No dia a dia
O que é, em palavras simples
Pleno emprego não quer dizer que todo mundo está empregado e o desemprego é zero. Sempre há gente trocando de emprego, recém-formados procurando a primeira vaga, pessoas em transição, isso é normal e até saudável. Pleno emprego é quando não falta trabalho para quem quer trabalhar ao salário vigente: o desemprego que resta é o "natural", o de quem está apenas entre um emprego e outro, não o de quem não acha vaga nenhuma. É um dos grandes objetivos da política econômica, ao lado de controlar a inflação.
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Indo mais fundo
Como funciona
Por que não é zero
Mesmo numa economia aquecida, há o desemprego friccional (o tempo natural de procurar e achar vaga) e o estrutural (descompasso entre as habilidades dos trabalhadores e as vagas disponíveis). Esses dois sempre existem. O que o pleno emprego elimina é o desemprego cíclico, o que aparece nas recessões por falta de demanda.
O limite da inflação
Há uma tensão central: estimular a economia além do pleno emprego, para baixar ainda mais o desemprego, tende a acelerar a inflação. Por isso os economistas falam de uma taxa de desemprego "compatível com inflação estável" (a NAIRU). Empurrar o desemprego abaixo dela, no longo prazo, geraria mais inflação sem ganho duradouro de emprego.
Visão técnica
Visão técnica
Pleno emprego é um dos conceitos mais carregados de teoria e de política da macroeconomia, e seu significado mudou com as escolas. Para a tradição keynesiana, sobretudo no pós-guerra (e em William Beveridge, que escreveu sobre pleno emprego numa sociedade livre em 1944), o pleno emprego era uma meta ativa de política econômica: o Estado deveria gerir a demanda agregada para garantir trabalho a todos, e o desemprego em massa era uma falha evitável, não um fato natural. Essa visão sustentou o compromisso de pleno emprego das economias desenvolvidas por décadas.
A virada veio com Milton Friedman e Edmund Phelps e o conceito de taxa natural de desemprego (depois refinado como NAIRU, a taxa que não acelera a inflação): haveria um piso para o desemprego, determinado por fatores estruturais e friccionais, abaixo do qual qualquer estímulo só produz inflação crescente, não mais emprego. Pleno emprego passou a ser definido não como "desemprego zero", mas como "desemprego na taxa natural". Isso reposicionou o debate: a discussão deixou de ser "quanto desemprego o governo tolera" e passou a ser "qual é a taxa natural e o que a determina", e se ela pode ser reduzida por políticas estruturais (educação, intermediação, flexibilidade) em vez de por estímulo de demanda. A tensão de fundo, entre o objetivo social do emprego e a restrição da inflação, permanece no coração da política monetária, e ressurge em cada decisão de quanto a economia pode crescer e os juros podem cair sem disparar os preços.
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Mitos e erros comuns
Achar que pleno emprego é desemprego zero
Ignorar o limite da inflação
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Conceitos conectados
Demanda agregada
A soma de tudo o que a economia quer comprar num período: consumo das famílias, investimento das empresas, gasto do governo e exportações líquidas.
Desemprego
A parcela das pessoas que querem e procuram trabalho, mas não encontram: um dos termômetros mais sensíveis da saúde de uma economia.
NAIRU
A taxa de desemprego abaixo da qual a inflação acelera: o conceito, herdeiro da taxa natural de Friedman, que guia bancos centrais e irrita seus críticos.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Perguntas frequentes
Pleno emprego significa desemprego zero? +
Não. Mesmo no pleno emprego, há desemprego friccional (o tempo natural de procurar vaga) e estrutural (descompasso entre habilidades e vagas). Pleno emprego é a situação em que não falta trabalho para quem quer trabalhar ao salário vigente, eliminando o desemprego cíclico, o das recessões.
Por que não dá para zerar o desemprego com estímulo? +
Porque, abaixo de uma certa taxa (a natural, ou NAIRU), estimular a economia para reduzir mais o desemprego tende a acelerar a inflação sem ganho duradouro de emprego. Há uma tensão permanente entre o objetivo do emprego e a restrição da inflação, no centro da política monetária.
Fontes e referências
- Acadêmica Full Employment in a Free Society - William Beveridge (1944)
- Acadêmica The Role of Monetary Policy (taxa natural de desemprego) - Milton Friedman (1968)
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