No dia a dia
O que é, em palavras simples
A escola neoclássica é a base do que se ensina hoje na maior parte dos cursos de economia. Ela nasceu por volta de 1870, na chamada revolução marginalista, com uma resposta nova a uma pergunta antiga: o que determina o valor das coisas? Para os clássicos, era o trabalho de produzir. Para os neoclássicos, é a utilidade da última unidade, a margem. O quinto copo de água vale menos para você do que o primeiro, e é essa utilidade decrescente que move os preços.
No seu bolso
De onde vem o valor
Escola clássica
- ›Valor vem do trabalho de produzir
- ›Foco no custo
Escola neoclássica
- ›Valor vem da utilidade na margem
- ›Foco na escolha do consumidor
Indo mais fundo
Como funciona
A revolução marginalista
Quase ao mesmo tempo, em países diferentes, Jevons, Carl Menger e Léon Walras chegaram a uma ideia parecida: o valor não está no custo passado, mas na satisfação que a próxima unidade traz. Foi uma virada que matematizou a economia e deslocou o foco do valor-trabalho para a escolha do consumidor na margem.
Oferta e demanda como uma tesoura
Coube a Alfred Marshall costurar as pontas: o preço não é fixado só pela demanda nem só pelo custo, mas pelo encontro das duas, como as duas lâminas de uma tesoura. Desse arcabouço saiu a microeconomia moderna: curvas de oferta e demanda, equilíbrio de mercado e o agente que maximiza sua satisfação.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
O núcleo da escola neoclássica é a teoria do valor pela utilidade marginal e a determinação simultânea de preço e quantidade pelo equilíbrio entre oferta e demanda. A imagem que melhor a resume é de Alfred Marshall:
"Poderíamos discutir tão razoavelmente se é a lâmina de cima ou a de baixo de uma tesoura que corta um pedaço de papel, como se o valor é governado pela utilidade ou pelo custo de produção." (Alfred Marshall, Princípios de Economia, 1890)
A frase encerra a velha disputa entre clássicos (valor pelo custo) e marginalistas (valor pela utilidade): ambos os lados cortam. A partir daí, a neoclássica construiu o agente racional que maximiza utilidade, a firma que maximiza lucro, o equilíbrio de mercado e, depois, o equilíbrio geral de Walras. É a corrente dominante da economia acadêmica, base da microeconomia, alvo das principais críticas (austríaca, institucional, comportamental) e parceira do keynesianismo na chamada síntese neoclássica do pós-guerra.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir neoclássica com clássica
Achar que pressupõe gente perfeitamente racional
Veja também
Conceitos conectados
Oferta e demanda
A força que forma os preços: a oferta cresce quando o preço sobe, a procura cai, e o encontro das duas define o preço de mercado.
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Escola clássica
A corrente fundadora da economia, de Adam Smith e David Ricardo: o mercado, movido pelo interesse próprio, coordena a produção e gera riqueza.
Alfred Marshall
O inglês (1842-1924) que deu à economia sua caixa de ferramentas: oferta e demanda em tesoura, elasticidade, curto e longo prazo. O professor de quem todos descendem.
Léon Walras
O francês (1834-1910) que matematizou a economia inteira de uma vez: o equilíbrio geral, todos os mercados se resolvendo juntos. O projeto que definiu a teoria do século 20.
Carl Menger
O austríaco (1840-1921) que fundou a escola de Viena: o valor é subjetivo, nasce na margem e nas escolhas individuais. Um dos três pais da revolução marginalista.
William Stanley Jevons
O inglês (1835-1882) que disparou a revolução marginalista: o valor depende inteiramente da utilidade, a economia em linguagem matemática e o paradoxo do carvão que leva seu nome.
Perguntas frequentes
O que é a revolução marginalista? +
É a virada, por volta de 1870, em que Jevons, Menger e Walras passaram a explicar o valor pela utilidade da última unidade consumida, a margem, em vez do trabalho de produzir. Foi o nascimento da escola neoclássica.
Por que a neoclássica é chamada de dominante? +
Porque é o arcabouço ensinado na maior parte dos cursos e usado na microeconomia padrão: agente racional, oferta e demanda, equilíbrio de mercado. As demais escolas se posicionam, muitas vezes, em diálogo ou crítica a ela.
Fontes e referências
- Acadêmica Princípios de Economia - Alfred Marshall (1890)
- Acadêmica A Teoria da Economia Política - William Stanley Jevons (1871)
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