No dia a dia
O que é, em palavras simples
Até o fim dos anos 1970, a China era uma economia planificada, pobre e fechada. A partir de 1978, o líder Deng Xiaoping comandou uma virada: permitiu que camponeses vendessem parte da produção, abriu zonas especiais para atrair fábricas e capital estrangeiro e deixou o mercado funcionar em muitas áreas, sem abrir mão do controle político do Partido Comunista. O resultado foi o crescimento mais espetacular da história moderna: em poucas décadas, a China virou a segunda maior economia do mundo e tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema.
No seu bolso
A China contra o manual
O que o Consenso pregava
- ›Abrir e privatizar rápido
- ›Estado pequeno, mercado livre
O que a China fez
- ›Abertura gradual e seletiva
- ›Estado dirigista e estatais fortes
Indo mais fundo
Como funciona
Mercado sem democracia
A fórmula chinesa foi gradual e pragmática: primeiro o campo, depois a indústria, depois o comércio exterior. Zonas econômicas especiais (como Shenzhen) testaram o capitalismo em escala controlada antes de espalhá-lo. Empresas estatais conviveram com privadas e estrangeiras. O Estado manteve o leme: bancos, setores estratégicos e a política sob controle do partido. É o que se chama de "socialismo de mercado" ou capitalismo de Estado.
O resultado e o custo
O crescimento foi extraordinário e a redução da pobreza, sem paralelo. Mas veio com desigualdade crescente, custo ambiental pesado, ausência de liberdades políticas e, mais recentemente, alto endividamento e dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo. A China desafiou a ideia de que mercado e democracia andam necessariamente juntos.
Visão técnica
Visão técnica
A abertura chinesa é o maior contraexemplo vivo a algumas teses econômicas dominantes. Contra o Consenso de Washington, a China cresceu sem seguir o receituário: liberalizou de forma gradual e seletiva, manteve controle de capitais, empresas estatais fortes e um Estado dirigista, em vez de privatização e abertura rápidas. Para a tradição desenvolvimentista e para autores como Ha-Joon Chang, a China confirma que o Estado ativo e a política industrial, não o livre mercado puro, foram decisivos na industrialização tardia bem-sucedida, como já havia ocorrido na Coreia e no Japão.
O pragmatismo da estratégia foi resumido por Deng Xiaoping na frase que virou símbolo da reforma: "não importa se o gato é preto ou branco, contanto que cace ratos", ou seja, o que importa é o que funciona, não o rótulo ideológico. Para a leitura liberal, porém, o motor real foi a introdução de incentivos de mercado e de direitos de propriedade de fato, e os controles estatais seriam um freio cujo custo aparece nas distorções e no endividamento atuais. O caso chinês permanece, assim, disputado: prova do poder do Estado desenvolvimentista para uns, prova do poder do mercado para outros, e, para muitos, evidência de que crescimento e liberdade política não são inseparáveis.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que a China seguiu a cartilha liberal
Supor que crescimento traz liberdade política
Veja também
Conceitos conectados
Globalização
A integração crescente das economias do mundo, pelo comércio, capital, tecnologia e pessoas: encurta distâncias e acirra interdependências.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Ha-Joon Chang
O sul-coreano (1963-) que virou o best-seller do desenvolvimento heterodoxo: os países ricos subiram protegendo a indústria e depois chutaram a escada. O caso coreano em pessoa.
Pobreza
A insuficiência de recursos para um padrão mínimo de vida. A pergunta difícil não é essa: é onde traçar a linha que separa quem é pobre de quem não é, e quem traça.
Conceito oposto
Conceitos conectados
Perguntas frequentes
O que foi a abertura econômica da China? +
Foi o processo de reformas iniciado por Deng Xiaoping em 1978 que introduziu mecanismos de mercado numa economia até então planificada e fechada, com zonas econômicas especiais, abertura ao capital estrangeiro e incentivos privados, sem abrir mão do controle do Partido Comunista. Resultou no maior episódio de crescimento e de redução da pobreza da história moderna.
A China provou que o livre mercado funciona? +
O caso é disputado. A China cresceu introduzindo mercado, mas de forma gradual e seletiva, mantendo controle de capitais, estatais fortes e um Estado dirigista, quase o oposto do Consenso de Washington. Para uns, prova o poder do mercado; para outros, o poder do Estado desenvolvimentista.
Fontes e referências
- Primária Banco Mundial: China e redução da pobreza - Banco Mundial
- Acadêmica Frase atribuída a Deng Xiaoping (o gato que caça ratos) - Deng Xiaoping
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