No dia a dia
O que é, em palavras simples
Num refeitório, colocar a salada e a fruta no começo do balcão, na altura dos olhos, faz mais gente se servir delas. Ninguém foi proibido de comer batata frita; apenas se mudou a ordem das coisas. Esse empurrão suave é o que Richard Thaler e Cass Sunstein chamaram de nudge: um ajuste na forma como as opções aparecem, que orienta para escolhas melhores sem tirar a liberdade de escolher.
No seu bolso
Como influenciar uma decisão
Proibir ou obrigar
- ›Retira opções
- ›Muda incentivos por lei ou preço
Nudge
- ›Mantém todas as opções
- ›Muda só a forma de apresentar
Indo mais fundo
Como funciona
A arquitetura de escolha
Toda decisão acontece dentro de um contexto: a ordem das opções, o que vem marcado por padrão, como a informação é apresentada. Esse contexto é a arquitetura de escolha, e ele nunca é neutro. O nudge é o desenho deliberado dessa arquitetura para ajudar a pessoa a decidir no seu próprio interesse, preservando todas as alternativas.
O poder do padrão
O instrumento mais forte é a opção padrão (default). Quando a adesão a um plano de previdência da empresa é automática, com liberdade de sair, a poupança para a aposentadoria dispara, porque a inércia passa a jogar a favor. Thaler e Sunstein chamaram essa postura de paternalismo libertário: guiar sem obrigar.
Visão técnica
A leitura da escola Comportamental
O conceito foi popularizado por Richard Thaler, Nobel de 2017, e Cass Sunstein no livro Nudge (2008), com uma definição precisa:
"Um nudge é qualquer aspecto da arquitetura de escolha que altera o comportamento das pessoas de maneira previsível, sem proibir nenhuma opção nem mudar significativamente seus incentivos econômicos." (Richard Thaler e Cass Sunstein, Nudge, 2008)
A definição tem dois limites importantes embutidos: o nudge não proíbe (a liberdade de escolha permanece intacta) e não muda incentivos de forma relevante (não é um imposto nem um subsídio). Por isso seus autores o associam ao paternalismo libertário. O nudge parte dos achados da economia comportamental: como temos vieses e inércia, o modo de apresentar as opções influencia muito o resultado. Aplicações vão de poupança automática a doação de órgãos por opção padrão. Há também críticas relevantes: a fronteira entre orientar e manipular é tênue, e cabe perguntar quem define o que é a melhor escolha e com que transparência.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir nudge com obrigação
Achar que todo nudge é benigno
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Conceitos conectados
Vieses cognitivos
Atalhos mentais que distorcem decisões de forma sistemática: úteis para sobreviver, traiçoeiros na hora de lidar com dinheiro.
Incentivos
As recompensas e punições que moldam as decisões: entender os incentivos é entender por que as pessoas fazem o que fazem.
Economia comportamental
O ramo que junta economia e psicologia: as pessoas não decidem como o agente racional dos modelos, e seus vieses previsíveis moldam escolhas de consumo, poupança e investimento.
Richard Thaler
O americano (1945-) que transformou as anomalias humanas em programa econômico: contabilidade mental, nudges e a economia comportamental aplicada. Nobel de 2017.
Perguntas frequentes
O que é um nudge? +
É uma mudança na forma de apresentar as opções (a arquitetura de escolha) que orienta as pessoas a decisões melhores sem proibir nenhuma alternativa nem alterar significativamente os incentivos econômicos. O exemplo mais forte é a opção padrão, como a adesão automática a um plano de poupança.
O que é paternalismo libertário? +
É o nome que Thaler e Sunstein deram à filosofia por trás do nudge: paternalismo porque busca guiar a pessoa ao seu próprio bem, e libertário porque preserva toda a liberdade de escolha. Orienta sem obrigar.
Fontes e referências
- Acadêmica Nudge: O Empurrão para a Escolha Certa - Richard Thaler e Cass Sunstein (2008)
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