No dia a dia
O que é, em palavras simples
Alguns recursos não têm um dono único e são usados por muitos: um pesqueiro, uma floresta, um sistema de irrigação, uma pastagem. São os bens comuns. A intuição pessimista diz que, sem dono, eles seriam destruídos pelo uso de todos. Mas a realidade é mais rica: comunidades mundo afora conseguem, há séculos, cuidar bem do que é de todos, com regras próprias.
No seu bolso
Como governar o que é de todos
Sem regras
- ›Livre acesso
- ›Risco de esgotamento
Governança comunitária
- ›Regras coletivas e monitoramento
- ›Uso sustentável
Indo mais fundo
Como funciona
Nem o mercado, nem o Estado
Por muito tempo, achou-se que só havia dois jeitos de evitar a destruição de um recurso comum: privatizá-lo (dar um dono) ou estatizá-lo (o governo controla). A grande novidade foi descobrir um terceiro caminho: a própria comunidade de usuários cria e faz cumprir suas regras, sem precisar de dono nem de Estado.
As condições para dar certo
Esse autogoverno não acontece por mágica. Funciona melhor quando há limites claros de quem pode usar, regras adaptadas à realidade local, monitoramento, sanções graduais para quem desrespeita e formas de resolver conflitos. Onde essas condições existem, comunidades sustentam recursos comuns por gerações.
Visão técnica
A leitura da escola Institucional
O estudo dos bens comuns foi revolucionado por Elinor Ostrom, primeira mulher a ganhar o Nobel de Economia, em 2009. Contra a previsão pessimista da tragédia dos comuns, Ostrom documentou, em campo, dezenas de casos de comunidades que governam recursos compartilhados de forma sustentável há décadas ou séculos, de pescadores no Japão a sistemas de irrigação na Espanha. A partir desses casos, ela formulou princípios de desenho institucional que distinguem os arranjos que funcionam dos que fracassam: limites bem definidos, regras congruentes com as condições locais, participação dos usuários na definição das regras, monitoramento, sanções graduais. A contribuição de Ostrom foi profunda: mostrou que entre o mercado e o Estado existe um vasto território de governança comunitária, e que a destruição dos comuns não é destino, mas falha de instituições que podem ser construídas.
No mercado
Atenção
Mitos e erros comuns
Achar que só há dois caminhos
Supor que comunidade sempre coopera
Veja também
Conceitos conectados
Externalidade
O efeito de uma atividade sobre quem não participou dela: um custo (poluição) ou um benefício (vacina) que não entra no preço.
Instituições
As regras do jogo de uma sociedade, formais (leis) e informais (costumes), que moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam.
Tragédia dos comuns
A tendência de recursos compartilhados e de livre acesso a serem destruídos pelo uso excessivo, quando o ganho é individual e o custo, coletivo.
Elinor Ostrom
A cientista política americana (1933-2012) que provou, em campo, que comunidades governam bens comuns sem Estado nem privatização. Primeira mulher com Nobel de economia (2009).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre bens comuns e bem público? +
O bem comum é rival (o que um usa, falta para o outro) mas de difícil exclusão, como um pesqueiro. O bem público é não-rival, como a iluminação. A governança de cada um é diferente.
Bens comuns sempre acabam destruídos? +
Não. Elinor Ostrom mostrou que comunidades conseguem geri-los de forma sustentável por gerações, com regras próprias, monitoramento e sanções, sem precisar privatizar nem estatizar o recurso.
Fontes e referências
- Acadêmica Governing the Commons - Elinor Ostrom (1990)
- Primária Prêmio de Ciências Econômicas de 2009 - NobelPrize.org (2009)
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