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Teoria econômica Nível 4 Avançado

Estruturalismo

também conhecido como: estruturalismo latino-americano, cepalismo, pensamento cepalino

A corrente latino-americana de Prebisch e Celso Furtado: o subdesenvolvimento não é atraso a ser vencido pelo tempo, mas uma condição estrutural ligada à posição na economia mundial.

Redação Blog do Brasil atualizado em 29 de junho de 2026 escola Estruturalista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

O estruturalismo é a mais influente contribuição latino-americana ao pensamento econômico. Nasceu na CEPAL, a comissão da ONU para a América Latina, nos anos 1950, com Raúl Prebisch e, no Brasil, Celso Furtado. A pergunta que o move é incômoda: por que países como o Brasil não alcançam os ricos apenas com o passar do tempo? A resposta estruturalista: porque a economia mundial se organiza entre um centro industrial e uma periferia exportadora de matérias-primas, e essa divisão tende a se reproduzir.

No seu bolso

Um país que exporta soja e minério e importa celular e remédio vive, no dia a dia, a relação centro-periferia que o estruturalismo descreve.
Anatomia do conceito

Especializar em commodities: bom ou ruim?

Vantagem comparativa

  • Cada país no que faz melhor
  • Troca beneficia os dois lados

Estruturalismo

  • Especializar em commodities aprisiona
  • Periferia perde nos termos de troca

Indo mais fundo

Como funciona

Centro e periferia

O diagnóstico de Prebisch foi que os termos de troca tendem a piorar para quem exporta commodities e importa manufaturas: com o tempo, é preciso vender cada vez mais sacas de café para comprar a mesma máquina. A periferia ficaria, assim, em desvantagem estrutural no comércio mundial.

Subdesenvolvimento não é atraso

Celso Furtado deu o passo decisivo: o subdesenvolvimento não é uma etapa anterior que todo país atravessa, mas uma condição própria, criada pela forma como o capitalismo do centro se expandiu sobre a periferia. Daí a agenda estruturalista: industrializar de forma planejada, com participação do Estado, para romper a dependência (a substituição de importações).

Visão técnica

A leitura da escola Estruturalista

A formulação mais influente do estruturalismo brasileiro está em Celso Furtado. Em Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (1961), Furtado sustentou que o subdesenvolvimento não é uma etapa pela qual todas as economias necessariamente passariam no caminho do progresso, mas um processo histórico próprio, resultante do modo como o capitalismo industrial do centro se expandiu sobre as economias agrárias da periferia.

Dessa tese nasceu uma agenda concreta: industrialização planejada, papel ativo do Estado, substituição de importações e uma crítica direta à ideia de vantagem comparativa de David Ricardo, que, na visão estruturalista, aprisionaria a periferia no papel de eterna exportadora de commodities. O estruturalismo orientou políticas de desenvolvimento na América Latina por décadas e dialoga de perto com o keynesianismo, ao defender que o mercado, sozinho, não corrige desigualdades estruturais entre nações.

No mercado

A defesa de industrializar e exigir conteúdo local em certos setores tem raiz no diagnóstico estruturalista sobre os limites de depender de commodities.

Atenção

Mitos e erros comuns

Misturar com o estruturalismo das ciências humanas

O estruturalismo econômico (CEPAL, Prebisch, Furtado) não é o mesmo da linguística ou da antropologia. Compartilham o nome, não a teoria.

Reduzir o estruturalismo a protecionismo

É antes um diagnóstico sobre a estrutura da economia mundial. A defesa de tarifas ou industrialização é consequência, não o ponto de partida.

Conceito oposto

Conceitos conectados

Veja também

Conceitos conectados

Comércio internacional nível 2

Protecionismo

A política de proteger a produção nacional da concorrência estrangeira, com tarifas e barreiras: o eterno rival do livre comércio.

Indicadores econômicos nível 2

Desigualdade

A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.

Pensadores nível 3

Celso Furtado

O paraibano (1920-2004) que explicou o Brasil pela economia: o subdesenvolvimento não é atraso na fila, é uma formação histórica própria. Fundador da SUDENE, expoente da CEPAL.

Pensadores nível 3

Raúl Prebisch

O argentino (1901-1986) que fundou o estruturalismo latino-americano: o mundo dividido em centro e periferia, e a tese de que exportar matéria-prima empobrece relativamente.

Pensadores nível 2

David Ricardo

O inglês (1772-1823) que deu à economia seu primeiro teorema: a vantagem comparativa. Corretor milionário virado teórico, rigoroso até contra as próprias teses.

Autores nível 4

Pedro Cezar Dutra Fonseca

O professor titular da UFRGS e referência em desenvolvimentismo brasileiro: a economia do Brasil e as interpretações do país, na tradição estruturalista da CEPAL.

Autores nível 4

Ronaldo Herrlein Júnior

O professor da UFRGS que pesquisa economia política, Estado e desenvolvimento: o papel do Estado na trajetória econômica, lido pela história e pela tradição estruturalista.

Autores nível 4

Marcelo Arend

O professor da UFSC que cruza estruturalismo latino-americano e teoria neoschumpeteriana para investigar mudança estrutural, desindustrialização e desenvolvimento.

Autores nível 4

Lauro Francisco Mattei

O professor titular da UFSC que estuda o desenvolvimento por dentro do território: economia agrária, desenvolvimento regional e rural e políticas de erradicação da pobreza.

Autores nível 4

Marcelo Luiz Curado

O professor da UFPR que pesquisa desenvolvimentismo brasileiro e latino-americano, macroeconomia e história do pensamento econômico brasileiro: a tradição estruturalista do desenvolvimento em produção nacional.

Autores nível 4

Ricardo Dathein

O professor do PPGE da UFRGS que pesquisa economia do desenvolvimento e desenvolvimentismo: a tradição estruturalista e da inovação aplicada ao desenvolvimento brasileiro, organizada em obra de referência.

Autores nível 4

Daniel Arruda Coronel

O professor da UFSM que pesquisa desindustrialização, política industrial e comércio internacional: o desenvolvimento brasileiro medido com modelos quantitativos, em produção aplicada.

Autores nível 4

Hugo Carcanholo Iasco Pereira

O professor da UFPR que pesquisa câmbio real, crescimento e desindustrialização na chave novo-desenvolvimentista: o desenvolvimento brasileiro pela ótica da taxa de câmbio competitiva.

Autores nível 4

Andrés Ernesto Ferrari Haines

O professor da UFRGS que pesquisa desenvolvimento, a economia argentina e a geopolítica internacional: história do pensamento e relações econômicas globais, em produção documentada.

Autores nível 4

Samuel Costa Peres

O professor da UFRGS que pesquisa crescimento, integração financeira internacional e (sub)desenvolvimento: Furtado e a dependência relidos com dados, em produção documentada.

Autores nível 4

Eva Yamila Amanda da Silva Catela

A professora da UFSC que pesquisa complexidade econômica, inovação e crescimento na tradição estruturalista neoschumpeteriana: o que um país produz define o quanto ele cresce.

Perguntas frequentes

O que é a relação centro-periferia? +

É a tese estruturalista de que a economia mundial se divide entre um centro industrial e uma periferia exportadora de matérias-primas. Para Prebisch, os termos de troca tendem a piorar para a periferia, que precisa exportar cada vez mais para importar o mesmo.

Quem foi Celso Furtado? +

Economista brasileiro, uma das maiores figuras do estruturalismo latino-americano. Sustentou que o subdesenvolvimento não é uma etapa, mas uma condição estrutural, e defendeu a industrialização planejada como caminho para superá-la.

Fontes e referências

  • Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)
  • Acadêmica O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de Seus Principais Problemas - Raúl Prebisch (1949)

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