No dia a dia
O que é, em palavras simples
Como comparar a desigualdade do Brasil com a da Noruega ou a da África do Sul? Olhar só a renda média engana: dois países com a mesma média podem ser um razoavelmente igualitário e outro brutalmente concentrado. O índice de Gini resolve isso resumindo a distribuição inteira num único número entre 0 e 1. No extremo do 0, todos têm exatamente a mesma renda. No extremo do 1, uma única pessoa fica com tudo. Países reais vivem entre os dois polos, e o Brasil historicamente aparece entre os mais desiguais do mundo.
No seu bolso
Os dois extremos da régua
Gini próximo de 0
- ›Renda distribuída por igual
- ›Curva real cola na linha da igualdade
Gini próximo de 1
- ›Renda concentrada no topo
- ›Curva real se afasta ao máximo
Indo mais fundo
Como funciona
Como o número é construído
A ideia vem de comparar a distribuição real de renda com uma distribuição perfeitamente igual. Ordena-se a população do mais pobre ao mais rico e observa-se quanto da renda total cada fatia acumula: se os 50% mais pobres ficam com muito menos da metade da renda, a curva real se afasta da linha da igualdade perfeita. O índice de Gini mede exatamente o tamanho desse afastamento.
O que ele mostra e o que esconde
A força do Gini é a comparabilidade: um número para cada país e cada ano permite acompanhar se a desigualdade sobe ou cai. A limitação é a mesma de todo resumo: distribuições diferentes podem gerar o mesmo Gini, e o índice diz pouco sobre onde a concentração acontece, se no topo ou na base. Por isso analistas o combinam com outras medidas, como a fatia de renda do 1% mais rico.
Visão técnica
Visão técnica
O coeficiente foi proposto pelo estatístico italiano Corrado Gini em 1912, no trabalho Variabilità e mutabilità, como medida geral de dispersão, e consagrou-se aplicado à distribuição de renda em conjunto com a curva de Lorenz: o Gini equivale à razão entre a área que separa a curva de Lorenz da linha de perfeita igualdade e a área total sob essa linha. No Brasil, é apurado a partir das pesquisas domiciliares do IBGE, como a PNAD Contínua, e acompanhado por instituições como o IPEA e o Banco Mundial.
Três cuidados técnicos importam. Primeiro, o Gini calculado sobre renda do trabalho difere do calculado sobre renda total ou sobre riqueza, que costuma ser muito mais concentrada. Segundo, pesquisas domiciliares captam mal os rendimentos do topo, o que tende a subestimar a desigualdade; estudos que combinam dados tributários encontram concentração maior. Terceiro, o índice é sensível ao meio da distribuição e relativamente insensível aos extremos, uma razão técnica para complementá-lo com medidas de fatia do topo. Nada disso tira sua utilidade: como série histórica comparável, o Gini segue sendo a régua padrão da desigualdade no debate econômico.
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Mitos e erros comuns
Ler o Gini como nível de pobreza
Achar que um número conta toda a história
Veja também
Conceitos conectados
Desenvolvimento econômico
A transformação que melhora de forma duradoura a vida de uma população: mais do que crescer o PIB, é mudar a estrutura econômica e ampliar liberdades.
Desigualdade
A distribuição desigual de renda ou riqueza numa sociedade, medida por índices como o de Gini: um número entre a igualdade total e a concentração absoluta.
Renda per capita
A renda total de um país dividida pela sua população: uma média útil para comparar economias, mas que esconde como a renda realmente se reparte.
Amartya Sen
O indiano (1933-) que redefiniu pobreza e desenvolvimento: não falta de renda, mas de capacidades e liberdades. Pai intelectual do IDH, Nobel de 1998.
Perguntas frequentes
O que significa o índice de Gini? +
É uma medida de desigualdade que varia de 0 a 1. No 0, todos têm a mesma renda; no 1, uma só pessoa concentra tudo. Quanto maior o número, mais desigual é a distribuição. Ele permite comparar países e acompanhar a desigualdade ao longo do tempo.
O índice de Gini tem limitações? +
Sim. Distribuições diferentes podem gerar o mesmo valor, o índice é pouco sensível aos extremos e as pesquisas domiciliares captam mal a renda do topo, o que tende a subestimar a concentração real. Por isso ele costuma ser combinado com outras medidas.
Fontes e referências
- Acadêmica Variabilità e mutabilità - Corrado Gini (1912)
- Primária Síntese de Indicadores Sociais - IBGE
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