamento e do cartão.
Inadimplência
O não pagamento de uma dívida no prazo combinado: o risco que o credor enfrenta e que define o preço do crédito para todos.
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Perguntas frequentes
O que é o spread bancário? +
É a diferença entre o juro que o banco cobra ao emprestar e o que paga para captar o dinheiro. Dentro dele estão a inadimplência esperada, os custos administrativos, os impostos e a margem do banco, conforme a decomposição do Relatório de Economia Bancária do Banco Central.
Por que o spread brasileiro é tão alto? +
A literatura aponta causas cumulativas: inadimplência elevada, recuperação lenta de garantias na Justiça, impostos sobre o crédito e concentração bancária. Cadastro positivo, Pix, open finance e fintechs são as apostas recentes para reduzi-lo via informação e concorrência.
Fontes e referências
- Fonte Relatório de Economia Bancária - Banco Central do Brasil (2024)
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