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Carlota Perez

também conhecido como: Perez, Carlota Perez

A venezuelana (1939-) que mostrou um padrão na história: cada revolução tecnológica vem com uma bolha financeira na entrada e uma era de ouro depois, se a política souber redirecionar o capital.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Evolucionária

No dia a dia

O que é, em palavras simples

As grandes tecnologias (a ferrovia, o automóvel, a internet) parecem chegar de surpresa, mas Carlota Perez encontrou nelas um padrão que se repete há mais de dois séculos. Toda revolução tecnológica, mostra ela, passa por duas fases. Primeiro vem a instalação: a nova tecnologia surge, o capital financeiro se empolga, despeja dinheiro nela e infla uma bolha, que estoura (as ferrovias britânicas, a bolha das pontocom). O estouro parece um fracasso, mas é parte do processo: ele baixa os preços e espalha a tecnologia. Depois, se a sociedade ajustar suas regras e instituições, vem a fase de implantação, a era de ouro, em que a tecnologia se difunde por toda a economia e melhora a vida de muita gente. A crise no meio do caminho, nessa leitura, não é o fim, é a dobradiça entre a febre especulativa e o uso produtivo.

No seu bolso

A bolha das pontocom de 2000 parecia só um desastre, mas deixou cabos, data centers e gente treinada que a internet de hoje usa. É a dobradiça de Perez: a febre especulativa custou caro e, ao estourar, espalhou a tecnologia que veio depois.
Anatomia do conceito
  1. 01

    Irrupção

    A nova tecnologia surge

  2. 02

    Frenesi e bolha

    O capital financeiro se empolga e infla

  3. 03

    Crise (a dobradiça)

    O estouro espalha a tecnologia

  4. 04

    Era de ouro

    Difusão ampla, se as instituições ajudarem

Indo mais fundo

Como funciona

Paradigmas tecno-econômicos

Em Technological Revolutions and Financial Capital (2002), Perez sistematizou a ideia de paradigma tecno-econômico: cada revolução (a do vapor, a do aço e da eletricidade, a do petróleo e do automóvel, a da informação) não traz só máquinas novas, mas um novo bom senso sobre como organizar empresas, trabalho e consumo. A difusão desse paradigma segue um ciclo de cerca de meio século, dividido pela crise financeira que separa a fase de instalação (liderada pelo capital financeiro e pela especulação) da fase de implantação (liderada pelo capital produtivo e pela difusão ampla).

O papel da política

O ponto político de Perez é decisivo e otimista: a passagem da bolha para a era de ouro não é automática. Depende de a sociedade construir as instituições que redirecionam o capital da especulação para o investimento produtivo e que distribuem os ganhos. A era de ouro do pós-guerra, por exemplo, exigiu o Estado de bem-estar, a regulação financeira e o consumo de massa. Sem esse ajuste, a tecnologia existe, mas seu potencial se desperdiça.

Visão técnica

A leitura da escola Evolucionária

Perez combina a tradição de Schumpeter com a de Christopher Freeman, de quem foi colaboradora, em atribuição indireta fiel à obra. De Schumpeter vem a destruição criativa e a inovação como motor; de Freeman, a ideia de que a tecnologia se difunde através de sistemas e instituições, não isoladamente. A originalidade dela é casar o ciclo tecnológico com o ciclo financeiro: mostrar que a euforia especulativa não é só um erro a evitar, mas o mecanismo, custoso, pelo qual o capital financia o que ninguém sabe ainda se vai dar certo, e que a tarefa da política é colher o que a bolha plantou. Sua leitura ofereceu uma narrativa esperançosa para a era digital: se a bolha das pontocom de 2000 e a crise de 2008 marcaram o fim da instalação da revolução da informação, então a era de ouro dela ainda estaria por vir, condicionada a um novo arranjo institucional (verde e digital, na sua aposta mais recente). A crítica de praxe questiona o grau de regularidade do padrão (cada revolução tem singularidades que um esquema de meio século pode achatar) e o risco de determinismo. Mas a estrutura de Perez virou ferramenta de governos e investidores para pensar política industrial e de inovação, e dialoga diretamente com Mariana Mazzucato sobre o papel do Estado em moldar a direção da mudança técnica. No grafo deste pilar, Perez liga Schumpeter e a destruição criativa à bolha especulativa e ao ciclo.

No mercado

Investidores e governos usam o esquema de Perez para situar onde estamos no ciclo da revolução digital: se a fase de instalação (e suas bolhas) terminou, a aposta é numa era de ouro que depende de novas instituições, hoje associadas à transição verde.

Atenção

Mitos e erros comuns

Ver a bolha apenas como erro a evitar

Para Perez, a euforia especulativa é custosa, mas é também o mecanismo que financia o incerto e espalha a tecnologia. Tratá-la só como desastre perde o papel que ela cumpre na transição entre a invenção e o uso produtivo.

Achar que a era de ouro vem sozinha

A passagem da bolha para a difusão ampla não é automática: depende de instituições que redirecionem o capital e distribuam os ganhos. Sem esse ajuste político, o potencial da tecnologia se desperdiça.

Veja também

Conceitos conectados

Perguntas frequentes

O que é um paradigma tecno-econômico? +

O conceito de Carlota Perez para o conjunto de tecnologias e de novas formas de organizar empresas, trabalho e consumo que cada revolução tecnológica traz. Sua difusão segue um ciclo de cerca de meio século, dividido por uma crise financeira entre a fase de instalação e a de implantação.

Por que toda revolução tecnológica tem uma bolha? +

Porque, na fase de instalação, o capital financeiro se empolga com a novidade e infla os preços, até estourar. Para Perez, esse estouro, embora custoso, espalha a tecnologia e prepara a era de ouro seguinte, desde que as instituições redirecionem o capital para o uso produtivo.

Fontes e referências

  • Fonte Carlota Perez (site oficial) - Carlota Perez (2002)
  • Acadêmica Technological Revolutions and Financial Capital - Carlota Perez (2002)

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