No dia a dia
O que é, em palavras simples
Para Joseph Schumpeter, o capitalismo não é uma máquina parada num equilíbrio tranquilo. É um furacão. A cada onda de inovação, o novo derruba o velho: o streaming esvaziou a locadora, o smartphone aposentou a máquina fotográfica, o automóvel substituiu a charrete. Schumpeter chamou esse processo, ao mesmo tempo brutal e fértil, de destruição criativa. É destruindo o que existe que o capitalismo cria o que vem depois.
No seu bolso
Equilíbrio parado ou movimento
Mercado estático
- ›Mesmas empresas competindo
- ›Disputa por preço
Destruição criativa
- ›Inovação derruba líderes
- ›Disputa por reinventar o jogo
Indo mais fundo
Como funciona
O motor é a inovação
No centro da história de Schumpeter está o empreendedor inovador, aquele que introduz um produto, um método ou um mercado novo. Para ele, o lucro de verdade nasce de inovar, não apenas de administrar bem o que já existe. A inovação é o combustível do sistema.
Brutal e fértil
O lado incômodo é que cada avanço destrói setores, empresas e empregos antigos enquanto cria outros. Progresso e dor caminham juntos. Por isso, para Schumpeter, medir o capitalismo num instante parado engana: sua essência está no movimento.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
A imagem da destruição criativa aparece em Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942), em que Schumpeter descreve a inovação que revoluciona a economia por dentro:
"Esse processo de Destruição Criativa é o fato essencial do capitalismo." (Joseph Schumpeter, Capitalismo, Socialismo e Democracia, 1942)
Dessa visão decorre uma leitura própria da concorrência: o que de fato disciplina as empresas não é a concorrência de preços de manual, mas a ameaça constante de uma inovação que torne o produto atual obsoleto. Isso explica por que monopólios temporários podem ser o prêmio, e o estímulo, de quem inova. Vale uma ressalva honesta: Schumpeter teve formação na tradição austríaca, em Viena, mas é uma figura à parte, que também admirava o equilíbrio de Walras. Sua abordagem evolucionária do capitalismo é a raiz das teorias modernas de inovação e crescimento.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Enxergar só o lado criativo
Chamar qualquer mudança de destruição criativa
Veja também
Conceitos conectados
Monopólio
A situação em que um único vendedor controla a oferta de um bem sem substitutos próximos, ganhando poder para impor preços acima do que a concorrência permitiria.
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Escola austríaca
A tradição de Menger, Mises e Hayek: a economia parte da ação individual, o valor é subjetivo e o mercado funciona como um processo de descoberta de informação dispersa.
Joseph Schumpeter
O austríaco (1883-1950) que pôs o empreendedor e a inovação no centro do capitalismo: o sistema avança destruindo o velho, e o monopólio de hoje é a inovação de ontem.
Léon Walras
O francês (1834-1910) que matematizou a economia inteira de uma vez: o equilíbrio geral, todos os mercados se resolvendo juntos. O projeto que definiu a teoria do século 20.
Victor Pelaez
O professor titular da UFPR que pesquisa economia da tecnologia e regulação: da biotecnologia à gestão da inovação, com manual publicado e a ponte ensino-propriedade intelectual.
Orlando Martinelli
O professor titular da UFSM dedicado à microeconomia heterodoxa, à economia industrial e à economia da tecnologia: a firma real, fora do equilíbrio, ensinada no sul do país.
Felipe Orsolin Teixeira
O professor da UFPR que pesquisa crescimento, economia brasileira e complexidade econômica: o que um país sabe produzir como chave do que ele pode vir a ser.
Ana Lúcia Tatsch
A professora da UFRGS que pesquisa economia industrial e da tecnologia: inovação, sistemas inovativos e arranjos produtivos locais, a herança de Schumpeter aplicada ao território.
Luisa Alem Ribeiro
A professora da UFRGS que cruza economia da inovação com economia da saúde: sistemas de inovação aplicados ao complexo da saúde, em chave brasileira.
Marcilene Aparecida Martins
A professora da UFRGS que une comércio internacional, economia da tecnologia e desenvolvimento: a tese de que vantagem comercial se constrói com capacidade técnica.
Ronivaldo Steingraber
O professor da UFSC que pesquisa a microeconomia do desenvolvimento por dentro: modelos neoschumpeterianos, economia institucional e racionalidade limitada como base de uma micro heterodoxa.
Jaylson Jair da Silveira
O professor da UFSC que modela a economia como população de agentes que aprendem: jogos evolucionários, macrodinâmica de ciclos e crescimento e simulação computacional.
Dominik Hartmann
O professor da UFSC que mede o que uma economia sabe fazer: complexidade econômica e como inovação, mudança estrutural e desigualdade se entrelaçam no desenvolvimento.
Pablo Felipe Bittencourt
O professor da UFSC que estuda como a inovação se organiza em rede: sistemas nacionais de inovação, arranjos produtivos locais e a relação universidade-empresa.
João Basilio Pereima Neto
O economista da UFPR que estuda crescimento, economia evolucionária e complexidade: a macroeconomia vista como sistema dinâmico de agentes heterogêneos, não como média sem atrito.
Ricardo Lobato Torres
O economista da UFPR que pesquisa política industrial e economia da inovação: a dinâmica das indústrias e o papel do Estado na trajetória da tecnologia, na tradição evolucionária.
Walter Tadahiro Shima
O professor titular da UFPR que pesquisa economia das tecnologias de informação, política industrial e defesa da concorrência: a fronteira onde inovação, mercado e regra se encontram.
Carolina Bagattolli
A economista da UFPR que faz a economia política da ciência e tecnologia: uma leitura crítica das políticas de inovação e do desenvolvimento na América Latina.
Wellington da Silva Pereira
O economista da UFPR que faz a crítica do desenvolvimento e do neoliberalismo: a economia política do comércio internacional vista da periferia, não do centro.
Júlio Eduardo Rohenkohl
O professor da UFSM que pesquisa instituições, inovação e desenvolvimento: a tradição de Schumpeter e dos evolucionários em produção brasileira, da economia industrial à mudança tecnológica.
Marcos Paulo Fuck
O professor da UFPR que pesquisa economia e tecnologia, inovação e economia agrícola: a tradição neo-schumpeteriana da mudança técnica, da política de ciência e tecnologia à propriedade intelectual, em produção brasileira.
Silvio Antônio Ferraz Cário
O professor do PPGEco da UFSC que pesquisa economia da inovação, reestruturação produtiva e aglomerações produtivas: o paradigma microdinâmico neo-schumpeteriano em produção brasileira.
Gilson Geraldino da Silva Júnior
O professor da UFSC que pesquisa economia da inovação, estrutura de mercado e produtividade: como a concorrência e a tecnologia afetam salários e firmas, em produção empírica.
Perguntas frequentes
O que é destruição criativa? +
É o processo, descrito por Schumpeter, pelo qual a inovação destrói produtos, empresas e empregos antigos ao mesmo tempo em que cria novos. Para ele, esse movimento contínuo é a essência do capitalismo.
Quem foi Joseph Schumpeter? +
Economista austríaco do século 20, conhecido por pôr a inovação e o empreendedor no centro da análise econômica. Sua visão evolucionária do capitalismo influenciou as teorias modernas de inovação e crescimento.
Fontes e referências
- Acadêmica Capitalismo, Socialismo e Democracia - Joseph Schumpeter (1942)
- Acadêmica Teoria do Desenvolvimento Econômico - Joseph Schumpeter (1911)
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