No dia a dia
O que é, em palavras simples
E se a unidade certa para entender a economia não fosse o país, mas o mundo inteiro? Essa é a virada de Immanuel Wallerstein. Para ele, desde o século 16 não existem economias nacionais isoladas que depois se conectam: existe um único sistema, a economia-mundo capitalista, e cada país ocupa uma posição dentro dele. Há um centro (rico, industrial, que comanda), uma periferia (pobre, fornecedora de matéria-prima e trabalho barato) e, no meio, uma semiperiferia, que é ao mesmo tempo explorada pelo centro e exploradora da periferia. Estudar um país sozinho, nessa visão, é como estudar um órgão fora do corpo: você perde justamente a relação que explica o que ele é.
No seu bolso
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01
Centro
Rico, industrial, comanda o sistema
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02
Semiperiferia
Explorada pelo centro, exploradora da periferia
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03
Periferia
Fornece matéria-prima e trabalho barato
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04
Um só sistema
A unidade de análise é o mundo, não o país
Indo mais fundo
Como funciona
A análise dos sistemas-mundo
Na obra O Moderno Sistema-Mundo, cujo primeiro volume saiu em 1974, Wallerstein argumentou que o capitalismo nasceu como um sistema mundial, e não como um fenômeno que começou na Inglaterra e se espalhou. A divisão do trabalho entre centro, semiperiferia e periferia é a estrutura permanente desse sistema: cada zona desempenha uma função, e a posição de um país pode mudar com o tempo, mas as posições em si (alguém no centro, alguém na periferia) não desaparecem. A semiperiferia é a peça que dá estabilidade ao sistema, porque amortece o conflito entre o topo e a base.
Diferença em relação à dependência
Wallerstein é próximo da teoria da dependência, mas marca uma diferença importante: a unidade de análise. A dependência ainda raciocina muito em termos de países (o país dependente, o país central); os sistemas-mundo deslocam o foco para o sistema inteiro, dentro do qual os países são posições, não atores autônomos. É uma mudança de lente que aproxima a economia da história de longa duração.
Visão técnica
A leitura da escola Sistemas-mundo
O projeto de Wallerstein é deliberadamente interdisciplinar e de longa duração, em atribuição indireta fiel à obra. Influenciado pela escola dos Annales e pelo historiador Fernand Braudel, ele rejeitava a separação entre economia, sociologia e história, e analisava o capitalismo na escala dos séculos: os ciclos de hegemonia (Holanda, depois Grã-Bretanha, depois Estados Unidos), as fases de expansão e contração, e o que ele via como a crise estrutural e o possível fim do sistema no horizonte do século 21. A crítica de praxe é substancial: historiadores econômicos questionam a datação do nascimento do capitalismo no século 16 e o peso atribuído ao comércio frente à produção; e a tese de que a periferia está estruturalmente presa esbarra, de novo, nos casos de mobilidade ascendente, como o Leste Asiático, que a própria categoria de semiperiferia tenta acomodar. Apesar disso, a análise dos sistemas-mundo tornou-se um campo próprio, com revistas e centros de pesquisa, e ofereceu às ciências sociais uma alternativa ao raciocínio que toma o Estado-nação como recipiente natural da economia. Professor em Binghamton e em Yale, Wallerstein influenciou de Giovanni Arrighi a gerações de pesquisadores do desenvolvimento. No grafo deste pilar, ele é o vértice dos sistemas-mundo, ligado a Samir Amin pela análise global e à dependência de Frank pela origem comum.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Estudar um país como se fosse uma economia fechada
Confundir sistemas-mundo com dependência simples
Veja também
Conceitos conectados
Globalização
A integração crescente das economias do mundo, pelo comércio, capital, tecnologia e pessoas: encurta distâncias e acirra interdependências.
Centro-periferia
O conceito de Raúl Prebisch e da CEPAL: a economia mundial se divide entre um centro industrial e uma periferia que exporta matérias-primas, e essa estrutura tende a se reproduzir.
Capitalismo
O sistema econômico baseado em propriedade privada, trabalho assalariado e mercados, em que a produção é guiada pela busca de lucro, não por um plano central.
Perguntas frequentes
O que é a análise dos sistemas-mundo? +
A abordagem de Immanuel Wallerstein que estuda o capitalismo como um único sistema mundial, e não país por país. Desde o século 16, esse sistema se organiza numa divisão do trabalho entre centro, semiperiferia e periferia, e a unidade de análise é o sistema inteiro, dentro do qual os países ocupam posições.
O que é a semiperiferia? +
A zona intermediária do sistema-mundo: países que são, ao mesmo tempo, explorados pelo centro e exploradores da periferia. Para Wallerstein, a semiperiferia dá estabilidade ao sistema, ao amortecer o conflito entre o topo rico e a base pobre.
Fontes e referências
- Acadêmica O Moderno Sistema-Mundo (The Modern World-System) - Immanuel Wallerstein (1974)
- Acadêmica World-Systems Analysis: An Introduction - Immanuel Wallerstein (2004)
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