No dia a dia
O que é, em palavras simples
E se a economia funcionasse menos como um relógio em equilíbrio e mais como a natureza: variação, seleção, evolução? Richard Nelson e Sidney Winter construíram essa alternativa. Nela, as empresas não maximizam com cálculo perfeito: operam por rotinas (os jeitos de fazer que funcionaram até aqui, o DNA organizacional), inovam quando o aperto força a busca por rotinas novas, e o mercado faz a seleção: o que funciona cresce e é imitado, o que falha desaparece. An Evolutionary Theory of Economic Change (1982) virou a bíblia de quem estuda inovação.
No seu bolso
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01
Rotinas
O DNA organizacional: jeitos de fazer herdados
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02
Busca
O aperto força a procura de rotinas novas
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03
Seleção
O mercado amplia o que funciona
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04
Evolução
A indústria muda sem maximizador algum
Indo mais fundo
Como funciona
As três peças do modelo
Rotinas: a memória da firma mora no que ela faz repetidamente (produção, contratação, pesquisa), herdada e difícil de copiar, a ponte com Penrose e com a racionalidade limitada de Simon (de quem Winter foi aluno). Busca: insatisfeitas com o desempenho, firmas procuram rotinas melhores (imitação, P&D, tentativa e erro), a versão operacional do empreendedor de Schumpeter. Seleção: o ambiente competitivo amplia as bem-adaptadas e elimina as demais, sem que ninguém precise ser racional, basta o mercado funcionar como filtro.
A linhagem que o leitor pediu
O programa evolucionário institucionalizou-se exatamente nos centros que este portal registra no backlog: a SPRU de Sussex (Christopher Freeman, os sistemas nacionais de inovação) e a Sant'Anna de Pisa (Giovanni Dosi, os paradigmas tecnológicos), com a economia da inovação como campo aplicado: por que a tecnologia segue trajetórias, por que capacidades nacionais importam, por que política industrial é desenho de ecossistema e não escolha de campeões.
Visão técnica
A leitura da escola Evolucionária
A síntese de 1982, em atribuição indireta fiel ao texto, opera a fusão que dá nome à escola: de Schumpeter, a inovação como motor e o lucro como sinal temporário; de Simon, agentes de racionalidade limitada guiados por regras satisfatórias; da biologia, o aparato variação-herança-seleção com as rotinas no papel dos genes, replicadas com erro e selecionadas pelo lucro, modelado em simulações que antecipam a economia computacional. O programa devolve à teoria o que o equilíbrio expulsa: tempo histórico, heterogeneidade persistente entre firmas (documentada nos microdados de produtividade, onde a dispersão intra-setorial é o fato dominante) e a mudança técnica como processo endógeno e cumulativo, com dependência de trajetória.
A agenda herdeira é o mapa da economia da inovação contemporânea: paradigmas e trajetórias tecnológicas (Dosi), sistemas nacionais de inovação (Freeman, Lundvall, Nelson como organizador do volume comparativo de 1993), capacidades dinâmicas na estratégia (Teece, levando o programa às escolas de negócio) e a política industrial de terceira geração, que desenha instituições de busca (pesquisa pública, missões, difusão) em vez de proteger setores. O diálogo crítico com o mainstream segue aberto: o crescimento endógeno de Aghion e Howitt formalizou a destruição criadora dentro do equilíbrio, e os evolucionários respondem que o essencial (desequilíbrio, diversidade, seleção) escapa por construção. No grafo deste pilar, Nelson e Winter fecham o triângulo com Schumpeter e Penrose, dão a Simon sua descendência organizacional, e conectam o dicionário à linhagem Sussex-Sant'Anna que o leitor deste portal pediu para não esquecer.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Ler a seleção de mercado como otimização disfarçada
Reduzir a escola a metáfora biológica
Veja também
Conceitos conectados
Racionalidade limitada
O conceito de Herbert Simon: como mente, tempo e informação são limitados, não buscamos a decisão ótima, mas uma que seja boa o suficiente (o satisficing).
Destruição criativa
O conceito de Joseph Schumpeter: o capitalismo se renova destruindo o que existe, quando inovações varrem produtos, empresas e empregos antigos para criar novos.
Joseph Schumpeter
O austríaco (1883-1950) que pôs o empreendedor e a inovação no centro do capitalismo: o sistema avança destruindo o velho, e o monopólio de hoje é a inovação de ontem.
Victor Pelaez
O professor titular da UFPR que pesquisa economia da tecnologia e regulação: da biotecnologia à gestão da inovação, com manual publicado e a ponte ensino-propriedade intelectual.
Orlando Martinelli
O professor titular da UFSM dedicado à microeconomia heterodoxa, à economia industrial e à economia da tecnologia: a firma real, fora do equilíbrio, ensinada no sul do país.
Felipe Orsolin Teixeira
O professor da UFPR que pesquisa crescimento, economia brasileira e complexidade econômica: o que um país sabe produzir como chave do que ele pode vir a ser.
Ana Lúcia Tatsch
A professora da UFRGS que pesquisa economia industrial e da tecnologia: inovação, sistemas inovativos e arranjos produtivos locais, a herança de Schumpeter aplicada ao território.
Luisa Alem Ribeiro
A professora da UFRGS que cruza economia da inovação com economia da saúde: sistemas de inovação aplicados ao complexo da saúde, em chave brasileira.
Marcilene Aparecida Martins
A professora da UFRGS que une comércio internacional, economia da tecnologia e desenvolvimento: a tese de que vantagem comercial se constrói com capacidade técnica.
Ronivaldo Steingraber
O professor da UFSC que pesquisa a microeconomia do desenvolvimento por dentro: modelos neoschumpeterianos, economia institucional e racionalidade limitada como base de uma micro heterodoxa.
Jaylson Jair da Silveira
O professor da UFSC que modela a economia como população de agentes que aprendem: jogos evolucionários, macrodinâmica de ciclos e crescimento e simulação computacional.
Dominik Hartmann
O professor da UFSC que mede o que uma economia sabe fazer: complexidade econômica e como inovação, mudança estrutural e desigualdade se entrelaçam no desenvolvimento.
Pablo Felipe Bittencourt
O professor da UFSC que estuda como a inovação se organiza em rede: sistemas nacionais de inovação, arranjos produtivos locais e a relação universidade-empresa.
João Basilio Pereima Neto
O economista da UFPR que estuda crescimento, economia evolucionária e complexidade: a macroeconomia vista como sistema dinâmico de agentes heterogêneos, não como média sem atrito.
Ricardo Lobato Torres
O economista da UFPR que pesquisa política industrial e economia da inovação: a dinâmica das indústrias e o papel do Estado na trajetória da tecnologia, na tradição evolucionária.
Walter Tadahiro Shima
O professor titular da UFPR que pesquisa economia das tecnologias de informação, política industrial e defesa da concorrência: a fronteira onde inovação, mercado e regra se encontram.
Carolina Bagattolli
A economista da UFPR que faz a economia política da ciência e tecnologia: uma leitura crítica das políticas de inovação e do desenvolvimento na América Latina.
Wellington da Silva Pereira
O economista da UFPR que faz a crítica do desenvolvimento e do neoliberalismo: a economia política do comércio internacional vista da periferia, não do centro.
Júlio Eduardo Rohenkohl
O professor da UFSM que pesquisa instituições, inovação e desenvolvimento: a tradição de Schumpeter e dos evolucionários em produção brasileira, da economia industrial à mudança tecnológica.
Marcos Paulo Fuck
O professor da UFPR que pesquisa economia e tecnologia, inovação e economia agrícola: a tradição neo-schumpeteriana da mudança técnica, da política de ciência e tecnologia à propriedade intelectual, em produção brasileira.
Silvio Antônio Ferraz Cário
O professor do PPGEco da UFSC que pesquisa economia da inovação, reestruturação produtiva e aglomerações produtivas: o paradigma microdinâmico neo-schumpeteriano em produção brasileira.
Gilson Geraldino da Silva Júnior
O professor da UFSC que pesquisa economia da inovação, estrutura de mercado e produtividade: como a concorrência e a tecnologia afetam salários e firmas, em produção empírica.
Perguntas frequentes
O que é a teoria evolucionária de Nelson e Winter? +
A alternativa ao equilíbrio: firmas operam por rotinas (memória organizacional), buscam rotinas novas quando o desempenho aperta e o mercado seleciona as adaptadas, sem exigir racionalidade perfeita de ninguém. É Schumpeter mais Simon com mecânica darwiniana, publicada em 1982.
Onde a escola evolucionária vive hoje? +
Na economia da inovação: a SPRU de Sussex (Freeman, sistemas nacionais de inovação), a Sant'Anna de Pisa (Dosi, paradigmas tecnológicos), as capacidades dinâmicas na estratégia (Teece) e a política industrial que desenha ecossistemas de busca em vez de escolher campeões.
Fontes e referências
- Acadêmica An Evolutionary Theory of Economic Change - Richard Nelson e Sidney Winter (1982)
- Acadêmica National Innovation Systems: A Comparative Analysis - Richard Nelson (org.) (1993)
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