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Comércio internacional Nível 4 Avançado

Centro-periferia

também conhecido como: modelo centro-periferia, centro e periferia

O conceito de Raúl Prebisch e da CEPAL: a economia mundial se divide entre um centro industrial e uma periferia que exporta matérias-primas, e essa estrutura tende a se reproduzir.

Redação Blog do Brasil atualizado em 16 de junho de 2026 escola Estruturalista

No dia a dia

O que é, em palavras simples

O Brasil exporta soja, minério e petróleo, e importa chips, máquinas e remédios. Esse padrão se repete em boa parte do Sul global, e não por acaso. Foi o economista argentino Raúl Prebisch, à frente da CEPAL nos anos 1950, quem deu nome a ele: a economia mundial funcionaria como um sistema de centro e periferia. No centro, os países que industrializaram primeiro e produzem tecnologia; na periferia, os que fornecem matérias-primas. E essa divisão, longe de se corrigir sozinha com o tempo, tende a se perpetuar.

No seu bolso

Quem vende café em grão e compra a cafeteira importada vive a lógica centro-periferia: exporta o produto barato e importa o caro, feito com tecnologia.
Anatomia do conceito

Os dois polos do sistema

Centro

  • Produz e exporta indústria e tecnologia
  • Retém os ganhos de produtividade

Periferia

  • Produz e exporta matérias-primas
  • Perde nos termos de troca

Indo mais fundo

Como funciona

Progresso técnico desigual

Para Prebisch, a chave está em como o progresso técnico se espalha. No centro, os ganhos de produtividade ficam em casa, na forma de salários e lucros mais altos. Na periferia, parte desses ganhos escapa pela queda nos preços das matérias-primas exportadas. O resultado é uma tendência de deterioração dos termos de troca: com o tempo, é preciso vender cada vez mais sacas de café para comprar a mesma máquina.

Uma estrutura que se reproduz

Daí o nome estruturalismo: o subdesenvolvimento não seria um atraso a ser vencido apenas esperando, mas o produto de uma estrutura que se realimenta. A periferia exporta o que tem menor valor agregado e importa o que tem maior, e a distância tende a se manter. A resposta proposta pela CEPAL foi industrializar de forma deliberada, com participação do Estado.

Visão técnica

A leitura da escola Estruturalista

A formulação inaugural do modelo centro-periferia está no documento que ficou conhecido como o Manifesto da CEPAL, redigido por Raúl Prebisch em 1949:

"Nesse esquema, cabia à América Latina, como parte da periferia do sistema econômico mundial, o papel específico de produzir alimentos e matérias-primas para os grandes centros industriais." (Raúl Prebisch, O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de Seus Principais Problemas, 1949)

O conceito ataca de frente a teoria clássica da vantagem comparativa, que recomendaria a cada país se especializar no que faz melhor. Para Prebisch, especializar a periferia em commodities a aprisiona, porque os ganhos do progresso técnico se concentram no centro. Celso Furtado aprofundou a tese, mostrando que o subdesenvolvimento é uma condição estrutural, não uma etapa. O modelo centro-periferia é a base do estruturalismo latino-americano e segue influente nos debates sobre dependência, industrialização e o lugar do Brasil na economia global.

No mercado

Economias muito dependentes de poucas commodities sofrem quando os preços internacionais caem, enquanto os países que vendem tecnologia preservam melhor a sua renda.

Atenção

Mitos e erros comuns

Confundir com país pobre e país rico

Centro e periferia não são níveis de renda, e sim posições numa estrutura de produção e comércio. O que define é o tipo de bem que se exporta e quem capta o progresso técnico.

Achar que é o mesmo que dependência

A teoria da dependência é um desdobramento posterior. Centro-periferia é o diagnóstico estrutural de Prebisch sobre os termos de troca; a dependência foca nas relações de poder que daí derivam.

Conceito oposto

Conceitos conectados

Veja também

Conceitos conectados

Teoria econômica nível 4

Dependência

A teoria de que o subdesenvolvimento da periferia não é um atraso a ser superado, mas o produto histórico da sua relação subordinada com os países centrais.

Teoria econômica nível 4

Estruturalismo

A corrente latino-americana de Prebisch e Celso Furtado: o subdesenvolvimento não é atraso a ser vencido pelo tempo, mas uma condição estrutural ligada à posição na economia mundial.

Pensadores nível 3

Celso Furtado

O paraibano (1920-2004) que explicou o Brasil pela economia: o subdesenvolvimento não é atraso na fila, é uma formação histórica própria. Fundador da SUDENE, expoente da CEPAL.

Pensadores nível 3

Raúl Prebisch

O argentino (1901-1986) que fundou o estruturalismo latino-americano: o mundo dividido em centro e periferia, e a tese de que exportar matéria-prima empobrece relativamente.

Autores nível 4

Pedro Cezar Dutra Fonseca

O professor titular da UFRGS e referência em desenvolvimentismo brasileiro: a economia do Brasil e as interpretações do país, na tradição estruturalista da CEPAL.

Autores nível 4

Ronaldo Herrlein Júnior

O professor da UFRGS que pesquisa economia política, Estado e desenvolvimento: o papel do Estado na trajetória econômica, lido pela história e pela tradição estruturalista.

Autores nível 4

Marcelo Arend

O professor da UFSC que cruza estruturalismo latino-americano e teoria neoschumpeteriana para investigar mudança estrutural, desindustrialização e desenvolvimento.

Autores nível 4

Lauro Francisco Mattei

O professor titular da UFSC que estuda o desenvolvimento por dentro do território: economia agrária, desenvolvimento regional e rural e políticas de erradicação da pobreza.

Autores nível 4

Marcelo Luiz Curado

O professor da UFPR que pesquisa desenvolvimentismo brasileiro e latino-americano, macroeconomia e história do pensamento econômico brasileiro: a tradição estruturalista do desenvolvimento em produção nacional.

Autores nível 4

Ricardo Dathein

O professor do PPGE da UFRGS que pesquisa economia do desenvolvimento e desenvolvimentismo: a tradição estruturalista e da inovação aplicada ao desenvolvimento brasileiro, organizada em obra de referência.

Autores nível 4

Daniel Arruda Coronel

O professor da UFSM que pesquisa desindustrialização, política industrial e comércio internacional: o desenvolvimento brasileiro medido com modelos quantitativos, em produção aplicada.

Autores nível 4

Hugo Carcanholo Iasco Pereira

O professor da UFPR que pesquisa câmbio real, crescimento e desindustrialização na chave novo-desenvolvimentista: o desenvolvimento brasileiro pela ótica da taxa de câmbio competitiva.

Autores nível 4

Andrés Ernesto Ferrari Haines

O professor da UFRGS que pesquisa desenvolvimento, a economia argentina e a geopolítica internacional: história do pensamento e relações econômicas globais, em produção documentada.

Autores nível 4

Samuel Costa Peres

O professor da UFRGS que pesquisa crescimento, integração financeira internacional e (sub)desenvolvimento: Furtado e a dependência relidos com dados, em produção documentada.

Autores nível 4

Eva Yamila Amanda da Silva Catela

A professora da UFSC que pesquisa complexidade econômica, inovação e crescimento na tradição estruturalista neoschumpeteriana: o que um país produz define o quanto ele cresce.

Perguntas frequentes

O que é o modelo centro-periferia? +

É a tese de Raúl Prebisch e da CEPAL de que a economia mundial se divide entre um centro industrial, que produz e exporta tecnologia, e uma periferia que exporta matérias-primas. Os ganhos do progresso técnico se concentram no centro, e a estrutura tende a se reproduzir.

Por que o conceito critica a vantagem comparativa? +

Porque a vantagem comparativa recomendaria à periferia se especializar em commodities, no que ela seria mais eficiente. Para Prebisch, isso a aprisiona: os preços das matérias-primas tendem a cair frente aos das manufaturas, e a periferia fica para trás.

Fontes e referências

  • Acadêmica O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Alguns de Seus Principais Problemas - Raúl Prebisch (1949)
  • Acadêmica Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (1959)

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