No dia a dia
O que é, em palavras simples
Toda atividade econômica cabe em três gavetas. O setor primário extrai da natureza: agricultura, pecuária, pesca, mineração. O secundário transforma o que foi extraído: é a indústria, da siderúrgica à fábrica de alimentos, mais a construção. O terciário não produz coisas, presta serviços: comércio, transporte, bancos, saúde, educação, o aplicativo no seu celular. A divisão parece simples, mas conta uma das maiores histórias da economia: conforme os países enriquecem, as pessoas migram do campo para a fábrica e da fábrica para os serviços.
No seu bolso
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01
Primário
Extrair da natureza: agro, pesca, mineração
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02
Secundário
Transformar: indústria e construção
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03
Terciário
Servir: comércio, bancos, saúde, apps
Indo mais fundo
Como funciona
A marcha dos três setores
Os economistas Colin Clark e Jean Fourastié mostraram, em meados do século 20, o padrão que se repete país após país: a produtividade crescente na agricultura libera gente do campo; a indústria absorve essa mão de obra e depois também se automatiza; os serviços viram o destino final do emprego. Países ricos têm tipicamente pouca gente no primário, uma fatia minoritária no secundário e a grande maioria no terciário.
O que a régua mostra no Brasil
O Brasil percorreu essa estrada de forma acelerada e incompleta: urbanizou-se e terciarizou-se antes de completar a industrialização, fenômeno que economistas chamam de desindustrialização precoce. O agronegócio, altamente produtivo, emprega pouca gente e gera muita exportação; o grosso do emprego está em serviços, muitos de baixa produtividade. A composição setorial é, por isso, um raio-x do desenvolvimento de um país, não só uma classificação contábil.
Visão técnica
Visão técnica
A teoria dos três setores, formulada por Colin Clark (The Conditions of Economic Progress, 1940) e Jean Fourastié, que via no avanço dos serviços a grande esperança do século 20 (título de sua obra de 1949), liga a mudança estrutural a dois motores: o diferencial de ganhos de produtividade entre setores e a hierarquia das necessidades na demanda (lei de Engel: com a renda subindo, a fatia gasta com comida cai e a com serviços sobe). A combinação empurra emprego e valor adicionado do primário ao terciário.
Duas qualificações modernas importam. Primeiro, o chamado mal de custo de Baumol: como muitos serviços têm ganho de produtividade lento (uma aula, uma consulta), seu custo relativo tende a subir conforme o resto da economia avança, o que explica por que educação e saúde ficam relativamente mais caras. Segundo, o debate sobre desindustrialização precoce, formulado por Dani Rodrik: economias em desenvolvimento estariam perdendo indústria a níveis de renda muito menores do que os países hoje ricos perderam, abrindo mão do setor que historicamente puxou produtividade e exportações. A classificação também envelheceu nas bordas: tecnologia da informação, plataformas e economia do conhecimento embaralham as gavetas (um software é serviço, indústria ou um quarto setor?), e estatísticas modernas usam desagregações muito mais finas. Como mapa de primeira aproximação do desenvolvimento, porém, a tríade segue insubstituível.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que país avançado é país industrial
Usar as gavetas como se fossem estanques
Veja também
Conceitos conectados
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Informalidade
A parcela da economia que opera fora das regras formais, sem registro, contrato ou título: trabalho, negócios e propriedade à margem da lei.
Dani Rodrik
O turco (1957-) que avisou em 1997, no auge da festa, que a globalização tinha ido longe demais: o trilema (hiperglobalização, soberania nacional e democracia: escolha duas), a desindustrialização precoce e a reabilitação da política industrial.
Perguntas frequentes
Quais são os três setores da economia? +
Primário: extração da natureza (agricultura, pecuária, pesca, mineração). Secundário: transformação industrial e construção. Terciário: serviços, do comércio à saúde e à tecnologia. Alguns analistas destacam ainda um quaternário, do conhecimento.
Por que o emprego migra para os serviços? +
Dois motores: a produtividade cresce mais rápido no campo e na fábrica, liberando mão de obra, e a demanda por serviços cresce com a renda (lei de Engel). Por isso, em todos os países ricos, a maioria das pessoas trabalha no terciário.
Fontes e referências
- Acadêmica The Conditions of Economic Progress - Colin Clark (1940)
- Acadêmica Le Grand Espoir du XXe Siècle - Jean Fourastié (1949)
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