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Teoria econômica Nível 3 Intermediário

Neoliberalismo

também conhecido como: neoliberal, consenso de Washington

O rótulo, hoje disputado, para a agenda de mercados livres, privatização, abertura e disciplina fiscal que ganhou o mundo a partir dos anos 1980.

Redação Blog do Brasil atualizado em 09 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Poucas palavras do vocabulário econômico carregam tanta carga: para uns, neoliberalismo é a receita que domou a inflação e abriu economias travadas; para outros, é o projeto que desmontou proteções sociais e aprofundou desigualdades. O núcleo histórico é identificável: a partir dos anos 1980, com Thatcher no Reino Unido e Reagan nos Estados Unidos, ganhou força uma agenda de privatizações, abertura comercial, desregulação e disciplina fiscal, em reação às décadas de forte presença estatal que vinham desde a Depressão.

No seu bolso

Privatização de estatal, abertura a importados e corte de gasto público: quando esses temas entram no noticiário, a palavra neoliberalismo costuma vir junto, dos dois lados da trincheira.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Mont Pèlerin (1947)

    Hayek reúne os liberais no pós-guerra

  2. 02

    Thatcher e Reagan (1980s)

    A agenda chega ao poder

  3. 03

    Consenso de Washington (1989)

    O receituário codificado para a América Latina

  4. 04

    Palavra em disputa (hoje)

    Rótulo usado sobretudo pelos críticos

Indo mais fundo

Como funciona

De onde vem o termo

A palavra nasceu nos anos 1930 entre liberais que queriam renovar o liberalismo clássico após a Depressão, e ganhou organização em 1947, quando Friedrich Hayek reuniu economistas e intelectuais na Suíça para fundar a Sociedade Mont Pèlerin, da qual Milton Friedman participou. Dali saíram as ideias que, décadas depois, alimentariam as reformas dos anos 1980 e 1990.

O pacote de políticas

Na América Latina, a agenda foi codificada em 1989 no chamado Consenso de Washington: disciplina fiscal, abertura comercial, privatização, desregulação e câmbio competitivo, receituário aplicado em graus variados nas reformas dos anos 1990, inclusive no Brasil. Os resultados alimentam o debate até hoje: estabilização e modernização para os defensores; desindustrialização, volatilidade e custo social para os críticos. Curiosamente, quase ninguém se declara neoliberal: o termo é usado sobretudo por adversários.

Visão técnica

Visão técnica

O marco fundacional é a Sociedade Mont Pèlerin (1947). Seu documento de princípios, assinado por Hayek, Mises, Friedman e outros, abre com um diagnóstico de época que explica o projeto:

"Os valores centrais da civilização estão em perigo." (Statement of Aims, Sociedade Mont Pèlerin, 1947)

O texto via na expansão do poder estatal, do planejamento e nas restrições à propriedade privada uma ameaça à liberdade, e propunha redefinir as funções do Estado para distinguir o totalitarismo da ordem liberal. Analiticamente, vale separar três camadas que o uso corrente mistura: a tradição intelectual (Hayek, Friedman, a crítica ao planejamento e à discricionariedade), o pacote de políticas dos anos 1980-90 (privatização, abertura, metas de inflação, regras fiscais) e o uso polêmico do termo como rótulo para tudo que se associe a mercado. A literatura acadêmica diverge até sobre a utilidade do conceito: parte o considera categoria analítica válida para um programa identificável; parte o vê como significante vago, que mais acusa do que descreve. O fato de quase nenhum economista se autodeclarar neoliberal, enquanto a palavra domina a crítica, é em si um dado: trata-se de um conceito essencialmente contestado, cujo emprego já sinaliza a posição de quem fala. Para o leitor, a defesa é operacional: ao encontrar o termo, perguntar quais políticas concretas estão em discussão.

No mercado

As reformas brasileiras dos anos 1990 (privatizações, abertura, Plano Real) são lidas como capítulo local da onda: modernização para uns, desindustrialização para outros.

Atenção

Mitos e erros comuns

Usar o termo como xingamento genérico

Chamar de neoliberal qualquer política com mercado esvazia o conceito. O uso rigoroso aponta para um programa identificável: privatização, abertura, desregulação, disciplina fiscal e estabilização monetária.

Confundir com o liberalismo clássico

O neoliberalismo nasceu justamente da revisão do laissez-faire do século 19: seus fundadores aceitavam um Estado ativo na defesa da concorrência e de mínimos sociais, divergindo entre si sobre a dose.

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Perguntas frequentes

O que é neoliberalismo, afinal? +

Em sentido estrito, a tradição intelectual fundada em torno da Sociedade Mont Pèlerin (1947) e o pacote de políticas dos anos 1980-90: privatização, abertura, desregulação e disciplina fiscal. Em sentido frouxo, virou rótulo polêmico para qualquer agenda pró-mercado.

Por que ninguém se diz neoliberal? +

O termo foi adotado sobretudo pelos críticos, e seu uso já sinaliza posição. Economistas favoráveis à agenda preferem se dizer liberais ou ortodoxos. Por isso, no debate, vale sempre perguntar quais políticas concretas estão sendo chamadas de neoliberais.

Fontes e referências

  • Primária Statement of Aims - Mont Pelerin Society (1947)
  • Acadêmica Capitalismo e Liberdade - Milton Friedman (1962)

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