No dia a dia
O que é, em palavras simples
Wilhelm Röpke concordava que o mercado é o melhor jeito de organizar a produção, mas fazia um alerta que poucos liberais faziam: o mercado consome um combustível que ele próprio não fabrica. Confiança, honestidade, senso de comunidade, famílias estáveis, pessoas com algum patrimônio e raízes: nada disso o mercado cria, e sem isso ele degenera. Uma sociedade de indivíduos isolados, sem laços e sem propriedade, entregue só ao cálculo de lucro, seria infeliz e instável, terreno fértil para o coletivismo que ele combatia. Por isso Röpke defendia uma economia de mercado deliberadamente humana: descentralizada, com pequenos proprietários, empresas de tamanho humano, vida comunitária. Era liberal na economia e conservador nos costumes, uma combinação que o tornou influente e, em alguns pontos, controverso.
No seu bolso
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01
A base não econômica
Confiança, comunidade, moral, propriedade espalhada
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02
Sustenta o mercado
O mercado consome o que não produz
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03
Economia humana
Descentralizada, de tamanho humano
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04
Sem a base
O mercado degenera e instabiliza a sociedade
Indo mais fundo
Como funciona
Para além da oferta e da procura
No livro A Crise Social do Nosso Tempo (1942), escrito no exílio (Röpke deixou a Alemanha nazista cedo), ele diagnosticou os males da sociedade moderna: a massificação, a concentração, a perda de comunidade. Sua receita não era menos mercado, e sim um mercado enquadrado por uma ordem social e moral, e descentralizado o bastante para que as pessoas tivessem propriedade, autonomia e pertencimento. Cunhou a ideia de que há uma economia da casa (a esfera dos vínculos, da família, da comunidade) sobre a qual a economia do mercado precisa repousar para não se tornar desumana.
Arquiteto da economia social de mercado
Junto com Eucken e outros, Röpke foi um dos pais intelectuais da economia social de mercado que reconstruiu a Alemanha Ocidental, e influenciou diretamente Ludwig Erhard. A diferença de ênfase em relação a Eucken é que Röpke ia além das regras econômicas: insistia na dimensão social, ética e cultural, no que chamava de humanismo econômico. O social da economia social de mercado, para ele, não era só políticas de bem-estar, era a sociedade decente que dá sentido ao mercado.
Visão técnica
A leitura da escola Ordoliberal
Röpke é o ordoliberal que mais explicitou os limites morais e sociais do mercado, e isso o torna ao mesmo tempo rico e datado, em atribuição indireta fiel à obra. Seu argumento de que o capitalismo depende de pré-condições que não produz (confiança, instituições, virtudes) antecipa debates atuais sobre capital social e sobre a erosão da coesão nas sociedades de mercado, e dialoga, de um ângulo conservador, com a crítica de Karl Polanyi à mercantilização da sociedade. A crítica de praxe tem duas faces. Economicamente, parte dos liberais acha sua desconfiança da grande empresa e da concentração nostálgica e pouco operacional num mundo de escala e tecnologia. Politicamente, e isso precisa ser dito com honestidade, algumas de suas posições conservadoras tardias, incluindo a defesa do regime de apartheid da África do Sul, são hoje amplamente repudiadas e mancham seu legado, e devem ser registradas, não varridas para baixo do tapete. Separar a contribuição econômica (a economia social de mercado, a crítica humanista à massificação) dessas posições é tarefa do leitor crítico. No grafo deste pilar, Röpke liga o ordoliberalismo de Eucken à dimensão social e institucional, e conversa com Polanyi sobre os limites do mercado.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler Röpke como anticapitalista
Ignorar as posições controversas
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Conceitos conectados
Instituições
As regras do jogo de uma sociedade, formais (leis) e informais (costumes), que moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam.
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Walter Eucken
O alemão (1891-1950) que fundou a escola de Freiburg e a ideia da economia social de mercado: o Estado não deve dirigir a economia nem se ausentar dela, mas garantir uma moldura de regras forte que mantenha a concorrência.
Perguntas frequentes
Qual a ideia central de Wilhelm Röpke? +
Que o mercado é o melhor sistema econômico, mas depende de uma base que ele não produz: confiança, comunidade, moral e propriedade espalhada. Sem esse chão social, o mercado degenera. Por isso Röpke defendia uma economia de mercado humana, descentralizada e enquadrada por uma ordem social.
O que é o humanismo econômico de Röpke? +
A ideia de que a economia de mercado deve servir a uma sociedade decente, com vínculos, autonomia e pertencimento, e não reduzir tudo ao cálculo de lucro. Foi a marca que ele acrescentou ao ordoliberalismo e à economia social de mercado alemã.
Fontes e referências
- Acadêmica A Crise Social do Nosso Tempo (Die Gesellschaftskrisis der Gegenwart) - Wilhelm Röpke (1942)
- Acadêmica A Humane Economy - Wilhelm Röpke (1958)
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