No dia a dia
O que é, em palavras simples
Pense em alguém que aperta o mesmo parafuso o dia inteiro, numa peça que faz parte de um produto que nunca verá pronto, e que pertence a outra pessoa. O trabalho, que poderia ser uma forma de a pessoa se realizar, vira só um meio de sobreviver, algo de fora, quase hostil. Foi esse fenômeno que o jovem Karl Marx, em 1844, chamou de alienação do trabalho: o trabalhador não se reconhece naquilo que produz.
No seu bolso
Duas relações com o trabalho
Trabalho como realização
- ›A pessoa se reconhece no que faz
- ›Controla e dá sentido ao trabalho
Trabalho alienado
- ›O produto é alheio e domina
- ›O trabalho vira só meio de sobreviver
Indo mais fundo
Como funciona
Quatro faces da alienação
Marx descreveu a alienação em camadas. O trabalhador é alienado do produto, que é de outro e quanto mais o enriquece, mais o empobrece; do próprio ato de trabalhar, que não escolhe nem controla; da sua natureza, já que o trabalho deixa de ser realização e vira só sustento; e dos outros, transformados em concorrentes. O que deveria ser uma atividade humana central torna-se estranho a quem a faz.
O paradoxo central
O ponto mais agudo é o paradoxo da riqueza: quanto mais o trabalhador produz, mais o mundo dos objetos cresce diante dele, e mais ele próprio se empobrece, material e humanamente. A alienação é o conceito do jovem Marx que prepara o terreno para os conceitos econômicos maduros de mais-valia e fetichismo da mercadoria.
Visão técnica
A leitura da escola Marxista
A alienação do trabalho é desenvolvida nos Manuscritos Econômico-Filosóficos (1844), obra do jovem Marx ainda fortemente influenciado por Hegel e Feuerbach. O paradoxo central aparece assim:
"O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão." (Karl Marx, Manuscritos Econômico-Filosóficos, 1844)
Para Marx, o trabalho é a atividade pela qual o ser humano se realiza e transforma o mundo. Sob o capitalismo, porém, ele se inverte: o trabalho é externo ao trabalhador, não pertence à sua essência, e por isso ele não se afirma, mas se nega no que faz. O produto do seu trabalho se torna um poder estranho que o domina. Esse conceito filosófico do jovem Marx é a raiz humanista de sua obra posterior: a mais-valia explicará economicamente de onde vem a riqueza apropriada, e o fetichismo da mercadoria mostrará por que essa relação fica encoberta. Há um debate clássico sobre a continuidade entre o jovem Marx da alienação e o Marx maduro de O Capital.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Confundir com estar distraído
Reduzir a insatisfação pessoal
Veja também
Conceitos conectados
Mais-valia
Na teoria de Marx, o valor que o trabalhador produz além do que recebe em salário e que é apropriado pelo dono do capital: a fonte do lucro.
Marxismo
A crítica de Karl Marx ao capitalismo: a história é movida por conflitos de classe, e o lucro nasce do trabalho não pago dos trabalhadores (a mais-valia).
Fetichismo da mercadoria
O conceito de Marx para o efeito que faz uma relação entre pessoas, o trabalho de cada um, aparecer como se fosse uma propriedade natural das coisas e dos seus preços.
Karl Marx
O filósofo alemão (1818-1883) que fez a crítica mais influente do capitalismo: O Capital analisa o sistema pela lente do conflito entre quem trabalha e quem emprega.
Perguntas frequentes
O que é alienação do trabalho? +
É o conceito do jovem Marx para a situação em que o trabalhador não se reconhece no que produz. O trabalho lhe é externo, o produto pertence a outro, e a atividade que deveria realizar a pessoa vira apenas um meio de sobrevivência.
Qual a relação com a mais-valia? +
A alienação é o conceito filosófico do jovem Marx (1844); a mais-valia é a explicação econômica madura (O Capital, 1867). A primeira descreve a experiência de separação do trabalhador; a segunda, de onde vem economicamente a riqueza que lhe é apropriada.
Fontes e referências
- Acadêmica Manuscritos Econômico-Filosóficos - Karl Marx (1844)
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