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Indicadores econômicos Nível 2 Básico

Índice de Gini

também conhecido como: coeficiente de Gini, gini

O indicador que resume a desigualdade de renda de um país num número entre 0 e 1: quanto mais perto de 1, mais concentrada a renda está no topo.

Redação Blog do Brasil atualizado em 29 de junho de 2026

No dia a dia

O que é, em palavras simples

Como comparar a desigualdade do Brasil com a da Noruega ou a da África do Sul? Olhar só a renda média engana: dois países com a mesma média podem ser um razoavelmente igualitário e outro brutalmente concentrado. O índice de Gini resolve isso resumindo a distribuição inteira num único número entre 0 e 1. No extremo do 0, todos têm exatamente a mesma renda. No extremo do 1, uma única pessoa fica com tudo. Países reais vivem entre os dois polos, e o Brasil historicamente aparece entre os mais desiguais do mundo.

No seu bolso

Quando o noticiário diz que a desigualdade caiu ou subiu no ano, a referência costuma ser o índice de Gini apurado nas pesquisas domiciliares do IBGE.
Anatomia do conceito

Os dois extremos da régua

Gini próximo de 0

  • Renda distribuída por igual
  • Curva real cola na linha da igualdade

Gini próximo de 1

  • Renda concentrada no topo
  • Curva real se afasta ao máximo

Indo mais fundo

Como funciona

Como o número é construído

A ideia vem de comparar a distribuição real de renda com uma distribuição perfeitamente igual. Ordena-se a população do mais pobre ao mais rico e observa-se quanto da renda total cada fatia acumula: se os 50% mais pobres ficam com muito menos da metade da renda, a curva real se afasta da linha da igualdade perfeita. O índice de Gini mede exatamente o tamanho desse afastamento.

O que ele mostra e o que esconde

A força do Gini é a comparabilidade: um número para cada país e cada ano permite acompanhar se a desigualdade sobe ou cai. A limitação é a mesma de todo resumo: distribuições diferentes podem gerar o mesmo Gini, e o índice diz pouco sobre onde a concentração acontece, se no topo ou na base. Por isso analistas o combinam com outras medidas, como a fatia de renda do 1% mais rico.

Visão técnica

Visão técnica

O coeficiente foi proposto pelo estatístico italiano Corrado Gini em 1912, no trabalho Variabilità e mutabilità, como medida geral de dispersão, e consagrou-se aplicado à distribuição de renda em conjunto com a curva de Lorenz: o Gini equivale à razão entre a área que separa a curva de Lorenz da linha de perfeita igualdade e a área total sob essa linha. No Brasil, é apurado a partir das pesquisas domiciliares do IBGE, como a PNAD Contínua, e acompanhado por instituições como o IPEA e o Banco Mundial.

Três cuidados técnicos importam. Primeiro, o Gini calculado sobre renda do trabalho difere do calculado sobre renda total ou sobre riqueza, que costuma ser muito mais concentrada. Segundo, pesquisas domiciliares captam mal os rendimentos do topo, o que tende a subestimar a desigualdade; estudos que combinam dados tributários encontram concentração maior. Terceiro, o índice é sensível ao meio da distribuição e relativamente insensível aos extremos, uma razão técnica para complementá-lo com medidas de fatia do topo. Nada disso tira sua utilidade: como série histórica comparável, o Gini segue sendo a régua padrão da desigualdade no debate econômico.

No mercado

Organismos como Banco Mundial e IPEA usam o Gini para comparar países e décadas: é assim que se afirma, com base comum, que o Brasil está entre os países mais desiguais.

Atenção

Mitos e erros comuns

Ler o Gini como nível de pobreza

Gini mede concentração, não pobreza. Um país pobre pode ter renda mal distribuída ou bem distribuída; um país rico também. Desigualdade e pobreza andam juntas com frequência, mas são medidas distintas.

Achar que um número conta toda a história

Distribuições diferentes podem produzir o mesmo Gini, e o índice capta mal o extremo topo da renda. Por isso ele deve ser lido ao lado de outras medidas, como a fatia do 1% mais rico.

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Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que significa o índice de Gini? +

É uma medida de desigualdade que varia de 0 a 1. No 0, todos têm a mesma renda; no 1, uma só pessoa concentra tudo. Quanto maior o número, mais desigual é a distribuição. Ele permite comparar países e acompanhar a desigualdade ao longo do tempo.

O índice de Gini tem limitações? +

Sim. Distribuições diferentes podem gerar o mesmo valor, o índice é pouco sensível aos extremos e as pesquisas domiciliares captam mal a renda do topo, o que tende a subestimar a concentração real. Por isso ele costuma ser combinado com outras medidas.

Fontes e referências

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