No dia a dia
O que é, em palavras simples
Robert Lucas fez à macroeconomia a pergunta que a mudou para sempre: se as pessoas aprendem, por que os modelos supõem que elas caem no mesmo truque eternamente? Os modelos dos anos 1960 prometiam comprar emprego com inflação; Lucas mostrou que o público antecipa a política, ajusta preços e salários na largada, e o truque para de funcionar exatamente quando o governo tenta usá-lo, a crítica de Lucas, que aposentou uma geração de modelos e exigiu reconstruir a macro sobre decisões individuais com expectativas racionais. A estagflação dos anos 1970 chegou como se encomendada para provar o ponto.
No seu bolso
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01
Ilhas (1972)
Só surpresas monetárias têm efeito real
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02
Crítica (1976)
Parâmetros mudam com a política
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03
Estagflação
Os anos 1970 confirmam o aviso
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04
Crescimento (1988)
Difícil pensar em outra coisa
Indo mais fundo
Como funciona
A crítica e o método
O argumento técnico (1976): os parâmetros estimados sob uma política (quanto o consumo responde à renda, quanto os preços respondem ao desemprego) embutem as expectativas daquela política, e mudam quando ela muda; usar o modelo antigo para simular a política nova é dirigir olhando o retrovisor. A consequência metodológica dominou décadas: modelos com microfundamentos (agentes otimizando, expectativas racionais), os alicerces do edifício DSGE que os bancos centrais operam, com as virtudes e os pontos cegos que 2008 expôs e o termo de micro e macro registra.
Do ciclo ao crescimento
O segundo ato de Lucas trocou o ciclo pelo século: se estabilização rende décimos de bem-estar, entender por que países crescem (ou não) rende múltiplos, e a frase do paper de 1988 virou o lema da economia do crescimento. Os modelos de capital humano que ele propôs (crescimento endógeno, com Romer na frente paralela) e o paradoxo que leva seu nome (por que o capital não flui dos ricos para os pobres como a teoria manda?) organizam a agenda até hoje.
Visão técnica
A leitura da escola Monetarista
A confissão do paper de 1988 sobre o crescimento é a citação-assinatura:
"As consequências para o bem-estar humano envolvidas em questões como essas são simplesmente espantosas: quando se começa a pensar nelas, é difícil pensar em qualquer outra coisa." (Robert Lucas, On the Mechanics of Economic Development, 1988)
O programa lucasiano, em atribuição indireta fiel à obra: o modelo de ilhas (1972) deriva uma curva de Phillips de informação imperfeita em que só surpresas monetárias têm efeito real, dando às expectativas racionais de Muth a primeira aplicação macroeconômica completa e à neutralidade da moeda, microfundamento moderno; a crítica (1976) converte o resultado em veto metodológico aos modelos de forma reduzida; e a proposição de ineficácia das políticas antecipadas (com Sargent e Wallace) leva a lógica ao limite que a literatura subsequente qualificaria (rigidez de preços devolve efeito real à política prevista, a síntese novo-keynesiana que governa os bancos centrais é o armistício entre Lucas e os keynesianos que ele atacou). O rótulo deste termo segue o protocolo da casa: Lucas é o fundador da Nova Macroeconomia Clássica, classificado como Monetarista por aproximação com a ressalva explícita, o mesmo critério do termo de expectativas racionais.
O balanço maduro registra as duas colunas: o método venceu (ninguém mais publica macro sem responder à crítica, e a revolução da credibilidade dos termos de econometria é, em parte, filha dela: identificar parâmetros que sobrevivam a mudanças de regime), e as conclusões fortes envelheceram (ciclos reais sem papel para moeda e finanças deixaram 2008 sem mapa, a autocrítica que parte da profissão fez em voz alta). No grafo deste pilar, Lucas fecha a trilha que vai de Muth e Friedman às expectativas dos termos monetaristas, duela com Kahneman e Shiller pela psicologia que expulsou e que voltou, e deixa ao leitor o teste que importa: toda promessa de política que só funciona se ninguém a antecipar já nasceu morta, e saber disso é ser lucasiano o suficiente.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler a crítica como veto a toda política
Esquecer o que 2008 ensinou ao programa
Veja também
Conceitos conectados
Expectativas racionais
A hipótese de que as pessoas formam expectativas usando toda a informação disponível e não erram de forma sistemática, o que limita o efeito de políticas previsíveis.
Econometria
A caixa de ferramentas estatísticas com que a economia testa teorias contra dados: a ponte entre o que os modelos dizem e o que o mundo mostra.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Perguntas frequentes
O que diz a crítica de Lucas? +
Que os parâmetros estimados dos modelos macroeconômicos embutem as expectativas do regime de política vigente e mudam quando a política muda: simular uma política nova com o modelo antigo é inválido. A crítica (1976) refundou o método da macro sobre decisões individuais e expectativas.
O que sobreviveu e o que envelheceu no programa de Lucas? +
Sobreviveu o método: levar expectativas a sério é obrigatório, e os bancos centrais operam a síntese disso com os keynesianos. Envelheceram as conclusões fortes: modelos sem moeda, finanças ou heterogeneidade ficaram sem mapa em 2008, e a fronteira atual os corrige.
Fontes e referências
- Acadêmica On the Mechanics of Economic Development (Journal of Monetary Economics) - Robert Lucas (1988)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 1995: Robert Lucas - Nobel Prize (1995)
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