No dia a dia
O que é, em palavras simples
Receber R$ 1.000 hoje é melhor do que receber os mesmos R$ 1.000 daqui a um ano, mesmo que não houvesse inflação nenhuma. Por quê? Porque podemos usar o dinheiro agora, e porque o futuro é incerto. Essa preferência natural pelo presente tem um nome: preferência temporal. E é dela que nasce o juro: para você abrir mão do seu dinheiro por um tempo, alguém precisa lhe oferecer um prêmio.
No seu bolso
O mesmo bem, momentos diferentes
Bem disponível hoje
- ›Vale mais
- ›Uso imediato e seguro
Mesmo bem no futuro
- ›Vale menos
- ›Espera e incerteza
Indo mais fundo
Como funciona
Por que preferimos o presente
O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk apontou três motivos. As necessidades de hoje costumam ser mais urgentes que as de amanhã. O futuro é incerto, e o bem que se tem em mãos é mais seguro que a promessa. E recursos disponíveis hoje podem ser postos a produzir, gerando mais no futuro. Por tudo isso, o presente vale mais.
A raiz do juro
A consequência é poderosa: o juro não é apenas um fenômeno monetário ou fruto da inflação. Existe um juro real porque existe preferência temporal. Quem empresta troca um bem presente (mais valioso) por um futuro (menos valioso) e cobra a diferença. Quanto maior a preferência de uma sociedade pelo presente, menos ela poupa e mais altos tendem a ser os juros.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A preferência temporal é o núcleo da teoria do juro de Eugen von Böhm-Bawerk, exposta em Capital e Juro (a partir de 1884). Böhm-Bawerk sustentou que existe uma diferença sistemática de valor entre bens presentes e bens futuros de mesma qualidade e quantidade: os presentes valem mais. Dessa diferença, e não de uma convenção ou da exploração, nasceria o juro.
Ele identificou três causas para essa preferência: a diferente provisão de necessidades entre presente e futuro, a tendência a subestimar necessidades futuras, e a superioridade técnica dos bens presentes nos processos de produção (poder começar a produzir antes). A preferência temporal é uma peça central da escola austríaca: liga consumo, poupança e a estrutura do capital, e fundamenta a explicação austríaca dos ciclos econômicos, em que juros artificialmente baixos distorcem as decisões de investimento ao longo do tempo. Distingue-se do viés do presente da economia comportamental: a preferência temporal é uma escolha coerente, enquanto o viés do presente é a inconsistência de mudar de ideia quando o futuro vira presente.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que juro é só inflação
Confundir com impaciência irracional
Veja também
Conceitos conectados
Juro composto
O juro que incide sobre o saldo já acrescido de juros anteriores: faz o dinheiro crescer (ou a dívida) de forma acelerada.
Taxa de juros
O preço do dinheiro no tempo: o quanto se paga para tomar emprestado, ou se ganha para emprestar, ao longo de um período.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Eugen von Böhm-Bawerk
O austríaco (1851-1914) que explicou o juro como o preço do tempo e fez a crítica mais respeitada à teoria do valor de Marx. Mestre de Mises e Schumpeter, e ministro das finanças do império.
Perguntas frequentes
O que é preferência temporal? +
É a tendência de valorizar mais um bem disponível hoje do que o mesmo bem no futuro. Por necessidades mais urgentes, incerteza e a possibilidade de pôr os recursos a produzir, o presente vale mais. É dessa preferência que, para a escola austríaca, nasce o juro.
Qual a diferença para o viés do presente? +
A preferência temporal é uma escolha coerente: prefiro o presente, e isso se mantém. O viés do presente é a inconsistência de planejar poupar amanhã e, quando amanhã chega, gastar de novo. Um é da escola austríaca; o outro, da economia comportamental.
Fontes e referências
- Acadêmica Capital e Juro - Eugen von Böhm-Bawerk (1884)
Sua conta gratuita
Salve termos, marque trechos e acompanhe seu progresso.
Crie uma conta grátis para favoritar conceitos, guardar trechos e ganhar pontos enquanto aprende economia.
Receba o dicionário no e-mail
Um conceito de economia explicado por semana.
Confirmação por e-mail (double opt-in). Sem spam, cancele quando quiser.