No dia a dia
O que é, em palavras simples
Ronald Coase publicou pouco e mudou muito: dois artigos, duas perguntas, um século de consequências. A primeira (1937, escrita aos 26 anos): se o mercado coordena tudo tão bem, por que existem empresas, essas ilhas de comando e hierarquia? Resposta: usar o mercado custa (procurar, negociar, fiscalizar), e a firma existe onde organizar por dentro sai mais barato, os custos de transação. A segunda (1960): por que não tratar poluição e conflitos de vizinhança como direitos negociáveis? Nasceram ali a economia dos custos de transação, a análise econômica do direito e os mercados de carbono.
No seu bolso
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01
A Natureza da Firma (1937)
Por que empresas existem: custos de transação
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02
O Custo Social (1960)
Direitos negociáveis e o teorema
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03
Direito e economia
O campo que os dois artigos fundaram
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04
Nobel (1991)
A consagração da economia institucional
Indo mais fundo
Como funciona
A natureza da firma
O artigo de 1937 dormiu décadas até virar fundação: a fronteira entre firma e mercado (o que produzir dentro, o que comprar fora) é decidida pelos custos de transação comparados, insight que Williamson transformaria em teoria da organização (Nobel de 2009) e que rege da terceirização à arquitetura das plataformas digitais. O termo de custos de transação deste dicionário conta a história, e a do Pix como infraestrutura que os derruba.
O problema do custo social
O artigo de 1960 inverteu o reflexo pigouviano (poluiu, taxa): com direitos bem definidos e custos de transação baixos, as partes negociam sozinhas o uso eficiente do recurso, qualquer que seja a alocação inicial do direito, o chamado teorema de Coase. A ironia que o próprio autor passou a vida corrigindo: o teorema descreve um mundo sem atritos para provar o oposto, que no mundo real, cheio de atritos, o desenho das instituições e dos direitos é o que decide tudo. Leitores apressados transformaram a prova por contradição em receita de não fazer nada.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
Sua advertência metodológica mais citada é o aviso de consumo dos termos de evidência deste dicionário:
"Se você torturar os dados por tempo suficiente, eles confessam." (Ronald Coase, Essays on Economics and Economists, 1994)
O programa coaseano tem três pernas institucionais. A teoria da firma como resposta comparativa aos custos de transação fundou, via Williamson e a economia dos contratos, o campo que decide fronteiras de empresas, desenho de terceirizações e regulação de plataformas. O problema do custo social fundou o direito e economia: a alocação inicial de direitos importa exatamente porque os custos de transação nunca são zero, e a prescrição madura é alocar direitos e desenhar regras minimizando os atritos de negociação, a lógica por trás dos mercados de emissões (cap-and-trade), do leilão de espectro e da regulação por direitos negociáveis. E o método: Coase militou contra a economia de quadro-negro, exigindo o estudo de casos e instituições reais (seu artigo sobre os faróis ingleses, demolindo o exemplo clássico de bem público impossível de prover privadamente, é a peça-modelo). A leitura conjunta com este pilar: Coase é o elo entre Smith (mercados coordenam) e North (instituições decidem o custo de coordenar), e o padroeiro metodológico do lema editorial deste portal: antes de teorizar o que deveria acontecer, documentar o que acontece.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler o teorema de Coase como receita liberal
Esquecer o Coase metodológico
Veja também
Conceitos conectados
Custos de transação
Os custos de negociar, fiscalizar e fazer cumprir um contrato: o atrito que explica por que existem empresas, e não apenas o mercado.
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Direitos de propriedade
As regras que definem quem pode usar, vender e lucrar com um bem: a base institucional sem a qual investir, poupar e empreender perde o sentido.
Perguntas frequentes
O que é o teorema de Coase? +
A demonstração de que, com direitos bem definidos e custos de transação nulos, as partes negociam sozinhas o uso eficiente dos recursos, qualquer que seja a alocação inicial. Como os custos nunca são nulos, a lição real é a inversa: o desenho das instituições e dos direitos decide os resultados.
Por que Coase perguntou se empresas deveriam existir? +
Porque, se o mercado coordena tão bem via preços, a hierarquia interna das firmas é um enigma. A resposta de 1937: usar o mercado custa (buscar, negociar, fiscalizar), e a empresa cresce até onde organizar por dentro fica mais barato que comprar fora. É a fundação da economia dos custos de transação.
Fontes e referências
- Acadêmica The Nature of the Firm (Economica) - Ronald Coase (1937)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 1991: Ronald Coase - Nobel Prize (1991)
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