BlogdoBrasil
Microeconomia Nível 4 Avançado

Preferência temporal

também conhecido como: preferência intertemporal, time preference

A ideia, central em Böhm-Bawerk, de que as pessoas valorizam mais um bem hoje do que o mesmo bem no futuro, e é dessa preferência que nasce o juro.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Austríaca

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Receber R$ 1.000 hoje é melhor do que receber os mesmos R$ 1.000 daqui a um ano, mesmo que não houvesse inflação nenhuma. Por quê? Porque podemos usar o dinheiro agora, e porque o futuro é incerto. Essa preferência natural pelo presente tem um nome: preferência temporal. E é dela que nasce o juro: para você abrir mão do seu dinheiro por um tempo, alguém precisa lhe oferecer um prêmio.

No seu bolso

Topar pagar um pouco mais para receber uma compra hoje, em vez de esperar duas semanas pela entrega gratuita, é a preferência temporal falando.
Anatomia do conceito

O mesmo bem, momentos diferentes

Bem disponível hoje

  • Vale mais
  • Uso imediato e seguro

Mesmo bem no futuro

  • Vale menos
  • Espera e incerteza

Indo mais fundo

Como funciona

Por que preferimos o presente

O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk apontou três motivos. As necessidades de hoje costumam ser mais urgentes que as de amanhã. O futuro é incerto, e o bem que se tem em mãos é mais seguro que a promessa. E recursos disponíveis hoje podem ser postos a produzir, gerando mais no futuro. Por tudo isso, o presente vale mais.

A raiz do juro

A consequência é poderosa: o juro não é apenas um fenômeno monetário ou fruto da inflação. Existe um juro real porque existe preferência temporal. Quem empresta troca um bem presente (mais valioso) por um futuro (menos valioso) e cobra a diferença. Quanto maior a preferência de uma sociedade pelo presente, menos ela poupa e mais altos tendem a ser os juros.

Visão técnica

A leitura da escola Austríaca

A preferência temporal é o núcleo da teoria do juro de Eugen von Böhm-Bawerk, exposta em Capital e Juro (a partir de 1884). Böhm-Bawerk sustentou que existe uma diferença sistemática de valor entre bens presentes e bens futuros de mesma qualidade e quantidade: os presentes valem mais. Dessa diferença, e não de uma convenção ou da exploração, nasceria o juro.

Ele identificou três causas para essa preferência: a diferente provisão de necessidades entre presente e futuro, a tendência a subestimar necessidades futuras, e a superioridade técnica dos bens presentes nos processos de produção (poder começar a produzir antes). A preferência temporal é uma peça central da escola austríaca: liga consumo, poupança e a estrutura do capital, e fundamenta a explicação austríaca dos ciclos econômicos, em que juros artificialmente baixos distorcem as decisões de investimento ao longo do tempo. Distingue-se do viés do presente da economia comportamental: a preferência temporal é uma escolha coerente, enquanto o viés do presente é a inconsistência de mudar de ideia quando o futuro vira presente.

No mercado

Todo empréstimo cobra juro porque o credor abre mão de usar o dinheiro por um período. O juro é o preço dessa espera, ancorado na preferência temporal.

Atenção

Mitos e erros comuns

Achar que juro é só inflação

Mesmo sem inflação alguma, existe juro real, porque as pessoas preferem o presente ao futuro. A preferência temporal explica por que o juro não desaparece num mundo de preços estáveis.

Confundir com impaciência irracional

Preferir o presente não é um capricho: tem razões concretas (urgência, incerteza, produtividade do capital). É uma preferência coerente, diferente do viés do presente comportamental.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é preferência temporal? +

É a tendência de valorizar mais um bem disponível hoje do que o mesmo bem no futuro. Por necessidades mais urgentes, incerteza e a possibilidade de pôr os recursos a produzir, o presente vale mais. É dessa preferência que, para a escola austríaca, nasce o juro.

Qual a diferença para o viés do presente? +

A preferência temporal é uma escolha coerente: prefiro o presente, e isso se mantém. O viés do presente é a inconsistência de planejar poupar amanhã e, quando amanhã chega, gastar de novo. Um é da escola austríaca; o outro, da economia comportamental.

Fontes e referências

  • Acadêmica Capital e Juro - Eugen von Böhm-Bawerk (1884)

Sua conta gratuita

Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.

Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.

Receba o dicionário no e-mail

Um conceito de economia explicado por semana.

Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.

Continue lendo

Artigos sobre o tema

Economia de mercado

Para que serve o empreendedor? A visão austríaca

Na teoria do equilíbrio, o empreendedor quase some. Para Kirzner, ele é o descobridor de oportunidades que ninguém viu, e o mercado é um processo, não uma fotografia.

Redação Blog do Brasil / 6 min
Economia descomplicada

Por que o dinheiro surgiu sem ninguém inventar?

Nenhum rei decretou o dinheiro. Carl Menger mostrou como ele emergiu da prática de milhões de pessoas, a partir das mercadorias mais fáceis de trocar, num efeito bola de neve.

Redação Blog do Brasil / 6 min