No dia a dia
O que é, em palavras simples
Por que a sociedade feudal tinha reis e servos, e a nossa tem empresas e assalariados? Para Karl Marx, a resposta começa por uma pergunta simples: como, em cada época, as pessoas produzem o que precisam para viver? Essa base material, quem trabalha, com quais ferramentas, para quem, condicionaria todo o resto: as leis, a política, a religião, as ideias. A esse método de ler a história Marx deu o nome de materialismo histórico. Para entender uma época, olhe primeiro como ela produz.
No seu bolso
O que molda a sociedade
Visão idealista
- ›As ideias movem a história
- ›A consciência vem primeiro
Materialismo histórico
- ›A forma de produzir condiciona o resto
- ›O ser social molda a consciência
Indo mais fundo
Como funciona
Base e superestrutura
Marx propõe uma imagem: na base de toda sociedade está a forma de produzir, as relações entre quem trabalha e quem detém os meios de produção. Sobre essa base se ergue uma superestrutura, o conjunto de leis, instituições e ideias. A base condiciona a superestrutura; mudar o modo de produzir tende, com o tempo, a mudar as leis e os valores.
O motor da mudança
Para o materialismo histórico, a história avança quando as forças produtivas (tecnologia, organização do trabalho) entram em conflito com as relações sociais vigentes. Desse atrito nasceriam as grandes transformações, como a passagem do feudalismo ao capitalismo. É uma leitura que põe a economia, e não as ideias dos grandes homens, no centro da explicação histórica.
Visão técnica
A leitura da escola Marxista
A síntese mais conhecida do materialismo histórico está no Prefácio de Para a Crítica da Economia Política (1859):
"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência." (Karl Marx, Prefácio a Para a Crítica da Economia Política, 1859)
A frase inverte a tradição idealista: não são as ideias que moldam a sociedade material, e sim a posição de cada um na produção que molda as suas ideias. O modo de produção da vida material condiciona o processo social, político e intelectual. É importante notar que se trata de um método de análise, amplamente debatido e criticado, inclusive por leituras que o acusam de determinismo. Ainda assim, o materialismo histórico influenciou profundamente a história, a sociologia e a economia política, e é a base sobre a qual Marx ergueu sua crítica do capitalismo, dos conceitos de mais-valia ao de fetichismo da mercadoria.
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Veja também
Conceitos conectados
Mais-valia
Na teoria de Marx, o valor que o trabalhador produz além do que recebe em salário e que é apropriado pelo dono do capital: a fonte do lucro.
Marxismo
A crítica de Karl Marx ao capitalismo: a história é movida por conflitos de classe, e o lucro nasce do trabalho não pago dos trabalhadores (a mais-valia).
Fetichismo da mercadoria
O conceito de Marx para o efeito que faz uma relação entre pessoas, o trabalho de cada um, aparecer como se fosse uma propriedade natural das coisas e dos seus preços.
Karl Marx
O filósofo alemão (1818-1883) que fez a crítica mais influente do capitalismo: O Capital analisa o sistema pela lente do conflito entre quem trabalha e quem emprega.
Perguntas frequentes
O que é materialismo histórico? +
É o método de Marx para interpretar a história a partir da forma como cada sociedade produz sua vida material. As relações de produção formam uma base que condiciona a superestrutura de leis, política e ideias. As mudanças históricas nasceriam de conflitos nessa base produtiva.
O que são base e superestrutura? +
A base é a estrutura econômica: as relações entre quem trabalha e quem detém os meios de produção. A superestrutura é o conjunto de leis, instituições e ideias que se ergue sobre ela. Para o materialismo histórico, a base condiciona a superestrutura.
Fontes e referências
- Acadêmica Prefácio a Para a Crítica da Economia Política - Karl Marx (1859)
- Acadêmica A Ideologia Alemã - Karl Marx e Friedrich Engels (1846)
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