No dia a dia
O que é, em palavras simples
A economia costuma supor que, no mercado, cada um busca o próprio interesse. A teoria da escolha pública faz uma pergunta provocadora: por que isso mudaria quando a pessoa veste a roupa de político ou de funcionário público? Em vez de tratar o governo como um guardião perfeito do bem comum, ela estuda governantes, burocratas e eleitores como agentes reais, que respondem a incentivos, buscam votos, orçamento e influência. É a economia aplicada à política.
No seu bolso
Como olhar o governante
Visão romântica
- ›Guardião neutro do bem comum
- ›Decide pelo interesse de todos
Escolha pública
- ›Agente com interesse próprio
- ›Responde a votos e incentivos
Indo mais fundo
Como funciona
A falha de governo
Assim como existe falha de mercado, a escolha pública chama a atenção para a falha de governo. O político pode preferir gastos visíveis que rendem votos a reformas necessárias mas impopulares; o burocrata pode querer ampliar seu órgão; grupos organizados conseguem benefícios pagos por uma maioria dispersa e desatenta. Nada disso pressupõe má-fé: é a resposta racional aos incentivos do jogo político.
As regras importam
A conclusão prática é que não basta trocar as pessoas no poder; é preciso desenhar boas regras. Buchanan distinguiu dois níveis: o das decisões do dia a dia e o constitucional, onde se definem as regras do jogo. Reformar a política seria, antes de tudo, reformar suas regras.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
A teoria da escolha pública foi fundada por James Buchanan e Gordon Tullock em The Calculus of Consent (1962). Buchanan, Nobel de 1986, resumiu o programa numa expressão que ficou célebre:
"A escolha pública é a política sem romance." (James Buchanan)
Por política sem romance, Buchanan queria dizer o estudo do governo sem a ficção do administrador perfeitamente altruísta. Se no mercado pressupomos que as pessoas agem por interesse próprio, a coerência exige tratar os agentes políticos da mesma forma. Daí derivam temas centrais da escola: a busca de renda (grupos que lucram capturando o Estado em vez de produzir), o paradoxo do voto, a miopia eleitoral e a importância do nível constitucional. A escolha pública é uma ponte entre economia e ciência política e dialoga de perto com a economia institucional, ao colocar as regras, e não as boas intenções, no centro da análise.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que diz que todo político é corrupto
Confundir com antipolítica
Veja também
Conceitos conectados
Instituições
As regras do jogo de uma sociedade, formais (leis) e informais (costumes), que moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam.
Incentivos
As recompensas e punições que moldam as decisões: entender os incentivos é entender por que as pessoas fazem o que fazem.
Falha de mercado
Situações em que o mercado, por si só, não aloca os recursos de forma eficiente: externalidades, bens públicos, monopólios e assimetria de informação.
James Buchanan
O americano (1919-2013) que aplicou a economia aos políticos: a escolha pública, as falhas de governo e a economia constitucional. Nobel de 1986.
Gordon Tullock
O americano (1922-2014) que cofundou a escolha pública e descreveu o rent-seeking: os recursos gastos para conseguir privilégios do governo são uma perda pura, e podem custar mais que o privilégio em si.
Perguntas frequentes
O que é a teoria da escolha pública? +
É a aplicação dos métodos da economia à política. Em vez de supor que governantes e burocratas agem pelo bem comum, ela os trata como agentes que respondem a incentivos e buscam o próprio interesse, como no mercado. Foi fundada por James Buchanan e Gordon Tullock.
O que é falha de governo? +
É o equivalente, na política, à falha de mercado. Designa as situações em que a ação do Estado produz resultados ruins porque os incentivos dos agentes políticos, como ganhar votos ou ampliar orçamentos, não coincidem com o interesse geral.
Fontes e referências
- Acadêmica The Calculus of Consent - James Buchanan e Gordon Tullock (1962)
- Acadêmica Política sem Romance - James Buchanan (1979)
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