No dia a dia
O que é, em palavras simples
E se o objetivo da economia não fosse crescer, e sim caber? Kate Raworth resumiu essa ideia numa imagem que viralizou: o donut. Imagine uma rosquinha. O buraco do meio é o lugar onde as pessoas ficam de fora do básico: sem comida, sem saúde, sem educação, sem voz. A borda de fora é o lugar onde a humanidade estoura os limites do planeta: clima, água, biodiversidade. Entre as duas bordas, na massa do donut, está o espaço seguro e justo para viver: todos acima do piso social, sem ninguém ultrapassar o teto ecológico. A meta de uma boa economia, diz Raworth, é levar a humanidade para dentro dessa faixa, e não empurrar um número (o PIB) para cima sem fim.
No seu bolso
As duas fronteiras do donut
Piso social
- ›O mínimo para uma vida digna
- ›Comida, saúde, educação, voz
- ›Ninguém pode ficar abaixo
Teto ecológico
- ›Os limites do planeta
- ›Clima, água, biodiversidade
- ›Ninguém deve ultrapassar
Indo mais fundo
Como funciona
O donut: piso e teto
No livro Doughnut Economics (2017), Raworth combina duas fronteiras que a ciência já havia desenhado. O piso social vem dos objetivos de desenvolvimento: o mínimo de comida, saúde, moradia, educação, igualdade e participação a que todos têm direito. O teto ecológico vem dos limites planetários (a pesquisa sobre as fronteiras seguras do sistema Terra): clima estável, oceanos saudáveis, camada de ozônio. O donut é o anel entre os dois, e o desafio do século 21, na formulação dela, é atender as necessidades de todos dentro dos meios do planeta.
Agnóstica quanto ao crescimento
A virada de Raworth em relação ao mainstream é tratar o crescimento como meio, não como fim. Ela se diz agnóstica quanto ao crescimento: uma economia deveria buscar prosperar, esteja crescendo ou não, em vez de precisar crescer para não desmoronar. É uma crítica direta ao desenho de economias que só funcionam em expansão permanente, e uma tentativa de reorientar o objetivo da política econômica para o bem-estar dentro de limites.
Visão técnica
A leitura da escola Ecológica
Raworth é, antes de tudo, uma comunicadora e sintetizadora, e é aí que está sua força e o foco das críticas, em atribuição indireta fiel à obra. Ela mesma se apresenta menos como criadora de uma teoria nova e mais como quem reúne décadas de economia ecológica (de Georgescu-Roegen a Daly), pensamento feminista e ciência do sistema Terra numa imagem que pessoas comuns, prefeitos e empresas conseguem usar. O donut saiu do papel: cidades como Amsterdã adotaram a estrutura para orientar políticas públicas, e o Doughnut Economics Action Lab dissemina o método. A crítica de praxe vem de dois flancos: economistas do mainstream apontam que o donut descreve metas desejáveis sem oferecer o mecanismo (como chegar lá, com que política de preços, incentivos e transição), funcionando mais como bússola do que como mapa; e parte da esquerda ecológica a acha tímida diante da urgência. Raworth responde que o valor está justamente em mudar a imagem mental: trocar a seta do crescimento sem fim por um alvo que tem piso e teto muda o que se considera sucesso. No grafo deste pilar, ela é a face contemporânea da economia ecológica, herdeira de Daly e Georgescu-Roegen e ponte com a economia feminista pela crítica ao PIB.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Tomar o donut como teoria acabada
Ler "agnóstica quanto ao crescimento" como anticrescimento
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Perguntas frequentes
O que é a economia do donut? +
A estrutura de Kate Raworth que representa a economia como uma rosquinha entre duas fronteiras: um piso social (o mínimo de bem-estar a que todos têm direito) e um teto ecológico (os limites do planeta). A meta é manter a humanidade dentro do anel, atendendo a todos sem estourar os limites da Terra.
Raworth é contra o crescimento? +
Ela se diz agnóstica quanto ao crescimento: tira o crescimento do centro como objetivo e o trata como meio, que pode ou não acontecer. Defende economias que prosperem dentro do donut, estejam crescendo ou não, em vez de economias que precisam crescer para não desmoronar.
Fontes e referências
- Fonte Doughnut Economics (site oficial) - Kate Raworth (2017)
- Acadêmica Doughnut Economics: Seven Ways to Think Like a 21st-Century Economist - Kate Raworth (2017)
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