No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por quase toda a história, a renda média das pessoas quase não mudava de uma geração para outra. A partir do fim do século XVIII, primeiro na Grã-Bretanha, isso se quebrou: a máquina a vapor, os teares mecânicos e as fábricas multiplicaram quanto cada trabalhador conseguia produzir. Pela primeira vez, a economia passou a crescer de forma sustentada, e a riqueza média das nações começou a subir continuamente. É a origem do mundo de crescimento econômico em que vivemos, com tudo de bom e de ruim que veio junto.
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A chave foi a produtividade: novas máquinas e a organização fabril fizeram a mesma quantidade de trabalho render muito mais. Energia (carvão e vapor), tecnologia têxtil e siderúrgica e a concentração da produção em fábricas transformaram economias agrárias em industriais, e o campo na cidade. O crescimento sustentado da renda por habitante, antes inexistente, tornou-se a norma.
O custo humano
A transição foi brutal para quem a viveu: jornadas extenuantes, trabalho infantil, cidades insalubres e a perda de autonomia dos artesãos diante da fábrica. O ganho de produtividade no agregado conviveu, por décadas, com condições de vida duras para os trabalhadores, uma tensão que está no centro das interpretações divergentes do período.
Visão técnica
Visão técnica
A Revolução Industrial é o divisor de águas que separa um mundo de renda estagnada de outro de crescimento contínuo, e cada escola lê esse divisor à sua maneira. Para a tradição clássica, ela confirma a intuição de Adam Smith sobre a divisão do trabalho e a especialização como motores da produtividade e da riqueza das nações: a fábrica é a divisão do trabalho levada ao extremo. O crescimento sustentado seria fruto da ampliação dos mercados, da acumulação de capital e da inovação.
Para a tradição marxista, o mesmo processo é a consolidação do capitalismo industrial e da relação entre capital e trabalho assalariado: o ganho de produtividade se traduzia em mais-valia apropriada pelos donos das fábricas, enquanto o trabalhador, separado dos meios de produção, vendia sua força de trabalho em condições degradantes. As duas leituras não se anulam, descrevem faces do mesmo fato: a Revolução Industrial criou, simultaneamente, a riqueza moderna e o conflito distributivo moderno. Entender isso é entender por que crescimento e desigualdade nascem juntos na história econômica.
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Conceitos conectados
Produtividade
Quanto se produz com os recursos disponíveis: o motor silencioso que, no longo prazo, decide se um país enriquece ou estagna.
Crescimento econômico
O aumento da produção de bens e serviços de uma economia ao longo do tempo: o que faz o bolo crescer, medido em geral pela variação do PIB.
Divisão do trabalho
O princípio de Adam Smith: dividir uma tarefa em etapas especializadas multiplica a produção, e foi assim que ele explicou a origem da riqueza das nações.
Capitalismo
O sistema econômico baseado em propriedade privada, trabalho assalariado e mercados, em que a produção é guiada pela busca de lucro, não por um plano central.
Adam Smith
O filósofo escocês (1723-1790) que fundou a economia moderna: em A Riqueza das Nações, mostrou a ordem que emerge quando cada um busca o próprio interesse sob concorrência.
Perguntas frequentes
Por que a Revolução Industrial é tão importante para a economia? +
Porque marca o início do crescimento econômico sustentado. Antes dela, a renda média das pessoas quase não mudava ao longo dos séculos; depois, passou a crescer continuamente, graças ao salto de produtividade das máquinas e das fábricas. É a origem do mundo de crescimento em que vivemos.
A Revolução Industrial foi boa ou ruim? +
Foi as duas coisas, e por isso divide as escolas. Gerou o crescimento sustentado da renda e a riqueza moderna (leitura clássica), mas também o trabalho assalariado em condições degradantes e o conflito distributivo (leitura marxista). Crescimento e desigualdade nasceram juntos nesse processo.
Fontes e referências
- Acadêmica A Riqueza das Nações - Adam Smith (1776)
- Acadêmica O Capital, Livro I - Karl Marx (1867)
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