No dia a dia
O que é, em palavras simples
A teoria dizia que todo recurso comum (o pasto, o pesqueiro, a água) estava condenado: cada usuário abusa, ninguém preserva, e a tragédia dos comuns só se evita privatizando ou estatizando. Elinor Ostrom foi conferir no mundo real e encontrou outra coisa: comunidades de pescadores, irrigantes e pastores governando seus comuns por séculos, com regras próprias, monitoramento mútuo e sanções graduais. Nem mercado, nem Estado: instituições locais. A primeira mulher a ganhar o Nobel de economia (2009) era cientista política, e mudou a economia com trabalho de campo.
No seu bolso
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01
A tragédia anunciada
Teoria: o comum está condenado
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02
Campo (décadas)
Comunidades governando comuns há séculos
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03
Princípios (1990)
O desenho institucional que funciona
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04
Nobel (2009)
A terceira via entre Estado e mercado
Indo mais fundo
Como funciona
Os princípios do desenho
De centenas de casos no mundo, Governing the Commons (1990) destilou os princípios das gestões que duram: fronteiras claras (quem usa, o que se usa), regras adaptadas ao lugar, participação dos usuários na mudança das regras, monitoramento por gente que responde à comunidade, sanções graduais (advertir antes de expulsar), resolução barata de conflitos e reconhecimento externo do arranjo. Onde os princípios valem, o comum sobrevive; onde faltam, a tragédia volta a ser boa previsão.
Contra as panaceias
A lição metodológica de Ostrom é a guerra às soluções únicas: nem o mercado, nem o Estado, nem a comunidade funcionam sempre; o que funciona é o ajuste fino entre a instituição e o problema, descoberto empiricamente. Sua oficina em Indiana (com o marido Vincent) fundou a análise institucional aplicada que hoje estuda de sistemas de irrigação no Nepal à governança da internet e do clima, o policentrismo: muitos centros de decisão parcialmente independentes, em vez do desenhista único.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O programa de Ostrom ataca a inevitabilidade dos modelos de Hardin e do dilema do prisioneiro com a distinção que os manuais pulavam: recursos de uso comum não são bens de acesso livre quando há comunidade capaz de excluir externos e de se autorregular, e a capacidade de comunicação, reputação e reciprocidade transforma o jogo, resultado que ela demonstrou também em laboratório, com experimentos em que a simples conversa eleva dramaticamente a cooperação. A obra reposiciona a tragédia dos comuns de lei natural a caso particular: o que ocorre quando as instituições do meio-termo são impossíveis ou foram destruídas, frequentemente pelo próprio Estado centralizador que prometia evitá-la.
O Nobel de 2009 (dividido com Williamson, o teórico das firmas e contratos, num prêmio dedicado à governança econômica) consagrou um método tanto quanto uma tese: trabalho de campo comparativo em escala, o IAD framework (análise institucional e desenvolvimento) como gramática para descrever arranjos, e a recusa de panaceias como conclusão científica, não como tibieza. A agenda herdeira é vasta: gestão policêntrica do clima (seu último grande tema: não esperar o acordo global único, multiplicar arranjos em todas as escalas), commons digitais (software livre e Wikipedia como comuns de Ostrom em silício), recursos pesqueiros e florestais com cogestão comunitária documentada da Amazônia ao Pacífico. Na rede deste dicionário, Ostrom é o contraponto empírico à tragédia dos comuns, a melhor amiga institucional dos bens comuns, e a prova de que a fronteira entre economia e ciência política é, como ela diria, uma fronteira mal desenhada.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler Ostrom como romântica da comunidade
Reduzi-la a "nem Estado nem mercado"
Conceito oposto
Conceitos conectados
Veja também
Conceitos conectados
Bens comuns
Recursos compartilhados de uso comum, como pastos, pesqueiros e florestas, que podem ser geridos de forma sustentável por regras coletivas.
Economia institucional
A escola que põe as instituições, as regras formais e informais que organizam a sociedade, no centro da explicação de por que alguns países prosperam e outros não.
Perguntas frequentes
O que Elinor Ostrom provou? +
Que a tragédia dos comuns não é inevitável: comunidades reais governam recursos compartilhados por gerações com regras próprias, monitoramento mútuo e sanções graduais. De centenas de casos, destilou os princípios de desenho institucional que separam os comuns que duram dos que desabam.
Por que o Nobel de Ostrom foi um marco? +
Triplo: primeira mulher premiada em economia (2009), premiação de uma cientista política, e consagração do trabalho de campo comparativo como método econômico. O prêmio reconheceu a governança como terceira via empírica entre a privatização e a estatização.
Fontes e referências
- Acadêmica Governing the Commons - Elinor Ostrom (1990)
- Acadêmica Prêmio Nobel de Economia 2009: Elinor Ostrom - Nobel Prize (2009)
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