No dia a dia
O que é, em palavras simples
A ideia da mão invisível diz que o mercado, ao deixar cada um buscar seu interesse, costuma chegar a bons resultados. Mas nem sempre. Há situações em que ele tropeça e produz demais do que faz mal, de menos do que faz bem, ou simplesmente trava. A esses tropeços os economistas dão um nome técnico: falha de mercado.
No seu bolso
As quatro falhas clássicas
- Externalidades 25%
- Bens públicos 25%
- Poder de mercado 25%
- Assimetria de informação 25%
Indo mais fundo
Como funciona
As principais causas
São quatro as falhas clássicas. As externalidades, quando custos ou benefícios não entram no preço. Os bens públicos, que ninguém quer pagar e por isso faltam. O poder de mercado, como o monopólio, que distorce preços. E a assimetria de informação, quando um lado sabe mais que o outro. Em todas, o resultado do mercado fica aquém do ideal.
Por que importa
Reconhecer uma falha de mercado é o argumento econômico mais sólido para a intervenção do Estado: impostos sobre poluição, provisão de bens públicos, regulação de monopólios. Mas há um contraponto importante: o governo também pode falhar, e a cura às vezes sai pior que a doença.
Visão técnica
A leitura da escola Neoclássica
A sistematização das falhas de mercado é um marco da economia do bem-estar, organizada de forma influente por Francis Bator num artigo de 1958 sobre a anatomia da falha de mercado. A lógica é a do contraste com um ideal: sob condições muito específicas (concorrência perfeita, informação completa, ausência de externalidades), o mercado levaria a uma alocação eficiente, em que não dá para melhorar a situação de alguém sem piorar a de outro. As falhas de mercado são, justamente, as violações dessas condições. A escola austríaca faz aqui uma ressalva importante: como esse ideal de concorrência perfeita nunca existe na prática, comparar o mercado real a um modelo perfeito pode levar a intervenções equivocadas. O debate sobre quando e como corrigir falhas de mercado, sem cair em falhas de governo, segue vivo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que falha de mercado justifica qualquer intervenção
Esquecer que o ideal é teórico
Veja também
Conceitos conectados
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Assimetria de informação
A situação em que uma parte de um negócio sabe mais que a outra: o vendedor que conhece o defeito, o tomador que conhece o próprio risco.
Bem público
Um bem cujo uso por uma pessoa não impede o de outra e do qual é difícil excluir quem não paga: como a iluminação pública ou a defesa nacional.
Kenneth Arrow
O americano (1921-2017) que provou os dois teoremas que cercam a economia: nenhuma votação é perfeita (impossibilidade) e o mercado completo é eficiente (Arrow-Debreu).
Joseph Stiglitz
O americano (1943-) que generalizou a falha de informação: rastreamento, racionamento de crédito e salários de eficiência. Nobel de 2001 e crítico interno da globalização.
Arthur Pigou
O inglês (1877-1959) que fundou a economia do bem-estar: externalidades, o imposto pigouviano e a fatura do poluidor. O alvo de Keynes e de Coase, e o vencedor silencioso do século.
Perguntas frequentes
Quais são as principais falhas de mercado? +
As quatro clássicas são externalidades, bens públicos, poder de mercado (como o monopólio) e assimetria de informação. Em todas, o resultado do mercado fica aquém do que seria eficiente.
Falha de mercado é o mesmo que crise? +
Não necessariamente. Falha de mercado é um conceito mais amplo, de ineficiência na alocação de recursos. Pode causar crises, mas também problemas crônicos e silenciosos, como a poluição.
Fontes e referências
- Acadêmica The Anatomy of Market Failure - Francis M. Bator (1958)
- Acadêmica Introdução à Economia - N. Gregory Mankiw (2021)
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