No dia a dia
O que é, em palavras simples
Quase toda a economia trata o crescimento como objetivo inquestionável: mais PIB, sempre. O decrescimento vira essa lógica do avesso e pergunta: é possível crescer para sempre num planeta de recursos finitos? Sua resposta é não. A corrente defende que os países ricos reduzam de propósito a produção e o consumo de coisas supérfluas, para caber dentro dos limites ecológicos, sem que isso signifique miséria, mas sim viver melhor com menos: menos trabalho, menos consumo, mais tempo, igualdade e cuidado. É uma ideia radical e controversa, mas que ganhou espaço no debate ambiental.
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Indo mais fundo
Como funciona
O alvo é o crescimento como fim em si
O decrescimento não prega empobrecer, mas abandonar a obsessão pelo PIB. A crítica é que o crescimento virou um fim em si mesmo, mesmo quando não melhora a vida das pessoas e custa caro ao planeta. A proposta é encolher setores nocivos e supérfluos, redistribuir, reduzir a jornada de trabalho e medir o sucesso por bem-estar e sustentabilidade, não por produção total.
Crítica e contracrítica
Os defensores apontam que não há prova de que dá para "descolar" crescimento de impacto ambiental na velocidade necessária. Os críticos respondem que decrescer numa economia desenhada para crescer geraria desemprego e crise, que o crescimento é o que tirou bilhões da pobreza, e que a aposta deveria ser no crescimento verde, não em encolher. O debate opõe diretamente o decrescimento ao desenvolvimento sustentável convencional.
Visão técnica
A leitura da escola Ecológica
O decrescimento é a expressão mais radical da economia ecológica, e seu fundamento teórico está na termodinâmica aplicada à economia por Nicholas Georgescu-Roegen: a economia é um sistema que dissipa energia e materiais de forma irreversível (entropia), de modo que o crescimento material perpétuo num planeta finito é fisicamente impossível, não apenas indesejável. A provocação foi sintetizada na frase atribuída ao economista Kenneth Boulding: "Quem acredita que o crescimento exponencial pode continuar para sempre num mundo finito é um louco, ou um economista."
O cerne do debate é a tese do desacoplamento (decoupling): seria possível continuar crescendo o PIB enquanto se reduz o uso de recursos e as emissões em termos absolutos, e rápido o suficiente? Os defensores do crescimento verde e da sustentabilidade fraca apostam que sim, via tecnologia e eficiência; os decrescentistas (Serge Latouche, Jason Hickel, entre outros) argumentam que o desacoplamento absoluto e suficientemente veloz nunca foi observado em escala, e que confiar nele é uma aposta perigosa diante da urgência climática. As objeções ao decrescimento são igualmente sérias: a economia capitalista é institucionalmente dependente do crescimento (dívida, emprego, previdência), o que torna decrescer sem colapso um problema não resolvido; e há o risco de que a agenda, pensada para países ricos, seja usada para negar desenvolvimento aos países pobres. O decrescimento permanece, assim, mais uma crítica fértil e um programa de pesquisa do que uma política pronta, mas reintroduziu no centro do debate uma pergunta que a economia havia silenciado: crescer para quê, e até quando?
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir decrescimento com recessão ou miséria
Aplicar a receita aos países pobres
Veja também
Conceitos conectados
PIB
A soma de todos os bens e serviços finais que um país produz num período: o tamanho da economia resumido em um número.
Economia ecológica
A corrente que trata a economia como subsistema da biosfera: matéria e energia são finitas, e crescer para sempre num planeta limitado é a questão, não a resposta.
Nicholas Georgescu-Roegen
O romeno-americano (1906-1994) que ligou a economia à física: toda produção consome recursos de baixa entropia e devolve calor e lixo, e por isso o crescimento eterno num planeta finito é impossível. Fundador da economia ecológica.
Conceito oposto
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Perguntas frequentes
O que é decrescimento? +
É a corrente que defende reduzir deliberadamente a produção e o consumo nos países ricos para respeitar os limites ecológicos do planeta, questionando a ideia de que o crescimento do PIB deve ser perseguido para sempre. Não prega miséria, mas viver melhor com menos: menos trabalho, menos consumo supérfluo, mais igualdade e tempo.
Decrescimento é o mesmo que defender a pobreza? +
Não. Recessão é queda não planejada e destrutiva; decrescimento é uma redução deliberada e redistributiva de setores supérfluos, voltada para o bem-estar. A agenda é pensada para economias ricas com excesso de consumo, não para países pobres que ainda precisam crescer, ressalva que os próprios autores costumam fazer.
Fontes e referências
- Acadêmica The Entropy Law and the Economic Process - Nicholas Georgescu-Roegen (1971)
- Acadêmica Frase sobre crescimento exponencial em mundo finito - Kenneth Boulding
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