No dia a dia
O que é, em palavras simples
Para saber se as contas do governo estão de pé, os economistas olham um número antes de tudo: o resultado primário. A ideia é simples. Pegue tudo o que o governo arrecada e tire tudo o que ele gasta, com uma exceção importante: deixe de fora a conta dos juros da dívida. Se ainda assim sobra dinheiro, há superávit primário; se falta, déficit primário. É como olhar o orçamento de uma família ignorando, por um instante, a parcela do financiamento, para ver se o resto fecha.
No seu bolso
Dois jeitos de medir as contas
Resultado primário
- ›Receitas menos despesas
- ›SEM contar os juros da dívida
Resultado nominal
- ›Inclui os juros da dívida
- ›Mostra a necessidade total de financiamento
Indo mais fundo
Como funciona
Por que tirar os juros
Os juros da dívida são, em boa parte, herança de decisões passadas e variam conforme a Selic, que o governo não controla diretamente. Excluindo-os, o resultado primário revela o esforço fiscal do presente: a relação entre a arrecadação e os gastos sobre os quais o governo de fato decide. Por isso ele é o termômetro preferido para avaliar a disciplina das contas.
Primário e dívida
O resultado primário é decisivo para a trajetória da dívida pública. Para a dívida parar de crescer em relação ao tamanho da economia, em geral é preciso gerar superávit primário suficiente para cobrir ao menos parte dos juros. Déficits primários seguidos, ao contrário, tendem a empurrar a dívida para cima, exigindo mais juros e realimentando o problema.
Visão técnica
Visão técnica
O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas do setor público, excluído o pagamento de juros sobre a dívida. Distingue-se do resultado nominal, que inclui os juros: um país pode ter superávit primário e, ainda assim, déficit nominal, se a conta de juros for grande. Essa separação é central na análise fiscal porque isola o que está sob controle mais imediato da política (o esforço de arrecadar e gastar) do que decorre do estoque de dívida e da taxa de juros.
A relevância está na dinâmica da dívida. A condição de estabilização da dívida em relação ao PIB depende da combinação entre o resultado primário, a taxa de juros real e o crescimento da economia: grosso modo, quando os juros superam o crescimento, é preciso superávit primário para estabilizar a dívida. Por isso metas de resultado primário são peça central dos arcabouços fiscais e são monitoradas de perto por investidores e agências de risco. No Brasil, os dados são acompanhados nas estatísticas fiscais do Banco Central. Conecta-se à dívida pública, ao déficit público e à política fiscal.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir primário com nominal
Achar que superávit primário garante dívida caindo
Veja também
Conceitos conectados
Política fiscal
O uso dos gastos e dos impostos do governo para influenciar a economia: acelerar nas crises, frear no superaquecimento.
Dívida pública
O total que o governo deve a credores: a soma dos déficits que financiou ao longo do tempo emitindo títulos.
Déficit público
Quando o governo gasta mais do que arrecada num período: o buraco do ano que, somado ao longo do tempo, forma a dívida pública.
Perguntas frequentes
O que é o resultado primário? +
É a diferença entre tudo o que o governo arrecada e tudo o que gasta, excluído o pagamento dos juros da dívida. Se sobra, há superávit primário; se falta, déficit primário. Ele mostra se as contas públicas se sustentam pelo esforço fiscal do presente.
Qual a diferença entre resultado primário e nominal? +
O primário exclui os juros da dívida; o nominal os inclui. Um governo pode ter superávit primário e, mesmo assim, déficit nominal, se a conta de juros for elevada. O primário isola o esforço fiscal; o nominal mostra a necessidade total de financiamento.
Fontes e referências
- Corporativa Estatísticas fiscais - Banco Central do Brasil
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