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Mercado financeiro Nível 3 Intermediário

Marcação a mercado

também conhecido como: mark to market, precificação a mercado, MtM

A regra que atualiza diariamente o valor dos ativos pelo preço de mercado: o motivo de um título seguro do Tesouro aparecer no vermelho sem nenhum calote à vista.

Redação Blog do Brasil atualizado em 10 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Você compra um título do Tesouro que promete pagar exatamente o combinado no vencimento. Semanas depois, o extrato mostra prejuízo. Calote? Não: marcação a mercado. Seu título é reavaliado todos os dias pelo preço que ele teria se fosse vendido hoje, e esse preço oscila com os juros. A regra parece maldade, mas é proteção: mostra a verdade do dia. O combinado no vencimento continua de pé; o vermelho do extrato é o preço de sair antes da hora.

No seu bolso

O Tesouro IPCA longo comprado para a aposentadoria pode mostrar queda de dois dígitos num ano de alta de juros: quem entende a marcação segura; quem não entende, vende no pior dia.
Anatomia do conceito

A gangorra de juros e preços

Juros de mercado sobem

  • Títulos antigos valem menos hoje
  • Extrato no vermelho sem calote

Juros de mercado caem

  • Títulos antigos se valorizam
  • Ganho acima da taxa contratada

Indo mais fundo

Como funciona

A gangorra dos juros

O mecanismo é uma gangorra: quando os juros de mercado sobem, os títulos antigos, que pagam as taxas de ontem, valem menos hoje (ninguém paga o preço cheio por um papel que rende menos que os novos); quando os juros caem, os títulos antigos se valorizam. Quanto mais longo o prazo do título, maior a oscilação. Por isso os papéis longos indexados ao IPCA são os que mais assustam no extrato, e os que mais premiam quando o vento vira.

Por que a regra existe

O Brasil aprendeu a lição em 2002, quando fundos que marcavam títulos "na curva" (fingindo que o preço não oscilava) quebraram a ilusão de uma vez, transferindo perdas de quem saiu cedo para quem ficou. Desde então, a marcação diária a mercado é obrigatória nos fundos e, mais recentemente, virou padrão também nos extratos de renda fixa das corretoras. O princípio: cada cotista entra e sai pelo preço justo do dia, sem subsidiar o vizinho.

Visão técnica

Visão técnica

A marcação a mercado é o princípio contábil-regulatório de avaliar ativos pelo valor justo corrente, em oposição à marcação na curva (custo amortizado pela taxa de aquisição). No Brasil, o divisor de águas foi 2002: a exigência, pelo Banco Central e pela CVM, de marcação imediata dos títulos nos fundos expôs perdas que a contabilidade na curva escondia, provocou corrida de resgates e fixou a doutrina vigente, depois consolidada pela autorregulação da ANBIMA: cotas diárias a valor justo são a única forma de equidade intertemporal entre cotistas, eliminando a transferência de riqueza de quem permanece para quem resgata com preços defasados.

Tecnicamente, a sensibilidade do preço ao juro é medida pela duration: a queda percentual aproximada do papel para cada ponto de alta na taxa, crescente com o prazo e decrescente com os cupons. Daí as consequências práticas: títulos longos de IPCA combinam duration alta com proteção inflacionária, a dupla que explica extratos dramáticos sem qualquer risco de crédito; e o investidor que carrega até o vencimento converte a volatilidade do caminho em irrelevância, recebendo a taxa contratada. As exceções regulatórias confirmam a lógica: bancos podem classificar títulos como mantidos até o vencimento (marcados na curva) quando há capacidade e intenção comprovadas de carregá-los, e a crise americana de 2023 (bancos quebrando ao vender, com prejuízo, carteiras contabilizadas na curva) reabriu o debate global sobre onde a exceção vira autoengano. No plano comportamental, a marcação diária tem custo conhecido: a aversão à perda transforma oscilação visível em decisão ruim, e o resgate no fundo do poço converte perda de tela em perda de verdade, o elo entre a regra contábil e a educação do investidor que este dicionário persegue.

No mercado

A crise da marcação de 2002 nos fundos brasileiros e os bancos americanos quebrando em 2023 com títulos na curva contam a mesma lição em décadas diferentes: o preço de esconder o preço.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir oscilação com calote

A marcação reflete os juros do dia, não a saúde do emissor. O título do Tesouro no vermelho segue pagando exatamente o combinado a quem o carrega até o vencimento: o prejuízo só se materializa na venda antecipada.

Escolher prazo longo sem aceitar a viagem

Quanto maior a duration, maior o chacoalhão pelo caminho. Títulos longos pertencem a objetivos longos e a investidores que não resgatarão no susto: o casamento entre prazo do papel e prazo do plano é a regra de ouro.

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Conceitos conectados

Perguntas frequentes

Por que meu título do Tesouro está no vermelho? +

Pela marcação a mercado: o título é reavaliado diariamente pelo preço de venda do dia, que cai quando os juros sobem (e vice-versa). Não há calote: quem carrega até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada. O vermelho é o preço de sair antes.

Por que a marcação a mercado é obrigatória? +

Por equidade: com cotas a preço justo do dia, cada investidor entra e sai pelo valor verdadeiro, sem transferir perdas ou ganhos aos demais. A crise brasileira de 2002, quando a marcação na curva escondeu perdas e quebrou a confiança nos fundos, fixou a regra.

Fontes e referências

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