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Pensadores Nível 2 Básico

Kate Raworth

também conhecido como: Raworth, Kate Raworth

A britânica (1970-) que desenhou a economia como um donut: um espaço seguro e justo entre o piso social (ninguém abaixo do mínimo) e o teto ecológico (não estourar os limites do planeta).

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Ecológica

No dia a dia

O que é, em palavras simples

E se o objetivo da economia não fosse crescer, e sim caber? Kate Raworth resumiu essa ideia numa imagem que viralizou: o donut. Imagine uma rosquinha. O buraco do meio é o lugar onde as pessoas ficam de fora do básico: sem comida, sem saúde, sem educação, sem voz. A borda de fora é o lugar onde a humanidade estoura os limites do planeta: clima, água, biodiversidade. Entre as duas bordas, na massa do donut, está o espaço seguro e justo para viver: todos acima do piso social, sem ninguém ultrapassar o teto ecológico. A meta de uma boa economia, diz Raworth, é levar a humanidade para dentro dessa faixa, e não empurrar um número (o PIB) para cima sem fim.

No seu bolso

Quando uma cidade decide medir seu sucesso por moradia digna e ar limpo, e não só por quanto a economia local cresceu, está usando o donut de Raworth: olhar piso social e teto ecológico ao mesmo tempo.
Anatomia do conceito

As duas fronteiras do donut

Piso social

  • O mínimo para uma vida digna
  • Comida, saúde, educação, voz
  • Ninguém pode ficar abaixo

Teto ecológico

  • Os limites do planeta
  • Clima, água, biodiversidade
  • Ninguém deve ultrapassar

Indo mais fundo

Como funciona

O donut: piso e teto

No livro Doughnut Economics (2017), Raworth combina duas fronteiras que a ciência já havia desenhado. O piso social vem dos objetivos de desenvolvimento: o mínimo de comida, saúde, moradia, educação, igualdade e participação a que todos têm direito. O teto ecológico vem dos limites planetários (a pesquisa sobre as fronteiras seguras do sistema Terra): clima estável, oceanos saudáveis, camada de ozônio. O donut é o anel entre os dois, e o desafio do século 21, na formulação dela, é atender as necessidades de todos dentro dos meios do planeta.

Agnóstica quanto ao crescimento

A virada de Raworth em relação ao mainstream é tratar o crescimento como meio, não como fim. Ela se diz agnóstica quanto ao crescimento: uma economia deveria buscar prosperar, esteja crescendo ou não, em vez de precisar crescer para não desmoronar. É uma crítica direta ao desenho de economias que só funcionam em expansão permanente, e uma tentativa de reorientar o objetivo da política econômica para o bem-estar dentro de limites.

Visão técnica

A leitura da escola Ecológica

Raworth é, antes de tudo, uma comunicadora e sintetizadora, e é aí que está sua força e o foco das críticas, em atribuição indireta fiel à obra. Ela mesma se apresenta menos como criadora de uma teoria nova e mais como quem reúne décadas de economia ecológica (de Georgescu-Roegen a Daly), pensamento feminista e ciência do sistema Terra numa imagem que pessoas comuns, prefeitos e empresas conseguem usar. O donut saiu do papel: cidades como Amsterdã adotaram a estrutura para orientar políticas públicas, e o Doughnut Economics Action Lab dissemina o método. A crítica de praxe vem de dois flancos: economistas do mainstream apontam que o donut descreve metas desejáveis sem oferecer o mecanismo (como chegar lá, com que política de preços, incentivos e transição), funcionando mais como bússola do que como mapa; e parte da esquerda ecológica a acha tímida diante da urgência. Raworth responde que o valor está justamente em mudar a imagem mental: trocar a seta do crescimento sem fim por um alvo que tem piso e teto muda o que se considera sucesso. No grafo deste pilar, ela é a face contemporânea da economia ecológica, herdeira de Daly e Georgescu-Roegen e ponte com a economia feminista pela crítica ao PIB.

No mercado

Amsterdã adotou oficialmente a estrutura do donut para orientar políticas de habitação, consumo e clima: um caso real de uma cidade trocando a meta de crescimento puro por caber no espaço seguro e justo.

Atenção

Mitos e erros comuns

Tomar o donut como teoria acabada

O donut é uma bússola de metas (piso social, teto ecológico), não um mapa de como chegar lá. A própria crítica aponta que falta o mecanismo de política; usá-lo como se já desse as respostas técnicas vai além do que ele oferece.

Ler "agnóstica quanto ao crescimento" como anticrescimento

Raworth não prega encolher: ela tira o crescimento do centro como objetivo, deixando-o como meio que pode ou não ocorrer. O alvo é prosperar dentro do donut, crescendo ou não, o que é diferente de defender o decrescimento.

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Perguntas frequentes

O que é a economia do donut? +

A estrutura de Kate Raworth que representa a economia como uma rosquinha entre duas fronteiras: um piso social (o mínimo de bem-estar a que todos têm direito) e um teto ecológico (os limites do planeta). A meta é manter a humanidade dentro do anel, atendendo a todos sem estourar os limites da Terra.

Raworth é contra o crescimento? +

Ela se diz agnóstica quanto ao crescimento: tira o crescimento do centro como objetivo e o trata como meio, que pode ou não acontecer. Defende economias que prosperem dentro do donut, estejam crescendo ou não, em vez de economias que precisam crescer para não desmoronar.

Fontes e referências

  • Fonte Doughnut Economics (site oficial) - Kate Raworth (2017)
  • Acadêmica Doughnut Economics: Seven Ways to Think Like a 21st-Century Economist - Kate Raworth (2017)

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