No dia a dia
O que é, em palavras simples
A escola austríaca nasceu em Viena, no fim do século 19, com Carl Menger, e se notabilizou com Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Sua marca é desconfiar de planos centrais e de fórmulas matemáticas fechadas. O ponto de partida é simples e poderoso: ninguém, nem o governo, nem o melhor computador, tem toda a informação da economia. Ela está espalhada na cabeça de milhões de pessoas, e o mercado, pelos preços, é o que consegue reuni-la.
No seu bolso
Quem coordena a economia
Planejamento central
- ›Uma autoridade decide
- ›Pressupõe reunir toda a informação
Mercado (visão austríaca)
- ›Informação fica dispersa
- ›Preços coordenam a descoberta
Indo mais fundo
Como funciona
Valor subjetivo e ação humana
Para os austríacos, o valor é sempre subjetivo: depende do que cada pessoa quer, aqui e agora. E a economia deve partir do indivíduo que age, com seus fins e meios, não de grandes agregados estatísticos. Daí o ceticismo com modelos que tratam a economia como uma máquina previsível.
O conhecimento disperso
A contribuição mais célebre da escola é a ideia de que o conhecimento relevante nunca está concentrado num lugar só. O sistema de preços funciona como um imenso mecanismo de comunicação: quando o tomate fica escasso, o preço sobe e avisa a todos, sem que ninguém precise saber o motivo. É por isso que, para os austríacos, planejar a economia de cima é uma tarefa impossível.
Visão técnica
A leitura da escola Austríaca
O coração teórico da escola austríaca é o problema do conhecimento, formulado por Friedrich Hayek:
"O conhecimento das circunstâncias de que precisamos fazer uso nunca existe de forma concentrada ou integrada, mas apenas como fragmentos dispersos de um conhecimento incompleto e muitas vezes contraditório que todos os indivíduos isolados possuem." (Friedrich Hayek, O Uso do Conhecimento na Sociedade, 1945)
Dessa premissa derivam as posições austríacas: o subjetivismo do valor (Menger), a economia como ciência da ação humana (Mises), a teoria dos ciclos provocados por crédito barato que distorce o investimento ao longo do tempo, e a recusa em reduzir a economia a equilíbrios e agregados. A escola austríaca compartilha com a neoclássica a defesa do mercado, mas diverge no método: rejeita a matematização e enxerga o mercado menos como um ponto de equilíbrio e mais como um processo dinâmico de descoberta. Sua influência é grande no pensamento liberal contemporâneo.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir austríaca com neoclássica
Tratar a escola como pura ideologia
Veja também
Conceitos conectados
Concorrência
A disputa entre vendedores pelo cliente: a força que pressiona preços para baixo, melhora a qualidade e empurra a inovação, sem ninguém comandar.
Monetarismo
A escola de Milton Friedman: a quantidade de moeda é a chave da inflação, e a política monetária, mais que a fiscal, é o instrumento central da economia.
Escola neoclássica
A corrente dominante da economia moderna: o valor vem da utilidade da última unidade consumida (a margem), e o preço nasce do encontro entre oferta e demanda.
Friedrich Hayek
O austríaco (1899-1992) que fez do conhecimento o centro da economia: nenhum planejador reúne a informação que os preços coordenam. Rival de Keynes, Nobel de 1974.
Carl Menger
O austríaco (1840-1921) que fundou a escola de Viena: o valor é subjetivo, nasce na margem e nas escolhas individuais. Um dos três pais da revolução marginalista.
Ludwig von Mises
O austríaco (1881-1973) que, em 1920, lançou o desafio que assombrou o século: sem preços de mercado, a economia planejada não tem como calcular o que produzir. Mestre de Hayek e teórico da ação humana.
Perguntas frequentes
Quem são os principais autores da escola austríaca? +
Carl Menger, que a fundou em Viena, e depois Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, seus nomes mais influentes. Hayek recebeu o Nobel de Economia em 1974.
Qual a diferença entre a escola austríaca e a neoclássica? +
Ambas defendem o mercado, mas divergem no método. A neoclássica formaliza a economia em modelos matemáticos e equilíbrios; a austríaca rejeita essa abordagem e vê o mercado como um processo dinâmico de descoberta de informação dispersa.
Fontes e referências
- Acadêmica O Uso do Conhecimento na Sociedade - Friedrich Hayek (1945)
- Acadêmica Ação Humana - Ludwig von Mises (1949)
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