No dia a dia
O que é, em palavras simples
Imagine uma economia que produz a mesma quantidade de bens de sempre, mas onde, de repente, dobra a quantidade de dinheiro no bolso de todos. Com o dobro de dinheiro disputando os mesmos produtos, os preços tendem a subir. No limite, dobram. O dinheiro passou a valer metade. Essa intuição simples é o coração da teoria quantitativa da moeda: o que sustenta o valor do dinheiro não é o papel, mas a relação entre a quantidade de moeda e o que a economia produz.
No seu bolso
Indo mais fundo
Como funciona
A equação de trocas
A formulação clássica, de Irving Fisher, é a equação de trocas: a quantidade de moeda (M) vezes a velocidade com que ela circula (V) é igual ao nível de preços (P) vezes o volume de transações (T). Se a velocidade e a produção são relativamente estáveis, sobra uma conclusão: variações na quantidade de moeda se traduzem em variações nos preços.
A base do monetarismo
Foi essa ideia que Milton Friedman ressuscitou no século 20 para fundamentar o monetarismo e a tese de que a inflação é, no fundo, um fenômeno monetário. A teoria quantitativa virou o alicerce da preocupação dos bancos centrais com o ritmo de crescimento da moeda. As críticas apontam que a velocidade nem sempre é estável, sobretudo no curto prazo, o que limita a previsão exata dos preços.
Como se calcula
A fórmula
M × V = P × T
- M
- Moeda - quantidade de dinheiro em circulação
- V
- Velocidade - número de vezes que cada unidade circula
- P
- Preços - nível geral de preços
- T
- Transações - volume de bens e serviços negociados
Visão técnica
A leitura da escola Monetarista
A versão moderna da teoria quantitativa da moeda foi sistematizada por Irving Fisher em The Purchasing Power of Money (1911), com a equação de trocas. A relação central, no longo prazo, é resumida pelo próprio Fisher:
"Permanecendo o resto constante, quando a quantidade de moeda em circulação aumenta, o nível de preços aumenta na mesma proporção, e o valor da moeda diminui, e vice-versa." (Irving Fisher, O Poder de Compra da Moeda, 1911)
A equação MV = PT é uma identidade contábil; ela vira teoria quando se supõe que V (velocidade) e T (transações) são razoavelmente estáveis, de modo que M comanda P. Milton Friedman reformulou a ideia em termos de demanda por moeda e fez dela a base do monetarismo. As principais ressalvas vêm dos keynesianos, que apontam que a velocidade da moeda varia (sobretudo em crises e armadilhas da liquidez) e que, no curto prazo, produto e emprego também reagem. Ainda assim, a noção de que emitir moeda muito acima do crescimento da economia gera inflação é um dos consensos mais sólidos da macroeconomia.
No mercado
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Mitos e erros comuns
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Veja também
Conceitos conectados
Inflação
A perda contínua do poder de compra do dinheiro: com o tempo, a mesma quantia compra menos.
Massa monetária
A quantidade total de dinheiro em circulação numa economia: do papel-moeda aos depósitos, é a matéria-prima do debate sobre a inflação.
Monetarismo
A escola de Milton Friedman: a quantidade de moeda é a chave da inflação, e a política monetária, mais que a fiscal, é o instrumento central da economia.
Milton Friedman
O economista americano (1912-2006) que liderou a contrarrevolução ao keynesianismo: a inflação como fenômeno monetário, a taxa natural de desemprego e a defesa do mercado.
Irving Fisher
O americano (1867-1947) que fundou a macroeconomia monetária: equação de trocas, juro real, deflação de dívidas. E o autor da previsão mais infeliz da história das finanças.
Perguntas frequentes
O que diz a teoria quantitativa da moeda? +
Que o nível de preços depende da quantidade de moeda em circulação. Pela equação de trocas (MV = PT), se a velocidade da moeda e o volume de transações são estáveis, aumentar a quantidade de dinheiro eleva os preços na mesma proporção. É a base da visão monetarista da inflação.
A teoria quantitativa sempre se confirma? +
No longo prazo, o elo entre moeda e inflação é robusto. No curto prazo, é mais frouxo: a velocidade da moeda varia (especialmente em crises) e a produção também reage, o que limita a precisão da previsão. Por isso ela é mais uma tendência do que uma lei automática.
Fontes e referências
- Acadêmica The Purchasing Power of Money - Irving Fisher (1911)
- Acadêmica Uma História Monetária dos Estados Unidos - Milton Friedman e Anna Schwartz (1963)
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